Redação Pragmatismo
Homofobia 24/Aug/2017 às 14:04 COMENTÁRIOS

“Não sou obrigada a gostar de sapatão; voto no Bolsonaro”

Duas estudantes de 21 anos registram ataque homofóbico que sofreram de uma mulher e do seu marido: “Não sou obrigada a aguentar essa raça, a gostar de sapatão; voto no Bolsonaro”

obrigada a gostar de sapatão

Duas estudantes de 21 anos flagraram em vídeo (assista abaixo) parte de um ataque homofóbico sofrido por elas na cidade de Santos, litoral de São Paulo.

As imagens mostram uma mulher dizendo não ser “obrigada a gostar de sapatão” acompanhada por um homem que, segundo testemunhas, também agrediu verbalmente as jovens.

“A minha namorada foi parar o carro e esse casal, em outro veículo, na frente, começou a buzinar. Cabiam os dois carros nas vagas e não entendemos o motivo daquilo tudo”, relata uma das jovens.

Após ambos casais estacionarem os veículos, as estudantes relatam que o condutor, que antes buzinava, foi intimidá-las. “Ele chegou para a minha namorada e disse: ‘Você é bem folgada’. Daí, eu saí do carro perguntando o que estava acontecendo. Foi quando eu ouvi: ‘Chegou a namorada para te defender'”, afirma.

Com todos fora dos carros, a discussão começou. Os dois casais trocaram provocações, até que as meninas ouviram a mulher dizendo que “não era obrigada a aguentar essa raça”, e pediu para o marido “deixar essa sapatão”, para evitar alguma confusão maior. “Ele dizia para a gente: ‘Eu sou homofóbico'”, conta.

Diante da situação, a estudante começou a gravar o conflito pelo celular. “Eu queria que eles dissessem o que já tinham falado. Por isso, fui atrás e pedi para que eles repetissem. E aconteceu”, conta. “Não sou obrigada a gostar de sapatão”, fala a mulher no vídeo. “Voto no Bolsonaro”, finaliza o marido dela.

Cada casal seguiu caminho contrário em seguida. Após o ocorrido, na noite de terça-feira (22), a jovem postou um desabafo em uma rede social, que viralizou rapidamente. A intenção, segundo ela, que não esperava tanta repercussão, era poder “mostrar para os conhecidos que a homofobia realmente existe” nas ruas.

“Depois que tudo passou, eu sinto bastante revolta. O que é mais triste é que eu não me sinto surpresa. A gente sofre com isso homofobia sempre, mas foi a primeira vez com um casal mais velho, de senhores. Todas as vezes a gente deixa passar batido, mas agora foi diferente”, define a estudante.

As duas estão namorando há pouco mais de um ano. “Eu fico triste e decepcionada. A gente está na rua, ou algum lugar, já ouve esse tipo de coisa. A gente passa por essas coisas direto, infelizmente. Às vezes, a gente até vai preparada, sabendo que vai acontecer. Dessa vez, supreendeu”, complementou a namorada.

As jovens, que pediram para ter as identidades preservadas, ainda discutem se vão registrar um boletim de ocorrência na Polícia Civil sobre o episódio.

VÍDEO:

informações de G1

Acompanhe Pragmatismo Político no Twitter e no Facebook

Recomendados para você

Comentários