Redação Pragmatismo
Racismo não 20/Oct/2017 às 17:34 COMENTÁRIOS

Creme da Nivea que "embranquece a pele" vira alvo de debate mundial

'Creme para embranquecer pele' coloca Nivea no centro de polêmica em países da África. A Nivea já havia sido criticada no início do ano por uma propaganda de desodorante no Oriente Médio em que se via escrito "branco é pureza"

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A polêmica sobre o uso de cremes embranquecedores agora atingiu uma marca de cosméticos de alcance global.

A Nivea está sendo criticada por uma propaganda de um produto anunciado na Nigéria, em Gana, em Camarões e no Senegal.

Outdoors apresentam o hidrante “Natural Fairness” (clareza natural) com a ex-miss Nigéria, Omowunmi Akinnifesi, com os dizeres “para uma pele visivelmente mais clara“.

A mesma campanha tem comerciais para a TV, que mostram a modelo ficando com a pele mais clara após passar o creme.

O anúncio foi duramente criticado nas redes sociais, com mulheres dizendo que “esse não é o jeito certo de fazer propaganda na África” e “não queremos pele mais clara“.

Entre os críticos da propaganda da Nivea está a modelo e ativista Munroe Bergdorf – que recentemente foi demitida de uma campanha da L’Oreal depois de criticar o racismo nos EUA.

Munroe compartilhou a propaganda em seu Instagram e disse que “não é ok perpetuar a noção de que pele mais clara é mais bonita” e que “é inaceitável fazer dinheiro fazendo com que outras pessoas odeiem a si mesmas“.

This is not okay. #Nivea – Perpetuating the notion that fairer skin is more beautiful, more youthful is so damaging and plays into the racist narrative so prevalent in the beauty industry, that whiteness or light skin is the standard that we should all strive for. Advertisers have the power to change this narrative, but campaign after campaign we see it being used worldwide. Making money out of making people hate themselves is never acceptable. Whitening and lightening creams are not only physically damaging, but also ethically wrong. Empowerment is not too much to ask for. ALL black skin is beautiful, no exceptions, so celebrate us as we are instead of asking us to adhere to unattainable and racist ideals.

Uma publicação compartilhada por Munroe Bergdorf (@munroebergdorf) em

Munroe também afirma que cremes branqueadores são prejudiciais à saúde e errados do ponto de vista ético.

Todas as peles negras são bonitas. Nos homenageiem em vez de pedir que aceitemos ideais racistas e inatingíveis.”

À flor da pele

O produto da Nivea não é novo, mas a recente estratégia de divulgação gerou polêmica alguns dias depois da Dove ser criticada por um anúncio em que diversas modelos se transformavam em mulheres de outras etnias.

A imagem de um trecho da propaganda, com a negra se transformando em uma branca, gerou críticas. A Dove pediu desculpas, mas Lola Ogunyemi – modelo retratada – disse depois que a propaganda não era racista, que ela “não era uma vítima” e que o trecho foi tirado de contexto.

A Nivea já havia sido criticada no início do ano por uma propaganda de desodorante no Oriente Médio em que se via escrito “branco é pureza“.

A Beiersdorf, empresa dona da marca, emitiu um comunicado dizendo que reconhece as preocupações levantadas e que a intenção nunca foi ofender os consumidores.

A Beiersdorf é uma empresa global, que oferece uma grande variedade de produtos que têm como finalidade abordar as diferentes necessidades de cada tipo de pele dos seus consumidores ao redor do mundo. Tendo conhecimento do direito de cada consumidor em escolher um produto de acordo com sua preferência, a empresa oferece diversas alternativas de produtos de alta qualidade para cuidados com a pele“, afirma.

Além da superfície

O uso de cremes branqueadores é uma polêmica antiga no continente. Um estudo da Universidade de Cidade do Cabo estima que uma em cada três mulheres clareie a pele na África do Sul. Uma pesquisa da OMS (Organização Mundial de Saúde) aponta que 77% das nigerianas usam esse tipo de produto regularmente.

Dermatologistas sul-africanos apontam que clareadores podem gerar efeitos colaterais que incluem câncer e hiperpigmentação da pele. “Precisamos educar mais as pessoas sobre os perigos desse tipo de produto“, diz Lester Davids, da Universidade de Cidade do Cabo.

Já usuárias de cremes clareadores, como a musicista Nomasonto “Mshoza” Mnisi, defendem os produtos. “É uma questão de autoestima. Estou feliz agora“, afirma.

BBC

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