Redação Pragmatismo
Contra o Preconceito 07/Jun/2018 às 14:47 COMENTÁRIOS

Repórter da Globo revela ser lésbica e relembra assédio

Repórter da TV Globo revela ser lésbica e relembra assédio: "um chefe insistia em querer me beijar e questionar minha escolha de amar mulheres"

Repórter da Globo revela ser lésbica e relembra assédio

Os contratados da TV Globo têm ficado cada vez mais ‘humanos’ e revelando detalhes da vida íntima para milhões de pessoas por meio das redes sociais e entrevistas. Dessa vez uma repórter da TV Globo resolveu ‘sair do armário’ e contar que é lésbica. Nádia Bocchi publicou uma carta aberta em seu blog onde conta parte de sua história.

Me reconheci lésbica numa época em que ser homossexual não tinha nenhum glamour. Não existia beijo gay nas novelas, pelo contrário as lésbicas explodiam junto com os prédios. Aliás, até no cinema era difícil demais encontrar algum tipo de casal que me representasse. Tive que inventar o imaginário que não existia fora da ficção, bem lá na realidade crua onde a palavra homossexualismo ainda era nome de doença, segundo a Organização Mundial de Saúde. Parece distante, mas isso tudo foi ontem, nos anos 90. Década em que comecei a trabalhar como jornalista em um dos canais de TV a cabo mais importantes do mundo (a HBO) e tive o a oportunidade de descobrir que era possível ser gay e viver fora do armário”, iniciou ela, falando sobre a década de 90.

Nádia, em um outro trecho, frisa que sempre se relacionou bem com a sua orientação. “Num país desigual, onde mais se mata homossexuais no mundo, sou consciente da sorte de ter descoberto, com 19 anos que era possível viver a minha sexualidade sem medo e tenho feito isso até hoje em todas as minhas relações afetivas. Levo essa coragem pra todos os lugares, porque felizmente aprendi cedo que é possível ser livre.”

A repórter aproveitou a oportunidade para revelar que já foi assediada. “Algumas vezes tive que colocar a prova minhas convicções. Enfrentei situações de assédio, como a maioria das brasileiras. E acreditem, quando isso acontece com uma mulher lésbica a violência é muito cruel porque além do ato ser machista é homofóbico. Lembro da vez triste em que fui assediada por um chefe que insistia em, além de me beijar, questionar minha escolha de amar mulheres. Não permiti que o beijo acontecesse. Principalmente não deixei que aquele ato de violência colocasse em dúvida quem eu era. E mais uma vez, sei e reafirmo que tive muita sorte”, contou.

Integrante do programa Mais Você desde 2007, convite de Ana Maria Braga, Nádia falou do emprego.”Há 15 anos sou repórter da Globo e entro na casa de milhões de pessoas com tudo que me constitui: meu profissionalismo, sensibilidade, a voz, os ouvidos e também o meu jeito de amar”, contou ela.

A repórter ainda garantiu que o relacionamento é bem tranquilo:“Ando de mãos dadas com a minha namorada nas ruas. E uma das descobertas mais felizes que tive é que muitas pessoas simplesmente não se importam com isso. Sinto um prazer sem igual quando alguém para a gente no meio de um abraço pra pedir uma foto e ainda pede desculpas por interromper com tanto carinho uma demonstração de amor.”

Para ler o texto na integra basta acessar o Linked In da jornalista.

Leia também:
Jovem gay publica desabafo sobre a família antes de cometer suicídio
Deputado anti-gays é flagrado em relação com um homem dentro do seu gabinete
Menino morre em sala de aula durante sessão de bullying homofóbico
O dia em que o oprimido decidiu reagir
10 Frases de homofóbicos que se dizem ‘amigos de gays’
Professor que assumiu homossexualidade é apedrejado até a morte

Rogério Frandoloso, TVFoco

Acompanhe Pragmatismo Político no Twitter e no Facebook

Comentários