Redação Pragmatismo
Corrupção 11/May/2018 às 07:41 COMENTÁRIOS

“A maior corrupção da história da humanidade” é dinheiro de troco na escala mundial

A “maior corrupção da História da Humanidade” é dinheiro de troco na escala mundial e não dá sequer para pagar as 500 penitenciárias novas para abrigar os corruptos de um certo professor-radialista honesto

maior corrupção da história da humanidade escala mundial

André Araújo, Jornal GGN

Há um famoso professor-radialista em São Paulo que diz ser ele o único honesto do Brasil e que o melhor instrumento para o progresso do País é o camburão, passando nas casas e os moradores já vão entrando porque sabem que são ladrões e que a cadeia é o lugar deles.

Segundo o professor-radialista a corrupção é o único problema do Brasil, não importa a incompetência, a falta de planejamento, o desperdício, as mordomias, os super salários e os mega benefícios, as aposentadorias precoces, a burrice, a estupidez dos administradores públicos, nada disso importa, só a corrupção. E como tal ele aponta a corrupção do PT como a maior da História da Humanidade, a história registrada nos 10.000 anos até nossos dias, vamos então ajudá-lo na pesquisa, centrada apenas nos últimos 100 anos.

O professor lembra o médico psiquiatra Simão Bacamarte do conto de Machado de Assis “O ALIENISTA” que internou a cidade inteira no hospício porque achava que o único são era ele.

Liquidação do Patrimônio da União Soviética

O imenso patrimônio do Estado soviético incluía a maior base produtora de petróleo do planeta, mais que da Arábia Saudita, a maior indústria de alumínio do mundo, complexos siderúrgicos, a segunda indústria de material bélico, a segunda de bens de capital, o quinto maior sistema hidroelétrico do mundo, além de terras de agricultura, fábricas de fertilizantes. Parte do que o grande Estado socialista possuía, além de hotéis, empresas de aviação, ferrovias, linhas de navegação, mineração em larga escala, um gigantesco e valioso patrimônio que virou propriedade privada da noite para o dia por transferências inexplicáveis, sem qualquer transparência. O que era público passou a ser privado, criando mais de 200 bilionários em dez anos, os chamados “oligarcas”, a maioria dos quais mora em Londres e tem sua base de operações bancárias na ilha de Chipre, onde todos os bancos são russos.

Muitos dos oligarcas eram antigos altos funcionários do Estado soviético, de gestores de coisa pública passaram a donos, sem leilões, sem planos de privatização, um processo nas sombras, de base legal nula, sem fiscalização, auditoria, compliance, tribunais de contas, tudo secreto como é da tradição da tradicional cultura politica da Rússia desde o tempo dos Czares.

Nesse processo de transferência do público para o privado, que é na essência um processo de corrupção em larga escala, o Estado soviético viu-se subtraído de provavelmente TRÊS A QUATRO TRILHÕES DE DÓLARES de bens. Tome-se como base apenas a indústria do petróleo russa, maior que a saudita. A estatal saudita SAUDI ARAMCO foi avaliada por bancos americanos em DOIS TRILHÕES DE DÓLARES. A antiga URSS viu-se privada não só da indústria petrolífera, de óleo, também da exploração e processamento de gás, a maior do planeta. O que a Arábia Saudita tem em pequena escala, portanto a base petroleira russa é em óleo maior que a saudita (dez milhões de barris/dia contra oito milhões da Arábia), mas tem um plus que é a mega produção de gás natural, que hoje abastece a União Europeia através do Nordstream, o gasoduto sob o Mar Báltico e também gasodutos antigos via Ucrânia. Desconte-se dessa transferência de bens a permanência de parte da indústria de petróleo em mãos estatais, através da RUSSNEFT, empresa estatal, mas que concorre com privadas como a GAZPROM.

Esse processo e sua valoração estão extensamente tratados no estudo da Norwich University, do Reino Unido,“ CONSEQUENCES OF THE COLLAPSE OF THE SOVIET UNION” e também no livro “”HOW THE SOVIET UNION DISAPPEARED, AN ESSAY ON THE CAUSES OF DISSOLUTION”, de Wusta Swaska, disponível na Amazon Books.

