Delmar Bertuol
Colaborador(a)
Política 07/Mar/2018 às 17:21 COMENTÁRIOS

Este ano quero os velhos

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Delmar Bertuol*, Pragmatismo Político

Nada mais obsoleto na Política do que o discurso de apresentar-se como o novo.

Desde que existem eleições no Brasil, os candidatos tentam convencer que são os representantes daquilo que a Política brasileira precisa, inovação.

Mesmo os velhos políticos não se furtam de incorporar aos seus discursos a quebra de paradigmas e o rompimento de seculares e nefastas estruturas. A promessa é de união de experiência com uma nova maneira de se fazer política, tão precisada de profundas mudanças.

Os políticos novos na atividade, por sua vez, têm a seu favor o fato de serem realmente novos, o que lhes eximiria de ranços e vícios desde sempre impregnados na política brasileira em qualquer nível.

Nos novos, como nos velhos, o discurso de inovação política passa também por um pretenso e contraditório afastamento da própria política, sobretudo a partidária, além de negar a pecha de qualquer ideologia. O político novo é sempre um pragmático, nunca um ideologista.

Tanto os novos políticos ditos novos, como os velhos políticos ditos novos, entretanto, tão logo se elegem, aplicam em seus mandatos aquilo que tanto refutavam: a política fisiológica, com negociata de cargos segundo interesses eleitoreiros e partidários.

E as ações, que seriam programáticas, atendem à ideologia do partido e do político em questão – embora o discurso continue sendo o de estar ao largo de qualquer vinculação ideológica.

Em suma, o que se observa é que o novo político não passa dum político comum no sentido pejorativo do termo. Os defeitos são os mesmos. O atendimento aos interesses dos já mais abastados continua como em qualquer “velha política’.

Pois neste ano, se houver eleições, vou votar nos candidatos que se apresentem como os velhos políticos. Vou depositar minha confiança nos candidatos que assumem o seu partido e a sua ideologia (todos têm partido e ideologia, mas os “novos”, como disse, querem se desvincular disso).

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Claro que, quando digo que quero a velha política, não me refiro aos seus antigos problemas e seus conseguintes operadores. Falo da política que trabalhou em prol do País. Refiro-me aos “velhos” que “politicaram” pela CLT; aos que lutaram contra a Ditadura Militar; aos que, na Abertura Política, tinham idealismo e (re)fundaram partidos; aos constituintes que tiveram sensibilidade de criar artigos que defendem a cidadania e os direitos humanos; falo dos políticos que, embora velhos, não caíram no ceticismo da idade e continuam, qual jovens empolgados, a defender os trabalhadores e os mais pobres.

O discurso da mudança não muda.

E quem prometeu novidades boas, é empírico, só trouxe velharias ruins.

Sou antiquado. Vou votar no bom, velho e autêntico.

*Delmar Bertuol é professor de história da rede municipal e estadual, escritor, autor de Transbordo, Reminiscências da tua gestação, filha e colaborou para Pragmatismo Político

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