Redação Pragmatismo
Mídia desonesta 18/Apr/2017 às 12:41 COMENTÁRIOS

Lista de Fachin revela obsessão do Jornal Nacional por Lula

Das 4 horas que o Jornal Nacional dedicou à lista de Edson Fachin desde que a relação foi divulgada, 33 minutos foram para o ex-presidente Lula (que sequer integra a lista), revela levantamento. Dilma é a segunda que mais recebeu holofotes do telejornal da Globo

Jornal Nacional Bonner Lula Fachin
Lista de Fachin tem 108 nomes. Até agora, Jornal Nacional apresentou 4 horas de reportagens sobre a pauta. Mais de 30 minutos foram dedicados à Lula

Divulgada há uma semana, a lista de Edson Fachin tem sido uma das pautas mais recorrentes na imprensa nacional.

O ministro do STF, delator da Lava Jato na Suprema Corte, autorizou abertura de inquérito contra 108 pessoas (confira a íntegra da lista aqui).

Na relação aparecem nomes poderosos da política brasileira, como Aécio Neves (PSDB), Renan Calheiros (PMDB), Cássio Cunha Lima (PSDB) e Romero Jucá (PMDB).

Os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal também integram a lista, que apresenta ainda governadores e ministros do atual governo.

Lula e Dilma, por não gozarem de foro privilegiado, não constam na relação do ministro do STF. No entanto, seus nomes são os campeões de citações no Jornal Nacional quando a pauta é ‘lista de Fachin’.

Segundo levantamento realizado pelo portal Poder 360, das 4 horas, 3 minutos e 48 segundos de reportagens sobre a lista de Fachin, o ex-presidente Lula é o político mais mencionado por William Bonner, Renata Vasconcellos e repórteres da Globo: foram 33min32seg. Dilma Rousseff surge em seguida com 18min07s.

Embora seja o político que enfrenta o maior número de inquéritos na lista de Fachin, Aécio Neves só aparece em 3º lugar nas citações do JN, com 16min27seg, metade do tempo dedicado a Lula.

Abaixo, confira os nomes mais citados pelo Jornal Nacional desde a divulgação da lista de Edson Fachin:

1. Lula (PT) — 33min
2. Dilma (PT) — 18min
3. Aécio (PSDB) — 16min
4. José Serra (PSDB) — 9min
5. Jaques Wagner (PT) — 7min
6. Aldemir Bendine (PT) — 7min
7. Michel Temer (PMDB) — 5min
8. Geraldo Alckmin (PSDB) — 4min
9. José Sarney (PMDB) — 4min
10. Guido Mantega e Palocci (PT) — 3min
11. Lindebergh Farias (PT) — 3min
12. Romero Jucá (PMDB) — 3min
13. Eliseu Padilha (PMDB) — 2min
14. Eduardo Paes (PMDB) — 2min
15. Fernando Henrique Cardoso (PSDB) — 2min
16. Gilberto Kassab (PSD) — 2min
17. Fernando Pimentel (PT) — 2min
18. Renan Calheiros (PMDB) — 1min
19. Sérgio Cabral (PMDB) — 1min
20. ACM Neto (DEM) — 1min

Veja a íntegra do levantamento aqui.

‘Perseguição’

O Instituto Lula divulgou nota de repúdio à perseguição promovida pela Globo contra o ex-presidente. Confira trechos a seguir:

O ex-presidente Lula está mais uma vez no centro de intenso bombardeio midiático. Na liderança do ataque, o Jornal Nacional da Rede Globo divulgou mais de 30 minutos de noticiário negativo em apenas 4 edições. Como vem ocorrendo há mais de dois anos, Lula é alvo de acusações frívolas e ilações que, apesar da virulência dos acusadores, não apontam qualquer conduta ilegal ou amparada em provas. Desta vez, no entanto, além de tentar incriminar Lula à força, há um esforço deliberado de reescrever a biografia do maior líder popular da história do Brasil.

São políticas públicas transparentes que beneficiaram o Brasil como um todo – não apenas esta ou aquela empresa – como a adoção de conteúdo nacional nas compras da Petrobras, a construção de usinas e integração do sistema elétrico, o financiamento da agricultura, o apoio às regiões Norte e Nordeste, a ampliação do crédito a valorização do salário e as transferências de renda que promoveram o consumo e dinamizaram a economia, multiplicando por quatro o PIB do país.

Estas políticas não foram adotadas em troca de supostos benefícios pessoais, como querem os falsificadores da história. Elas resultaram do compromisso do ex-presidente Lula de proporcionar uma vida mais digna a milhões de brasileiros.

Por isso Lula deixou o governo com 87% de aprovação e é apontado pela grade maioria como o melhor presidente de todos os tempos. É contra esse reconhecimento popular que tentam criar um falso Lula, apelando para o preconceito e até para supostas opiniões de quem chefiou a ditadura, de quem mandou prender Lula por lutar pela democracia e pelos direitos dos trabalhadores.

No verdadeiro frenesi provocado pela edição dos depoimentos da Odebrecht, é preciso lembrar que estes e outros delatores da Lava Jato foram pressionados a apresentar versões que comprometessem Lula. Mas tudo o que apresentaram, antes e agora, são ilações sem provas.

E é preciso lembrar também que essa teia de mentiras está sendo lançada contra Lula às vésperas do julgamento de uma ação na Vara da Lava Jato que pretende condená-lo não apenas sem provas, mas contra todas as provas testemunhais e documentais de sua inocência.

E lembrar ainda que o novo bombardeio de mídia foi deflagrado no momento em que, mesmo não sendo candidato, Lula é apontado crescentemente nas pesquisas como o favorito para as eleições presidenciais.

Por tudo isso, é necessário analisar cada uma das ilações apresentadas, para desfazer cada fio dessa a teia de mentiras.

Há algum ato ilegal de Lula relatado na delação da Odebrecht?

Não há. Delações não são provas, mas informações prestadas por réus confessos que apenas podem dar origem a uma investigação. A legislação brasileira proíbe expressamente condenações baseadas somente em delações, negociadas em troca da obtenção de benefícios penais por réus confessos. As delações devem ser investigadas e os depoimentos de delatores expostos ao questionamento dos advogados de defesa. Por enquanto, o que existe, são depoimentos feitos aos procuradores, a acusação, divulgados de forma espetacular antes dos advogados terem acesso a eles.

No passado, depoimentos divulgados de forma semelhante – como os de Paulo Roberto da Costa, Nestor Cerveró e Delcídio do Amaral – quando confrontados com depoimentos em juízo dos mesmos colaboradores não revelaram qualquer crime ou prova contra o ex-presidente Lula.

É parte da estratégia de lawfare e uso da opinião pública da Lava Jato, teorizada por Sérgio Moro em artigo de 2004, “deslegitimar o sistema político” usando a mídia, e destruir a imagem pública dos seus alvos para substituir o devido processo legal pela difamação midiática.

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