O saque da China pela família Soong

A China Nacionalista foi comandada de 1928 a 1949 pelo Generalíssimo Chiang Kai Shek. Lado a lado com o célebre general estava a família de sua segunda esposa, Mei-ling, mundialmente conhecida como Madame Chiang Kai Shek. Mei- ling foi educada no aristocrático Wellesley College nos Estados Unidos, era uma chinesa com cultura americana e isso encantou os americanos. Madame Chiang Kai Shek foi capa de TIME duas vezes e de LIFE três vezes, era a lobista oficial do mais corrupto governo do Século XX, o governo da China Nacionalista, o regime que sucedeu ao secular Império que mandou na China por quatro séculos.

A família Soong era a mais poderosa da China entre a queda do Império em 1911 e o fim do regime nacionalista, em 1949. A partir de Charles Soong, chinês americanizado, a família estabeleceu alianças fundamentais para a história da China moderna. Uma das três filhas de Charles Soong, Quing-ling casou com o dr. Sun Yat-sem, fundador da República da China e seu primeiro presidente, uma República fraca que foi atingida por lutas internas desde o início, foi portanto Primeira Dama da República da China. Viúva de Sun Yat-sem em 1924, rompeu com as irmãs e apoiou os comunistas que estavam no norte da China, o movimento de Mao Tse Tung. Quing-ling Soong se tornou Vice-Presidente da República Popular da China, a China de Mao e pouco antes de morrer, Presidente Honorária da China Comunista, uma ironia da História sendo a irmã mulher do maior inimigo da China Comunista, o Generalíssimo Chiang Kai-Shek, apoiado pelos EUA antes, durante e depois da Segunda Guerra.

Um irmão de Mei-ling, T.V.Soong era banqueiro, foi o homem das finanças do governo nacionalista chinês, Ministro da Fazenda e americanizado como a irmã, era a face ocidental do brutal regime de Chiang Kai Shek, era ele quem recebia o cheque mensal dos americanos para pagar a guerra contra o Japão, dinheiro prontamente embolsado pela família Soong.

Um cunhado de Mei-ling, H.H.Kung, banqueiro e considerado o homem mais rico da China, era o presidente do Banco Central. Essa poderosa família controlava as finanças do regime e toda a economia da China, por duas décadas. O regime de Chiang era extraordinariamente corrupto. Durante a Segunda Guerra o Tesouro americano pagava integralmente a folha de soldos do Exército nacionalista chinês, que deveria lutar contra os japoneses, cerca de dois milhões de soldados. O total da folha era roubado pela gangue do general e para compensar os soldados eram autorizados a saquear o que quisessem dos camponeses. A munição de artilharia que os EUA enviavam para o Exército de Chinag combater os japoneses era vendida pelo grupo de Chiang aos próprios japoneses. Washington confiava cegamente em Chiang apesar das advertências do Adido Militar na China, o célebre General Joseph Stilwell, “Vinegar Joe”, que avisava Roosevelt que a turma de Chiang era uma quadrilha. Não adiantava, os americanos estavam encantados com a Madame, capa da TIME, que falava inglês perfeito e parecia americana, além de esbanjar elegância. Roosevelt levou o casal como participante da Conferência do Cairo em 1943 para espanto e horror de Churchill, que via o casal como eram, bandidos da pior espécie. Churchill não era fácil de enganar e tinha a ficha da dupla.

A corrupção da China Nacionalista foi abundantemente descrita nas memorias do General Stilwell, que tenho em duas diferentes edições, a mega biografia de Chiang, CHIANG KAI-SHEK-CHINA´S GENERALISSIMO AND THE NATION HE LOST, de Jonathan Fenby, editora Carrol & Graf, 562 paginas dá o quadro geral do regime corrupto dos nacionalistas, assim como a biografia de Madame Chiang, THE LAST EMPRESS, de Hnnah Pakula, editora Simon Schuster, 787 paginas, todos livros de minha biblioteca.

