Redação Pragmatismo
Direita 24/Jul/2017 às 11:17 COMENTÁRIOS

Integrantes do MBL ocupam cargos públicos pelo Brasil

Apesar do discurso contra o 'aparelhamento estatal', o 'inchaço da máquina' e o 'loteamento', levantamento revela que diversos membros do MBL, sobretudo as lideranças, estão ocupando cargos públicos pelo Brasil

MBL cargos públicos kim kataguiri
Coordenadores do MBL

Nesta segunda-feira (24), a Folha de S.Paulo apresenta um levantamento que aponta diversos integrantes do Movimento Brasil Livre (MBL) ocupando cargos públicos em inúmeras cidades brasileira.

O grupo, que se originou e ganhou forças com o discurso ‘contra o PT’ e a favor do impeachment de Dilma, sempre foi crítico ao que chamam de “aparelhamento estatal” e inchaço da máquina pública.

Em algumas publicações, o movimento já chegou a chamar professores de universidades públicas de ‘vagabundos’ e alega que quem trabalha no setor público está ‘mamando nas tetas do estado’.

O MBL também costumava vender a ideia de que era ‘apartidário’. No entanto, nas eleições municipais do ano passado, lançaram centenas de candidatos através de partidos como o DEM e o PSDB.

Abaixo, leia trechos da reportagem da Folha:

O banner de campanha dizia “candidato oficial: MBL 2016”. Hoje, o ex-candidato a vereador pelo DEM Ramiro Zinder está em uma diretoria na Secretaria de Turismo de Florianópolis.

Líderes do Movimento Brasil Livre na mobilização pelo impeachment de Dilma Rousseff, em 2016, vêm ganhando cargos comissionados em grandes cidades neste ano.

O grupo foi um dos principais articuladores dos protestos contra o PT a partir de 2015 e tem milhões de seguidores nas redes sociais. No ano passado, o MBL lançou integrantes pelo país na eleição e, em alguns municípios, apoiou candidatos a prefeito.

A reportagem identificou lideranças do movimento nos protestos nomeados para cargos também em Porto Alegre, Goiânia, Caxias do Sul (RS) e São José dos Campos (SP). Os indicados têm perfil jovem e de início na carreira pública.

Em Florianópolis, Zinder, 37, agradeceu ao MBL no Facebook por ter ajudado “a se tornar uma liderança política”. Ele fora nomeado, em fevereiro, para outro cargo, na pasta da Educação da gestão de Gean Loureiro (PMDB).

Na capital de Goiás, governada por Iris Rezende (PMDB), a indicação também foi de um candidato derrotado a vereador. Agora na presidência do Instituto de Previdência dos Servidores Municipais, com salário de mais de R$ 10 mil, Sílvio Fernandes (DEM) recebeu apoio dos coordenadores nacionais do MBL em um vídeo na véspera da eleição.

Em São José dos Campos, Sandro Mendes, nomeado assessor da Secretaria de Governança na gestão do tucano Felício Ramuth, chegou a ser acionado pela coligação do PT na Justiça Eleitoral por fazer, nas páginas do MBL local, “propaganda negativa”.

O advogado Lohan Fuly foi indicado para uma coordenadoria da Secretaria da Educação. Os dois fizeram postagens na página do movimento criticando a criação de cargos na Câmara Municipal.

Na capital gaúcha, Ramiro Rosário (PSDB), “candidato oficial” do movimento em 2016, se elegeu para a Câmara, mas hoje é secretário de Serviços Urbanos na administração do tucano Nelson Marchezan Jr. A porta-voz do MBL no Estado foi nomeada para a assessoria da secretaria.

Marchezan tem relação próxima com o movimento desde os protestos de 2015 e recebe apoio do grupo na internet.

VEJA TAMBÉM: Seguidores do MBL se dizem ‘traídos’ pelo movimento

Em Caxias do Sul, cidade governada pelo PRB, Rodrigo Ramos, ex-candidato do PR a vereador, assumiu cargo na Secretaria da Cultura.

O MBL diz que está presente em 170 cidades. O coordenador Kim Kataguiri afirma que as indicações foram “técnicas”, não políticas.

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