Redação Pragmatismo
Racismo não 13/Mar/2018 às 13:23 COMENTÁRIOS

Professor que "odeia pretos e pardos" divulga pedido de desculpas

Professor que disse “odiar pretos e pardos” divulga pedido de desculpas. Estudantes do IFSP pedem a saída de José Guilherme de Almeida e relatam outros casos de racismo e perseguições. Aluno negro chegou a ser reprovado mesmo tendo notas altas. Outra aluna foi tão humilhada a ponto de chorar em sala de aula

professor pretos e pardos
Professor José Guilherme de Almeida foi alvo de protestos após comentário racista

Uma publicação do professor José Guilherme de Almeida viralizou no Facebook nesta segunda-feira (12) e desencadeou uma série de críticas e protestos (relembre aqui).

O docente, que leciona no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP), afirma no texto que odeia pretos e pardos e descreve a alimentação deles como “macabra”.

Depois da má repercussão da publicação, José Guilherme apagou o texto original e ensaiou um novo comentário. Mas já era tarde demais. Sem conseguir lidar com as críticas, o professor bloqueou a sua conta na rede social.

Alunos do IFSP organizaram um protesto na instituição de ensino e pediram o afastamento e a exoneração de José Guilherme.

Luis Cláudio de Matos Lima Júnior, diretor do IFSP, prometeu abrir processo administrativo para analisar a possibilidade de exoneração do servidor.

A partir daí, outros estudantes tomaram coragem para trazer à baila outros casos de racismo e perseguições em sala de aula protagonizados por José Guilherme.

Em entrevista à Ponte Jornalismo, o estudante Christopher de Lima Machado, do 5º semestre de Geografia, contou que José Guilherme de Almeida já havia manifestado comentários racistas diversas vezes em sala de aula.

O estudante, que é negro, afirma ter sido perseguido pelo servidor e reprovado em duas matérias após uma discussão com o docente em sala de aula, mesmo tendo notas suficientes para sua aprovação.

Fabio Santos Souza, também aluno do 5º semestre, denunciou: “Tive aulas com ele e é torturante. Ele não aceita confronto de alunos contra as coisas que falava em aula. Os alunos negros sofriam represálias, mesmo que entre os envolvidos também tivessem brancos. Eu e o Christopher fomos os reprovados”.

Uma outra aluna relatou que foi tão humilhada que chegou a chorar em sala de aula: “Eu pensei em trancar minha matricula na faculdade. Ele chegou ao ponto de me expor de forma irônica durante as aulas”.

Pedido de desculpas

Segundo a Revista Fórum, José Guilherme de Almeida enviou uma nota em que pede perdão e assume que o conteúdo de seu post é racista. Leia a íntegra:

Gostaria de iniciar pedindo perdão a todas e todos ofendidos com meu POST (Horror ao Turismo). Hoje eu venho a público dizer que sim, foi um comentário racista, pois vejo que muitos negros e negras se sentiram atacados.

Infelizmente, no momento da postagem, não tive o discernimento ou a dimensão do quanto era lamentável o que escrevia. Aqui, eu assumo meu erro e peço perdão!

Também quero dizer que sei do débito histórico que nós temos com a população negra, por esse motivo eu sou apoiador de diversas políticas públicas de inclusão, como é o caso das cotas raciais.

Por esse motivo, peço desculpas ao IFSP, instituição em que construí uma história de 18 anos como professor, buscando oferecer o melhor de minhas possibilidades.

Mesmo já tendo me retratado, quase que imediatamente, em relação ao POST, me pronuncio mais uma vez com o objetivo de me retratar.

Não quero me justificar, nem me estender. Quero apenas pedir perdão.

José Guilherme de Almeida

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