A estimativa em valores atuais do saque da China Nacionalista pelos Chiang e pelos Soong é de US$350 bilhões, grande parte transferidos para a ilha de Formosa, transformada por eles em Taiwan, oficialmente a República da China, em contraposição ao regime de Mao e comandada pela família Chiang por décadas, após a morte do Generalíssimo em 1975, aos 88 anos, pelo filho do Generalíssimo, de sua primeira esposa japonesa, com Mei-ling não teve filhos. O regime de Taiwan foi reconhecido pelos EUA como único governo da China até os acordos Kissinger-Mao de 1973, perdendo esse status pelo reconhecimento da República Popular pelo Governo Nixon, que transferiu a cadeira da China de Taiwan para a China Continental no Conselho de Segurança da ONU, um acontecimento histórico.

Madame Chiang Kai Shek, depois da queda da China Continental para os comunistas foi, evidentemente, morar nos EUA. Morreu aos 105 anos, em 2003, atravessando três séculos, em seu apartamento de Manhattan de 30 quartos e cercada 27 empregados, dinheiro jamais foi problema para a Madame ou para os Soong, o saque do século em um grande Pais.

Saques do Iraque e da Líbia pelos ditadores

O ditador Saddam Hussein e sua família usufruíram do Tesouro iraquiano por 24 anos, dele retirando um valor estimado em 80 bilhões de dólares. Esse valor foi levado para o exterior sob a cobertura de 200 offshores. E no rastro da morte de Saddam e de seus filhos Udday e Qusay perdeu-se a pista desse tesouro, que como costuma acontecer nos colapsos rápidos de regimes cai em mãos de asseclas, associados, procuradores, banqueiros espertos, laranjas, amantes e cortesãos e parte, evidentemente, com a família sucessora.

Três filhas de Saddam sobreviveram ao naufrágio iraquiano e moram na Jordânia e de lá não podem sair porque tem ordem de captura pelo atual governo do Iraque. Mas os EUA não pressionam nesse sentido, a família Hussein está sob proteção pessoal do Rei Abdulla da Jordânia, vivem bem em Amman com seus séquitos e filhos, todas têm uma penca.

A líder da família é a bonita e bem articulada Raghad Hussein, que tem uma vida de alto luxo em Ammam, fã de cirurgias plásticas e alta moda, com cinco filhos a transmissão da fortuna está assegurada. Raghad tem atividade politica e é curadora do legado do pai, cuja memoria defende publicamente, apesar de Saddam ter executado seu marido. E há uma crença de que é financiadora do ISIS, cuja base inicial é de soldados do Exército dissolvido de Saddam.

Já Muhamar Khadaffi, ficou quase quarenta anos no poder, levou ainda mais para suas contas no exterior, cerca de 150 bilhões de dólares, cujo rastro foi em grande parte localizado pelo governo dos EUA, confiscado e transferido para o governo sucessor em Tripoli, que dado o nível de conflito na Libia, onde não há Estado estável, deve ter sido novamente desviado pelos sucessores de Khadafi. O dirigente líbio chegou a ter 14% da FIAT italiana e tinha grandes participações em companhias europeias e em bancos, inclusive no Brasil.

A corrupção no Iraque após a invasão americana

Outro capítulo de alta corrupção se deu APÓS a invasão americana no Iraque. No caos sem governo que se tornou esse período, 34 bilhões de dólares foram desviados do Ministério do Petróleo do Iraque através de uma série de operações via bancos de Beirute. A complexa história está relatada no livro THE OCCUPATION OF IRAK, de Ali A.Allavi, editora da Universidade de Yale. Allawi não é qualquer autor, foi Ministro da Justiça e Ministro da Defesa durante a ocupação americana e diz que no saque desse valor estavam envolvidos funcionários americanos e iraquianos do regime de ocupação. Lembrando que o primeiro colaboracionista aliciado pelos EUA, Ahmed Chalabi, era um aventureiro e escroque iraquiano residente nos EUA interessado unicamente em dinheiro, fato descoberto tardiamente pelos EUA, que o descartou depois de ter sido cogitado para ser presidente do Iraque sob tutela americana.

