Redação Pragmatismo
Corrupção 05/Oct/2017 às 16:10 COMENTÁRIOS

Personalidades do esporte comentam prisão de Carlos Arthur Nuzman

Personalidades do esporte reagem à prisão de Carlos Arthur Nuzman: "Vergonhoso". Presidente do COB costumava ser aplaudido pelas mesmas pessoas que vaiavam Lula e Dilma em cerimônias no Maracanã. Mídia internacional repercute

prisão de Carlos Arthur Nuzman

Atletas de diversas modalidades usaram as redes sociais para se manifestar sobre a prisão do presidente do Comitê Olímpico do Brasil (COB), Carlos Arthur Nuzman.

Na manhã desta quinta-feira, no Rio de Janeiro, Nuzman e seu braço-direito, o diretor geral de operações do COB, Leonardo Gryner, foram presos temporariamente pela Polícia Federal no Rio de Janeiro.

“Pobre esporte brasileiro. Prender e punir todos aqueles que se aproveitam do esporte é corretíssimo, mas a vitória só será completa quando estatutos de federações, confederações, COB e TODO O SISTEMA forem modificados totalmente! Caso contrário, será como enxugar gelo… sairá um, entrará outro e a estrutura continuará viciada! Essa é a hora!”, escreveu Nalbert, ex-capitão da seleção brasileira de vôlei.

“As coisas demoram. Às vezes mais do que imaginamos. Mas elas acontecem. Mais de um neste momento com medo de ser o próximo”, disse o ex-tenista Fernando Meligeni.

A nadadora Joanna Maranhão foi quem publicou a manifestação mais extensa. Confira abaixo:

“Um país com a desigualdade social como a nossa, não deveria ter como prioridade sediar eventos esportivos de grande porte. Imensa hipocrisia de minha parte falar isso agora depois de ter participado de jogos pan americanos, jogos mundiais militares e jogos olímpicos dentro do Brasil. Errei. Meu desejo não deveria ser maior do que o bem coletivo. E não dá pra gente falar em tamanho de estado, liberalismo econômico e/ou meritocracia enquanto tem gente passando FOME. Você pode escolher o lado que for dessa polarização toda, não importa, é vergonhoso demais. Existem pessoas maravilhosas trabalhando no comitê olímpico, não vamos generalizar. O problema é o que sistema não permite que essas pessoas tomem a frente da gestão esportiva nesse país. Imaginar que a gente comemorou quando o Brasil se tornou sede e tudo isso era fruto de um esquema. Que vergonha, que vergonha. Um presidente que tinha 480 mil reais na cabeceira e barras de ouro. Tem que recomeçar, tem que aliar carreira esportiva com carreira acadêmica, não há outra saída. Retorno monetário não pode ser a única forma de um atleta de alto rendimento se manter e trabalhar transição de carreira. Queira você pegar exemplo de Cuba ou Estados Unidos, tanto faz, escolhe aí…dois modelos econômicos distintos e duas potências esportivas. O que tem em comum? Atletas treinam e atletas estudam. Não irei entrar no mérito do que é melhor ou pior, a gente tem que concordar que dessa forma não funciona. Se não tem dinheiro pra bolsa atleta, que o corte seja feito na de quem tem outra fonte de renda (clubes, patrocinadores). É desumano cortar auxílio de quem recebe 300/500 reais de bolsa atleta e ainda ajuda no orçamento familiar. A gente precisa rever essas prioridades. Vamos repensar o esporte no Brasil. Todo mundo. A gente vai ter que se unir, apesar das diferenças.”

Mídia internacional

Veículos da imprensa internacional repercutiram a prisão de Nuzman. Agências de notícias como a Reuters e a Efe emitiram alertas de urgência para noticiar a detenção do brasileiro.

A prisão do dirigente brasileiro ganhou destaque em veículos mundo afora, como o espanhol “As” e o portal “Channel NewsAsia”.

Nuzman também recebeu manchetes na Inglaterra, no jornal “The Guardian” e no site da rede de televisão BBC.

A ação da Polícia Federal contra Nuzman é um desdobramento da operação “Unfair Play” (“Jogo sujo”, em português), mais uma etapa da Lava Jato.

O dirigente de 75 anos é suspeito de intermediar a compra de votos de integrantes do Comitê Olímpico Internacional (COI) para que o Rio fosse eleito a sede da Olimpíada de 2016.

Curiosidades

Curiosamente, Arthur Nuzman costumava ser aplaudido pelas mesmas pessoas que vaiavam Lula e Dilma em cerimônias esportivas realizadas no estádio Maracanã.

Em 2007, vaiado na abertura dos Jogos Pan-Americanos, Lula não conseguiu discursar na abertura do evento. Precisou passar o microfone para Nuzman, que recebeu efusivos aplausos.

Em 2016, Nuzman foi aplaudido na cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro. Ao discursar no encerramento dos jogos, o presidente do COB tentou apagar de Lula a responsabilidade pela realização do evento.

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