Redação Pragmatismo
Lula 29/Mar/2018 às 13:48 COMENTÁRIOS

Beto Richa minimiza tiros contra ônibus de Lula e ataca delegado

Governador Beto Richa (PSDB) pronuncia-se pela primeira vez sobre os tiros contra Lula, minimiza o atentado e ataca o delegado Wilkinson Fabiano, que teve o inquérito "misteriosamente" retirado de sua alçada: "esquerdopata!"

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O governador Beto Richa (Imagem: Jonathan Campos)

Em entrevista concedida ao jornal Folha de S.Paulo nesta quinta-feira (29), o governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), pronunciou-se pela primeira vez sobre o atentado a tiros contra a caravana de Lula.

Richa, que já anunciou que deixará o governo para disputar o Senado nas eleições deste ano, afirmou que não houve negligência por parte das forças de segurança e que o atentado foi um caso isolado.

O governador tucano ainda atacou o delegado Wilkinson Fabiano Oliveira, que atendeu a ocorrência da caravana e era responsável por apurar o caso, mas teve o inquérito retirado de sua alçada. “Sempre tem os esquerdopatas do funcionalismo público”, bradou Richa.

Wilkinson Fabiano Oliveira desagradou a Secretaria de Segurança Pública do Paraná depois que afirmou, em entrevista à imprensa, que o caso seria tratado como ‘tentativa de homicídio’ (veja aqui).

Leia trechos da entrevista de Beto Richa:

Foi subestimada a necessidade de policiamento?

Mas tem policiamento. Não sei o que houve exatamente naquele momento. Inclusive sei que o pessoal da caravana agradeceu, meu pessoal passou mensagem para mim em Foz do Iguaçu [antes do ataque], a intervenção rápida da polícia para evitar confronto de manifestantes com a caravana, manifestantes dos dois lados, garantindo a segurança da caravana, do ex-presidente, a realização do evento.

Depois do episódio, como ficou a relação com a caravana?

Parece que foi uma coisa muito localizada. Lógico que há protestos, não tem como negar, em todos os lugares por onde ele passou, mas a polícia está acompanhando e garantindo a segurança.

Como o sr. vê o episódio?

Um episódio muito localizado. Não posso dizer o que foi, o que não foi, estou baseado em informações recebidas. Ninguém presenciou isso, mas a Polícia Civil está fazendo uma investigação rigorosa, uma perícia para tentar identificar de onde vieram os tiros e quem pode ter sido.

O delegado Wilkison disse que falta estrutura à Polícia Civil, que a demora na chegada de peritos ao local deu-se em razão da extrema precariedade a que está submetido o Instituto de Criminalística.

Mentira dele, mentira. Liga para o diretor-geral da Polícia Científica. Ele vai dizer que nunca houve tanto investimento na Polícia Científica quanto no nosso governo. Inaugurei dois IMLs nas duas últimas semanas, Londrina e Curitiba. Liberei a contratação de 28 técnicos, médicos legistas e tudo. Sabe como é funcionário público. Alguns têm mania de querer o paraíso. Pergunta quanto é o salário dele.

Ele falou que os quadros da Polícia Civil do Paraná são “extremamente deficitários”.

Não é verdade. Esse cara está aproveitando o incidente para fazer críticas ao governo?

Ele disse que o Paraná tem cem delegados a menos que Santa Catarina apesar de ter quase o dobro da população.

Não posso dizer quanto tem em Santa Catarina. Quando fiz concurso para delegado de polícia, vieram delegados do Brasil inteiro, inclusive da ativa, atraídos pelo bom salário. Paguei subsídio para eles, um monte de avanço.

O sr. discorda de que a precariedade policial foi responsável pelas falhas na segurança que resultaram nos disparos?

A maior contratação de policiais militares fui eu que fiz, 11 mil policiais. Não tenho um orçamento suíço, como sugeriu o delegado. O Paraná tem das maiores elucidações de crimes, percentual que passa de 80%, comparado a país de primeiro mundo. Mas sempre tem os esquerdopatas no meio do funcionalismo.

Quatro disparos contra a caravana de um ex-presidente, candidato a presidente, não pode ser considerado um caso menor, não?

Claro que não, tanto é que estamos investigando. Mas de repente, no meio da multidão, sai o disparo, no meio do caminho de uma cidade para a outra, não tem como você controlar tudo.

Críticos disseram que a segurança da caravana e as ações de inteligência foram negligenciadas por se tratar do Lula e do PT.

Não é nosso caso. Estou te dizendo, meu secretário de Assuntos Fundiários, Hamilton Serighelli, vive junto dos movimentos sociais, tratando e contribuindo, MST e tudo, ele está lá dentro. Ele me disse que o Lula pediu para agradecer.

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