A Sonangol e os bilionários do petróleo de Angola

Angola, na sua província de Cabinda, foi a nova grande área de petróleo descoberta na segunda metade do Século XX, tornando-se uma imensa fonte de riqueza para a nova elite de Angola independente. Com uma produção em torno de 1,6 milhões de barris/dia, o governo do MPLA criou uma petrolífera estatal, a SONANGOL, cujos cofres repletos de dólares foram prontamente saqueados pelo longo governo de Jose Eduardo dos Santos, em três décadas de poder absoluto. A exploração do petróleo é executada por contratos de serviços com petroleiras americanas, principalmente Chevron e Exxon, o dinheiro jorra para alegria de Maria Isabel dos Santos, filha do presidente com sua esposa russa, a mulher mais rica da África, segundo a revista FORBES. Mas não é só ela, Ministros do governo do MPLA se tornaram bilionários com o dinheiro da SONANGOL, um deles mora na Av. Vieira Souto em Ipanema e a charmosa Isabel mora em Lisboa, onde tem participação em grandes empresas.

Entre 2010 e 2014 consta ter sumido 32 bilhões de dólares no balanço da SONANGOL, um mistério até hoje não esclarecido mesmo depois de amplamente divulgado. O fato não impediu que em 2016 a EXXON assinasse um grande novo acordo com Angola para exploração do pré-sal angolano, demonstrando que para o Departamento de Justiça dos EUA a PETROBRAS é empresa corrupta e criminosa, tanto que está sendo processada em Washington pelo governo americano, mas a SONANGOL é empresa virtuosa, apesar de saqueada trinta vezes mais que a PETROBRAS, o que mostra a imensa hipocrisia do “compliance” pregado pelos EUA ao mundo. A mesma cartilha que moralistas brasileiros acreditam piamente e levam a sério, fascinados pela pureza do sistema de justiça dos EUA, tão furado como o chapéu do Buffalo Bill, vale o interesse dos EUA e nada mais.

O Petrolão e seus números

A chamada pelo professor-radialista de “a maior corrupção da história da humanidade” tem uma valoração propositalmente confusa. Quando surgiu o escracho do “petróleo” a então presidente da PETROBRAS, Graça Forster, assustada com o escândalo da mídia, provisionou 84 bilhões de Reais no balanço da empresa, número que ela achou somando o valor dos contratos suspeitos. Ai começa uma confusão de números que continua até hoje. O VALOR DOS CONTRATOS SUSPEITOS NÃO É O VALOR DA CORRUPÇÃO. É um entendimento óbvio, mas a mídia ou de propósito ou por ignorância mistura os dois números. O valor do contrato atingido é um TODO do qual a corrupção é parte que pode ser 3%, 5%, 10% ou até 20% do contrato, MAS não é todo o contrato. Com o desdobramento das investigações o valor dos contratos onde a corrupção foi apontada chegou a R$15 bilhões para ficar em estimativas mais aceitas Por hipótese e na faixa de segurança vamos dobrar o valor dos contratos afetados para R$30 bilhões e atribuir uma propina média de 10%, já um exagero, chegaremos a R$3 bilhões, o que dá pouco mais de 900 milhões de dólares. Pode variar muito ainda, mas jamais chegará a números expressivos na escala mundial. É uma corrupção pobre em termos de grande Pais, só o caso Siemens na Argentina teve propina de um bilhão de dólares, há abundante literatura sobre esse célebre caso de um sistema de controle de carteiras de identidade no pais vizinho nos anos 90 do século passado.

