Redação Pragmatismo
Ditadura Militar 22/Sep/2017 às 12:32 COMENTÁRIOS

No Rock in Rio, Ana Cañas dedica música ao general Mourão

Com imagens de manifestações populares de rua dos anos 1960 e atuais passando no telão, Ana Cañas canta “O Bêbado e a Equilibrista” no Rock in Rio e a dedica ao general Mourão

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Ana Cañas no Rock in Rio (reprodução)

Um grito pelas mulheres, pelos direitos LGBTQ e pela democracia. O show de Ana Cañas, com participação de Hyldon, que abriu o Palco Sunset nesta quinta-feira, 21, foi uma celebração das liberdades individuais e coletivas, e incluiu protestos contra o presidente Michel Temer (PMDB) e o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB), feito com um cartaz na plateia que dizia “Fora Pezão. Uerj resiste“, referência ao desmonte da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Ana emocionou a plateia cantando “O bêbado e a equilibrista“, hino antiditadura militar, à capella, com imagens de manifestações populares de rua dos anos 1960 e atuais passando no telão.

Nunca antes na história desse país o processo de democracia foi tão ameaçado como agora. Um general pediu intervenção militar. Infelizmente essa música é muito atual“, a cantora lamentou, antes de começar a canção de João Bosco e Aldir Blanc.

Como seria de se esperar para uma quinta-feira de trabalho, às 15 horas, era pequeno o público do encontro. O sol estava muito forte e foi preciso resistência. Ana retribuiu com um show vigoroso, de louvação à condição feminina, nos versos de “Mulher”(“Sou preta, sou branca/ Sagrada, profana/ Sou puta, sou santa/ Mulher“) e de “Respeita” (“Meu corpo, minha lei/ Tô por aí, mas não tô à toa/ Respeita, respeita, respeita as mina, porra!“) “A cada onze minutos uma mulher é estuprada no Brasil“, ela lembrou.

O amor é a cura pra tudo na porra desse mundo, trate seu preconceito“, deu mais um recado certeiro, com uma bandeira do arco-íris nas mãos, antes de cantar “Eu amo você” (Cassiano). Era uma referência à volta do debate sobre a falaciosa “cura gay“. Durante a número, o telão mostrou o slogan “Amar sem Temer“, bandeira LGBTQ que já havia pontuado, semana passada, a performance conjunta de Johnny Hooker, Liniker e Almério.

Trinta anos separam Ana de Hyldon, um ídolo que ela reverenciou chamando-o de “lenda“. O repertório dela ganhou em suíngue e em densidade com o soul dele. Hyldon relembrou seus três grandes sucessos, Na rua, na chuva, na fazenda, Na sombra de uma árvore e Dores do mundo, cantados em coro pelo público.

Ana cresceu ouvindo Hyldon e seus companheiros de estilo, Tim Maia e Cassiano. Por sua vez, ele a aponta como um nome em ascensão na MPB. O encontro, costurado pelo curador do Sunset, o músico Zé Ricardo, por conta dessa admiração mútua, deu liga. “É uma puta honra estar aqui. Hyldon, você é um mito, uma lenda. Momento fofo!“, Ana declarou ao fim do show.

Mais uma vez, o som vazado da Rock Street, que fica em frente ao Sunset, atrapalhou os momentos mais serenos da apresentação. A organização do Rock in Rio informa que não será possível resolver o problema nesta edição.

Roberta Pennafort, Agência Estado

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