Redação Pragmatismo
EUA 28/Jul/2017 às 16:29 COMENTÁRIOS

Senado dos EUA mantém Obamacare e frustra Donald Trump

Em votação apertada (51 a 49), Senado dos EUA rejeita proposta de Donald Trump de acabar com o Obamacare. Derrota do presidente só foi possível porque três republicanos votaram pela manutenção do programa

senado eua obamacare frusta donald trump

Minados por divergências internas, os republicanos americanos fracassaram mais uma vez em sua tentativa de revogar a reforma de saúde de Barack Obama, aprovada em 2010.

Este foi mais um duro golpe para o presidente Donald Trump.

O momento decisivo da votação, que se prolongou até a madrugada desta sexta-feira (28), foi quando o senador John McCain, recentemente diagnosticado com um câncer no cérebro, aliou-se com duas republicanas moderadas e com todos os democratas na oposição à reforma do Obamacare. A medida foi rejeitada por 51 votos contra 49.

Três republicanos e 48 democratas falharam com o povo americano“, reagiu Trump no Twitter.

Como disse desde o início, vamos deixar que o Obamacare imploda. Depois negociaremos“, acrescentou.

Foi uma grande desilusão“, disse a seus colegas o líder da bancada republicana nessa Casa, Mitch McConnell, após uma das votações mais tensas dos últimos anos no Senado.

Lamento que nossos esforços tenham sido insuficientes desta vez“, desabafou.

O fracasso é um forte golpe para a liderança republicana e para Trump, que prometeu reiteradas vezes a revogação e a substituição do Affordable Care Act, lei conhecida como Obamacare, aprovada em 2010 pelo então presidente.

Última de uma série de esforços malsucedidos para acabar com a reforma, a votação desta sexta se referia a um projeto de lei em versão light, o qual eliminaria apenas algumas partes da legislação em vigor. Entre elas, a obrigação imposta a indivíduos e a empresas com mais de 50 funcionários de adquirirem um seguro de saúde, sob pena de pagar multa.

Com isso, os republicanos pretendiam construir uma base sobre a qual negociar com a Câmara de Representantes.

Essa “revogação de mínimos” parecia atender aos conservadores do partido. Agora, já são dois fracassos consecutivos no Senado.

Alguns republicanos – McCain entre eles – criticaram o projeto de lei, preocupando-se com que a Câmara baixa mudasse de opinião, aprovasse o projeto e o enviasse automaticamente para Trump. O presidente teria apenas de promulgar a lei.

Os republicanos controlam ambas as Casas do Congresso, mas contam apenas com 52 das 100 cadeiras do Senado. Assim, qualquer deserção é praticamente fatal.

O Escritório de Orçamento do Congresso (CBO, na sigla em inglês) analisou o projeto e chegou à conclusão de que, se a lei fosse aprovada, os valores dos seguros sofreriam um aumento de 20% ao ano. Além disso, 16 milhões de pessoas perderiam seu plano.

O presidente da Câmara de Representantes, Paul Ryan, chegou a declarar que a Casa estava disposta a negociar com o Senado, podendo, inclusive adiar a entrada em recesso. A promessa parece não ter sido suficiente para McCain.

Até o vice-presidente americano, Mike Pence, compareceu à sessão por volta da meia-noite. Em caso de empate (50-50), ele daria o voto de minerva. Não foi necessário. McCain não cedeu à pressão e votou contra, sob o aplauso de vários democratas.

Agora, temos de voltar ao modo correto de legislar e devolver o projeto ao comitê, realizar audiências, receber opiniões de ambos os lados, ouvir as recomendações dos governadores da nação e elaborar um projeto que finalmente ofereça cobertura de saúde acessível para o povo americano“, justificou McCain, em um comunicado.

– ‘Virar a página’ -“Não estamos celebrando. Estamos aliviados, porque milhões de pessoas poderão manter seu seguro de saúde“, afirmou o líder da bancada democrata, senador Chuck Schumer, admitindo, contudo, que o Obamacare precisa de melhorias.

Viremos a página e trabalhemos juntos para melhorar nosso sistema de saúde“, convocou.

Alguns republicanos se negavam a aceitar que as tentativas para derrogar a reforma de saúde tenham, enfim, se esgotado.

O jogo só acaba quando termina“, disse o senado John Kennedy à imprensa, ainda na expectativa de que o Congresso possa começar do zero.

Conseguir isso pode exigir, porém, muito tempo e menos partidarismo.

A última tentativa aconteceu por meio de um procedimento especial que requeria apenas maioria simples. Agora, é provável que qualquer novo plano precise de uma maioria de 60 votos. Neste caso, teriam de contar com apoio democrata.

Agência AFP

Acompanhe Pragmatismo Político no Twitter e no Facebook.

Recomendados para você

Comentários