Nas planilhas da mídia fez-se enorme confusão, dupla e tripla contagem de valores, sempre no viés de exageros e multiplicações irreais, visando aumentar o escândalo pelo brilho dos números superestimados ao infinito. Nenhum levantamento técnico e com métodos de auditoria internacional foi feito para apurar exatamente a afetação da corrupção em determinados contratos da Petrobras. Todas as partes envolvidas, os investigadores para engrandecer seu trabalho, os acionistas minoritários para processar pelo maior valor possível a PETROBRAS visando indenizações, os novos administradores da PETROBRAS para mostrar que encontraram casa arrasada e por milagre a recuperaram em três meses, todos tinham INTERESSE EM AUMENTAR A CORRUPÇÃO que sem duvida existiu mas foi exagerada pelos grupos interessados no aumento. De qualquer modo, mesmo com números superestimados, a corrupção do “petróleo” nem remotamente chegou a números próximos aos casos de macro corrupção da História dos últimos cem anos. Portanto, o que o Simão Bacamarte alega NUNCA seria a “maior corrupção da História da humanidade”, na escala mundial nem chega perto.

Com base no escândalo propagado pela mídia sobre a corrupção na PETROBRAS o valor das ações caiu brutalmente, causando à União, maior acionista, prejuízo várias vezes maior que a corrupção apontada. Se a isso adicionarmos a indenização para acionistas minoritários americanos, de US$2,95 bilhões, ficará evidente que o escracho da corrupção custou dezenas de vezes mais que a própria corrupção. Para o País como um todo o escracho do “petróleo” custou cem ou duzentas vezes mais pela destruição de grandes empresas de expressão internacional, de setores inteiros da economia, pelo consequente desemprego e perda de arrecadação. Boa parte da atual recessão se localiza nessa cruzada que, no caminho da salvação, destruiu o que estava pelo caminho, pessoas, empresas, empregos e setores.

Há um outro ângulo sobre o “petróleo”. Nenhuma das grandes áreas de atividade da PETROBRAS sofreu no processo, especialmente a área de produção do PRE-SAL, que não teve solução de continuidade, ao contrário, com crescentes recordes de produção, o que seria difícil em uma empresa “quebrada” e desorganizada como foi alardeado.

Outro mito na esteira do “petróleo” foi que por causa dele a PETROBRAS quebrou.

Como demonstramos aqui em artigo específico sobre o tema, a PETROBRAS de 2014, do inicio ao meio do processo do “petrolão” até a posse de Pedro Parente na presidência em 1º de junho de 2016, fez seis emissões de BÔNUS em dólares no mercado internacional, TODOS com “oversubscription”, isto é, havia compradores para de três a cinco vezes mais volume do que o que foi oferecido à venda, o que mostra cabalmente que em MOMENTO ALGUM a Petrobras teve remotamente uma situação financeira próxima de quebra. O mercado internacional absorvia suas emissões de bônus com absoluta folga, inclusive um bônus de CEM ANOS de prazo algo que só empresas muito sólidas conseguem vender, o que desmente a versão propagada intensamente pela mídia, especialmente pelo sistema GLOBO e também pelos novos dirigentes da PETROBRAS de que por causa do “petrolão” a PETROBRAS quebrou.

O mito da corrupção histórica no Brasil

De todos os países da América Latina o Brasil é historicamente o menos corrupto. Nosso Imperador Pedro II faleceu em Paris em 1893 em um hotel barato que pagava do próprio bolso, recusando um estipendio oferecido pela República. Nossos Presidentes da República, com raríssimas exceções, saíram do cargo com o patrimônio que entraram. O mais longevo de todos no poder, Getúlio Vargas, deixou como herança um apartamento de classe média no bairro da Tijuca. Outro poderoso, Juscelino Kubtscheck teve dificuldades financeiras de sobrevivência após sair da Presidência, sua viúva teve que vender quadros para se manter. Os Presidentes militares saíram como entraram, alguns empobreceram, como Medici e Figueiredo, o Ministro Andreazza, tido como a 7ª fortuna do mundo pela oposição, teve seu enterro pago por amigos.

Enquanto isso, no México do PRI, os Presidentes eram submetidos a três ditames: o Presidente que sai indica o sucessor, o famoso “dedazo”, o que sai vai morar no exterior para não atrapalhar o que entra, o que sai pode levar para si o equivalente a dois bilhões de dólares como garantia para o resto da vida. Na Argentina a corrupção é institucional e enorme, Peron saiu do poder em 1953 com o equivalente hoje a 800 milhões de dólares, exilando-se na Espanha em alto estilo de vida. Líderes peronistas saem da vida pública todos milionários e os que estão, como Duhalde, são considerados super ricos. Por toda a América Latina os ditadores ou Presidentes democráticos saem de cena multimilionários, menos no Brasil.

