Redação Pragmatismo
Guerra injustificável 16/May/2018 às 16:32 COMENTÁRIOS

Palestino amputado assassinado por Israel seria um terrorista perigoso?

O homem da imagem tem duas pernas amputadas, está sobre uma cadeira de rodas e usa um instrumento rudimentar para atirar pedras. Para tropas israelenses, é um terrorista que mereceu ser assassinado

Palestino amputado assassinado por Israel seria um terrorista perigoso?

Tiago Barbosa, Jornal GGN

Esse homem da foto tem duas pernas amputadas, está sobre uma cadeira de rodas e usa um instrumento rudimentar para atirar pedras. Para tropas israelenses, é um terrorista.

Fadi Abu Selmi, de 30 anos, é um dos mais de 60 palestinos massacrados por protestar na Grande Marcha do Retorno contra a instalação da embaixada norte-americana em Jerusalém. Foi abatido por um sniper – atirador especializado em matar – de um exército abastecido pelos EUA com mais de três bilhões de dólares anualmente.

O palestino havia perdido as pernas em 2008, justamente em decorrência de um bombardeio israelense na Faixa de Gaza. O corte nos membros se tornou única saída para a sobrevivência.

O premiê israelense, Benjamin Netanyahu, e a Casa Branca repetiram o mantra de sempre para encobrir a força desproporcional e culparam, novamente, a insurgência palestina pela carnificina. Enquanto isso, a mudança da sede da embaixada satisfez o capricho eleitoral de Donald Trump, à revelia da comunidade internacional.

É até aviltante falar em violência do outro lado do mundo quando a gente descarta, todos os dias, milhares de vidas jovens, negras e pobres sob o céu de um Brasil maculado por desigualdade e criminalidade.

Mas a morte desse palestino é simbólica por representar em tudo o desprezo absoluto dos poderosos pela vida dos flagelados: tanques contra cadeira de rodas, bombas contra pedras, militares contra gente.

É o expediente de qualquer estado covarde para calar, à força, a voz dos oprimidos.

O horror não faz distinção geográfica.

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