Redação Pragmatismo
Homofobia 24/Jul/2017 às 15:18 COMENTÁRIOS

Garçonete vítima de lesbofobia desabafa: “Me senti mal. Fiquei totalmente paralisada”

“Sapatão, saia da minha mesa!”. Casal descontrolado faz escândalo em restaurante. Eles queriam ser atendidos por uma “funcionária hétero”. Cena revoltou outros clientes do estabelecimento e deixou a garçonete abalada

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Juliana Aparecida Ribeiro da Silva (Reprodução)

Na última sexta-feira (22), uma garçonete do restaurante Chopp da Fábrica, em Belo Horizonte, foi vítima de discriminação por causa de sua orientação sexual enquanto trabalhava.

A produtora executiva Nathalia Trajano, cliente do bar, testemunhou tudo e publicou um relato sobre o caso no Facebook.

Segundo a publicação, ela e alguns amigos estavam no Chopp da Fábrica sendo muito bem atendidos. Em um determinado momento, quem lhes atendia informou que não atenderia mais, já que uma outra mesa pediu para a trocarem. O argumento usado pelo casal de clientes insatisfeito seria que não queriam ser atendidos por uma “sapatão”.

Assim que Nathalia e seus amigos tomaram conhecimento da situação, pediram para chamar o gerente da casa, que lhes informou que mesmo não concordando “não poderia fazer nada e tal”.

Quando os outros clientes da casa perceberam o que estava acontecendo, um clima de indignação se formou no local. O casal acusado de homofobia quando confrontado confirmou que não gostaria de ser atendido pela garçonete, por conta da orientação sexual dela.

A polícia foi chamada, porém quando os militares chegaram, o casal já havia deixado o local.

“Fiquei totalmente paralisada”

Em entrevista ao jornal Hoje em Dia, a garçonete Juliana Aparecida Ribeiro da Silva, de 33 anos, vítima do casal homofóbico, revelou que se sentiu mal e ficou totalmente paralisada com o incidente.

“Quando fui pegar a garrafa de cerveja na mesa do casal, o homem tomou da minha mão e disse que não queria que eu o atendesse. Ele [o homem] estava descontrolado e disse ‘saia da minha mesa’. Eu fiquei totalmente paralisada”, relatou.

Juliana conta que foi chamada pelo menos dez vezes de sapatão pelo casal antes deles se negarem a ser atendidos pela jovem. “Quando eu ouvia eles gritando ‘sapatão’, pensava que era outro assunto. Nem imaginava que pudesse ser comigo”, conta.

Após ouvir dos clientes que não queriam ser atendidos por uma “sapatão”, a profissional pediu ao gerente para que pudesse ficar por um tempo no segundo andar do estabelecimento. O objetivo era esperar a saída dos dois para depois voltar ao posto de trabalho.

“Eu não queria fazer nenhum tipo de bagunça porque gosto de trabalhar lá. O restaurante não tem culpa de ter chegado clientes com essa visão. Preferi me recolher. Mas me senti muito mal. Principalmente quando notei a proporção que tomou e vi a gravidade do que estava envolvida”, relata.

Casada há um ano e meio com uma moça que também trabalha como garçonete, Juliana se diz assustada com o quanto as pessoas estão ficando intolerantes.

Apesar de já ter sido ofendida outras vezes na rua, é a primeira que é vítima de preconceito em ambiente de trabalho. “Eu ando nas ruas e as pessoas me julgam pela minha aparência. Mas no trabalho eu nem imaginava. Fiquei sem reação e só conseguia pensar ‘não acredito que isso esteja acontecendo’”, diz.

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