A cruzada moralista brasileira com claros objetivos de Poder misturou deliberadamente dinheiro de campanha com corrupção, por esse critério não sobraria um único politico solto nos Estados Unidos, onde nas campanhas circulam bilhões de dólares sem hipocrisia, lá é tudo legal, com recibo e balancete, através dos Political Actions Committee. Os grandes lobies como o das armas (NRA) ou da comunidade judaica (AIPAC), doam milhões de dólares às claras sem problema, sem moralismos na mídia, sem escrachos de “chocados” como Gerson Camarotti, seu mestre Merval Pereira e outros sacerdotes da moral e ética na politica, aquilo que nem os gregos que inventaram a politica pretenderam porque é contra a natureza das coisas.

No Brasil fez-se a mistura de forma proposital para magnificar a corrupção e mostrar que todos os políticos são corruptos, logo não merecem governar, porque não dar o poder aos “puros” que não são políticos? As “vestais” já apareceram glorificadas pela GLOBO.

Medindo a corrupção na história

A corrupção politica é um fenômeno das democracias. Nos regimes absolutistas o dinheiro do Estado e do chefe do poder se misturam, portanto não há necessidade de corrupção. Na França absolutista não só o Rei era riquíssimo, também seus Ministros que ficavam para si com parte dos impostos. O Cardeal de Richelieu (Armand Louis du Plessis) , Primeiro Ministro de Luis XIII, era o homem mais rico da França, o Ministro da Fazenda de Luis XIV, Nicolas Fouquet, construiu um palácio monumental, Vaux-le-Vicomte, com dinheiro dos impostos, provocando a inveja do Rei Luis XIV que por revanche construiu o Palácio de Versalhes.

Nos dias de hoje os Reis e Emires do petróleo tem como seu e da família o dinheiro do Tesouro de que fazem uso sem nenhuma cerimonia, esbanjando parte e guardando o resto.

Os EUA resolveram parte do problema legalizando o dinheiro das campanhas e dos lobbies, tudo o que no Brasil é hoje completamente ilegal e dá cadeia, para alegria dos que detestam a democracia e querem um “salvador da pátria” puro até o dia em que ele senta no Palácio.

Com grande aproximação porque jamais haverá números seguros na corrupção vejamos uma estatística, para atender ao professor-radialista que quer todo o Brasil na cadeia.

Liquidação da União Soviética, QUATRO TRILHÕES DE DOLARES, saque da China Nacionalista pelo grupo Chiang Kai Shek TREZENTOS E CINQUENTA BILHÕES DE DOLARES, saque da Libia por Khadafi, CENTO E CINQUENTA BILHÕES DE DOLARES, saque do Iraque por Saddam Hussein, OITENTA BILHÕES DE DOLARES, saque do Iraque pelo regime pró-americano de ocupação TRINTA E QUATRO BILHÕE DE DOLARES, saque do petróleo de Angola TRINTA E DOIS BILHÕES DE DOLARES, saque do “petrolão” brasileiro NOVECENTOS MILHÕES DE DOLARES.

A “maior corrupção da História da Humanidade” é assim dinheiro de troco na escala mundial, não dá para pagar as 500 penitenciárias novas para abrigar os corruptos do professor-radialista “honesto só eu” que propõe acabar com a política e com os políticos. Infelizmente não é só ele, muitos pensam a mesma coisa na rádio “Partiu pra Cima”, o fascistinha de Veneza, os pobres de Direita, o programa “Viralatas Connection”, os iluministas do Supremo, todos querem um Brasil puro como o hábito de uma freira carmelita e para tanto vale destruir o Pais de alto a baixo. Finalmente teremos um honesto no Palácio do Planalto, Deus nos salve.

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