Redação Pragmatismo
Educação 05/Apr/2017 às 10:26
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Fernando Holiday está invadindo escolas públicas em São Paulo

O vereador Fernando Holiday tem invadido escolas públicas em São Paulo de forma ilegal e com caráter policialesco. Educadores reclamam de assédio, censura e relatam tentativas de entrar à força em salas de aula. Ministério Público foi acionado

fernando holiday invade escolas

O vereador Fernando Holiday (DEM), representante do Movimento Brasil Livre (MBL), está visitando ilegalmente escolas municipais para “fiscalizar” os conteúdos desenvolvidos em sala de aula, sob o pretexto de estar investigando “doutrinação ideológica“. O vereador foi às EMEFs Laerte Ramos e Constelação do Índio, ambas localizadas na zona sul.

De acordo com o deputado estadual Carlos Giannazi (Psol), membro titular da Comissão de Educação da Assembleia Legislativa, o mandato de vereador não dá a Holiday prerrogativa para entrar em escolas e fazer inspeção dos conteúdos lecionados.

A atitude dele é ilegal. Ele não tem essa prerrogativa, como vereador, para fiscalizar a metodologia dos professores. Isso é abuso de autoridade, além de assediar e constranger os funcionários das escolas“, diz o parlamentar.

Foram protocoladas representações no Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e na Corregedoria da Câmara Municipal contra o vereador do MBL.

Ele não é supervisor de ensino, ele não tem formação para isso. O máximo que ele pode fazer é fiscalizar a estrutura física (da escola). Ele deveria se ocupar em denunciar o desmantelamento das salas de informática e brinquedotecas que o Doria está fechando. A atitude dele é grave. Ele utiliza o cargo para um comportamento ilícito, é quebra de decoro e pode perder o mandato“, completou Giannazi.

Para o deputado estadual, Holiday busca por em prática o projeto Escola sem Partido. “Ele tenta colocar em prática, sem nenhuma legalidade, o Escola sem Partido e amordaçar os professores. Nem o próprio projeto autoriza o vereador a fazer essa fiscalização. Ele está sendo até mais realista que o projeto.”

Inúmeros professores já denunciaram o vereador por tentar entrar à força em salas de aula.

Estranho. Totalmente sem agendamento com a direção da escola, nem com a supervisão de ensino. Ocorreu por volta das 13:00. O vereador foi atendido pelo diretor e pelo assistente de direção da EMEF e exigiu ver os planos de aulas dos professores para saber o que anda sendo ensinado, bem como rondou as dependências da escola com seus assessores, fotografando os trabalhos realizados pelos alunos. Todos os professores e a gestão da escola acharam extremamente estranho. Suspeitamos de patrulhamento ideológico visto que nossa unidade tem projetos voltados à discussão de gênero e direitos humanos, além de ser uma escola abertamente de luta contra as pautas político-trabalhistas dos governos federal, estadual e municipal”, disse um professor da EMEF Constelação do Índio.

A vereadora Sâmia Bonfim (Psol) também se posicionou:

Em nota, o Sindicato dos Profissionais em Educação no Ensino Municipal de São Paulo (Sinpeem) afirma que Fernando Holiday assediou moralmente os docentes e cometeu crime de abuso de poder e autoridade.

O vereador sabe, ou pelo menos deveria saber, que não possui prerrogativas para exercer o papel de polícia política. Não cabe a ele também investigar o desenvolvimento de conteúdos curriculares e metodologias utilizados pelos educadores“, diz o texto.

O Sinpeem também indicou às escolas municipais para que “não se submetam ao arbítrio deste ou de qualquer outro vereador, fazendo valer e defendendo os direitos dos educadores“.

Secretário de Doria critica Holiday

O secretário de Educação da Gestão de João Doria (PSDB), Alexandre Schneider, acusou o vereador Fernando Holiday de ter intimidado professores durante visitas a escolas públicas de São Paulo para fiscalizar supostos casos de “doutrinação ideológica“.

Em nota publicada no Facebook nesta terça-feira, dia 4, Schneider defendeu que o integrante do MBL usou seu mandato para intimidar os professores. “Evidentemente o vereador exacerbou suas funções e não pode usar de seu mandato para intimidar professores“, disse o secretário.

A escola, como qualquer organização social, pública ou privada, não é nem nunca será um espaço neutro. A escola pública, laica, plural, não deve ser espaço de proselitismo de qualquer espécie“, completou.

VÍDEO:

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