Redação Pragmatismo
Esquerda 18/Apr/2018 às 17:19 COMENTÁRIOS

Chico Buarque e Gilberto Gil comentam a prisão de Lula

Chico Buarque pede 'união das esquerdas' e Gil vê Lula como preso político. Artistas avaliam que ex-presidente foi alvo de "atos discricionários", como a condução coercitiva e a quebra ilegal de sigilo

Chico Buarque e Gilberto Gil comentam a prisão de Lula
Chico Buarque e Gilberto Gil

RBA

Em vídeos endereçados à pré-candidata do PCdoB à Presidência da República, a deputada estadual Manuela d´Ávila, Chico Buarque e Gilberto Gil falam sobre o momento político e da prisão imposta ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, desde o dia 7 isolado em uma sala na Superintendência da Polícia Federal do Paraná, em Curitiba. Chico defende a “união das esquerdas“, enquanto Gil considera Lula “um político preso e um preso político“.

Os cantores e compositores gravaram depoimentos para o “Manifesto Liberdade“, lançado na noite de segunda-feira (16) por Manuela durante ato no Teatro Oficina, em São Paulo. Além de apresentar algumas de suas propostas, a pré-candidata denunciou a “prisão inaceitável” de Lula.

No vídeo, Gil, que foi ministro de Lula, apresenta definições do que é um preso político (“Aquele que, político ou não, vem a ser preso em um regime de exceção“) e um político preso (“Preso por força da lei, em um regime republicano, em um Estado de Direito, sob a vigência de uma Constituição“), para então perguntar em qual caso está Lula.

Creio que seja as duas coisas“, responde o próprio Gil. “Político preso por razões óbvias. Réu, processado, julgado, condenado, segundo a lei. Preso político porque, como réu, ao longo de todo o processo, até o seu desfecho, foi alvo de vários atos discricionários, tais como a prisão coercitiva mal justificada, a quebra ilegal de sigilo de um interlocutor, a presidente da República, no caso“, enumera o compositor.

Ele cita ainda “a ordem de prisão precipitada, antes do esgotamento dos prazos processuais“. E também “alguns outros atos excepcionais a que foi sujeito, atos assim consideráveis, se examinados à luz do estrito Direito republicano, democrático, legal“. E conclui: “O clamor pela liberdade de Lula, portanto, se não plenamente, é pelo menos, parcialmente justificado. Sinto-me, assim, no direito de me juntar a todos vocês que, de um lado, gritam ‘Lula livre’“.

Já Chico afirma considerar “legítimo e saudável que diferentes grupos de esquerda disputem as eleições presidenciais deste ano“. Isso, segundo ele, propicia o aparecimento de novas lideranças, caso de Manuela, que o cantor e compositor chama de “doce figura e dura, quando precisa“, e que demonstrou coragem, por exemplo, na luta pela liberdade de Lula.

E aí está um sinal de que as esquerdas podem se unir, devem se unir, quando se trata do essencial, que é o combate à injustiça e a defesa da democracia. Estamos juntos“, diz Chico.

Outros nomes dão as boas-vindas à candidatura da deputada gaúcha, como Caetano Veloso, que já manifestou apoio a Ciro Gomes, do PDT.

Assista aos vídeos:

Leia também:
Fundador do PT, Paul Singer morre aos 86 anos
A primeira carta de Lula depois de preso
200 anos de Marx: capitalismo parece mais brutal do que nunca
Algozes não conseguem especificar as circunstâncias do crime de Lula
Pobre do pobre de direita

Acompanhe Pragmatismo Político no Twitter e no Facebook

Comentários