Redação Pragmatismo
Guerra injustificável 14/Apr/2018 às 09:20 COMENTÁRIOS

Bombardeio dos EUA na Síria: o que se sabe até agora e como o mundo reagiu

EUA, Reino Unido e França bombardearam a Síria nesta madrugada. O governo russo repudiou os ataques, prometeu consequências e até ironizou o fato de defesas antiaéreas antigas terem conseguido interceptar os mísseis americanos. Confira a repercussão mundial

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Mísseis dos EUA e aliados rasgam o céu de Damasco, na Síria (AP Photo/Hassan Ammar)

Na noite desta sexta-feira (13), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a realização de ataques aéreos contra o governo de Bashar al Assad na Síria.

O bombardeio foi realizado em parceria com as Forças Armadas da França e do Reino Unido. Explosões foram registradas na capital Damasco.

A operação foi uma resposta ao suposto ataque químico ocorrido no último sábado (7) em Duma, na região de Ghouta Oriental. Os opositores dizem que foi o governo de Assad que promoveu os ataques. O governo sírio e a Rússia, sua principal aliada, negam o uso de armas tóxicas.

Segundo Trump, o bombardeio mira as instalações de armas químicas de Assad. “Esse massacre marca uma significativa escalada no padrão de armas químicas usadas por esse terrível regime. Esse ataque maligno deixou mães e pais, bebês e crianças debatendo em dor e ofegando por ar. Essas não são ações de um homem, são crimes de um monstro”, disse o presidente em pronunciamento na Casa Branca.

O republicano também criticou a Rússia e o Irã, fiadores de Assad no poder, e afirmou que as nações devem ser julgadas “pelos amigos que elas mantêm”. Em seguida, Trump elogiou países “amigos”, como os Emirados Árabes e a Arábia Saudita, que financia rebeldes na Síria, incluindo o grupo radical Jaysh al Islam, que patrocina a guerra no Iêmen.

“A Rússia precisa decidir se vai continuar por esse caminho escuro ou se se juntará às nações civilizadas como uma força de estabilidade e paz. Talvez um dia nós estaremos juntos com a Rússia e até com o Irã, ou talvez não”, declarou.

‘Haverá consequências’

O embaixador da Rússia nos Estados Unidos, Anatoly Antonov, divulgou um comunicado na madrugada deste sábado (14/04) afirmando que “haverá consequências” aos ataques em conjunto lançado pelos EUA, Reino Unido e França contra a Síria.

“Nós alertamos que tais ações não ficarão sem consequências. Toda a responsabilidade por elas reside em Washington, Londres e Paris”, afirma o comunicado. A nota diz também que “insultar o presidente da Rússia [Vladimir Putin] é inaceitável e inadmissível”.

“Os Estados Unidos, que possuem o maior arsenal de armas químicas, não têm o direito moral de culpar outros países”, afirmou o diplomata. No comunicado, Antonov ainda ressalta que os avisos de Moscou foram “ignorados” e que a Rússia está sendo “ameaçada”.

“Um enredo pré-armado está sendo implementado. Novamente, estamos sendo ameaçados. Alertamos que tais ações não serão deixadas sem consequências”, diz a nota da embaixada da Rússia nos EUA.

Ironia

O governo russo também ironizou que a Síria conseguiu interceptar dez dos trinta mísseis americanos usando defesas antiaéreas antigas.

“Os sistemas de defesa antiaéreas sírios S-125, S-200, Buk e Kvadrat foram usados para repelir os ataques com mísseis. Esses sistemas de defesa foram fabricados há mais de 30 anos na União Soviética”, informou o Ministério de Defesa russo segundo a agência de notícias local Interfax.

A porta-voz da chancelaria russa, Maria Zakharova, escreveu no Facebook: “Aqueles por trás disso (ataques) reivindicam liderança moral no mundo e declaram que são excepcionais. É preciso ser realmente excepcional para bombardear a capital da Síria em um momento em que a cidade ganhou uma chance de um futuro pacífico”.

Irã

Já o Irã, o principal aliado da Síria no Oriente Médio, denunciou “uma agressão tripla” e também alertou para “consequências regionais”, informou a TV al-Manar, controlada pelo grupo extremista Hezbollah.

Segundo a agência de notícias AFP, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do país, Bahram Ghasemi, afirmou que “os Estados Unidos e seus aliados não têm prova e, sem sequer esperar por uma posição da Organização para a Proibição às Armas Químicas, realizaram este ataque militar…e são responsáveis pelas consequências regionais (dele)”.

O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, engrossou o coro. Para ele, o ataque contra a Síria é um “crime sem ganhos”.

Khamenei também acusou de “criminosos”, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o presidente da França, Emmanuel Macron, e a primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May.

Assad

O presidente sírio, Bashar al-Assad, disse que o ataque liderado pelos Estados Unidos aumentará a determinação da Síria de “combater e acabar com o terrorismo em cada centímetro” do país.

Neste sábado (14), a Presidência da Síria publicou, em sua conta oficial no Twitter, um vídeo de dez segundos que mostra o presidente do país entrando em seu gabinete, com a legenda ‘manhã de perseverança’.

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