Redação Pragmatismo
Juristas 21/Mar/2017 às 15:23 COMENTÁRIOS

Sergio Moro faz política nas redes sociais e descobre que não é unanimidade

Sergio Moro grava vídeo para agradecer curtidas na página que sua esposa criou para homenageá-lo no Facebook. Tom político da fala do juiz foi criticado por muitos internautas. Chefe da Lava Jato chegou a dizer que suas ações têm apoio da totalidade da população brasileira

sergio moro grava vídeo unanimidade

Sergio Moro gravou um vídeo [ver abaixo] no último domingo (19) para celebrar o primeiro aniversário da página Eu MORO Com Ele, criada no Facebook pela mulher do magistrado, Rosângela Moro.

O juiz também agradece o fato de suas ações como chefe da Lava Jato estarem respaldadas pelo apoio popular “da “grande maioria dos brasileiros, ou talvez da totalidade da população”.

Moro recebeu muitas manifestações de apoio após divulgar a mensagem. Mas, diferente do que imaginava, a sua fala foi duramente criticada por outros milhares de internautas na própria página onde o vídeo foi publicado.

Confira alguns comentários:

A função do juiz é a de ter conduta técnica. Agir no processo dentro das limitações que o compete. Juiz é servidor público com compromisso com a verdade factual. Ao contrário de países anglo-saxões, cujo magistrado é escolhido por sua comunidade, no Brasil, o ingresso se faz por concurso, assim, o Sr. Moro não necessita de apoio popular. Ao dizer isso confunde sua imagem com a de um político. E, realmente, é o que temos visto em todas as suas aparições: um juiz “pop”, não por seguir as orientações processuais, mas por se colocar o tempo todo como um político.
Aliás, o que é esta página? Quantos magistrados possuem páginas com o intuito de promover-se publicamente?

[…]

Falta seriedade. Um juiz tão sem noção quanto cínico. Investigação seletiva, não age como juiz, persegue inocentes, tortura e chantageia os delatores.

[…]

Um verdadeiro JUIZ é imparcial, isento. Não deve acusar, mas apenas julgar e com base nas provas dos autos, nas leis, na Constituição. E não de acordo com os nomes das partes, com o partido. Evidente que “sua excelência” está a anos-luz disso. Enfim, é um EXEMPLO, exemplo de tudo o que não se deve fazer como juiz e nem mesmo como ser humano, pois prender, condenar inocentes não é coisa de “gente”.

[…]

Um Juiz! O que é um Juiz? Nada mais que um servidor público. Sua função é a administração da Justiça, com imparcialidade, impessoalidade e obedecendo aos preceitos legais. Infelizmente o juiz Moro, está bem distante disso.

[…]

Eu gosto é quando ele sai do papel de juiz e ocupa o lugar de promotor nos interrogatórios, isso é muito lindo de se ver, essa nova modalidade de juízes

[…]

Sai fora Babão de Aécio Neves e capacho do PSDB. Desempregou todos os trabalhadores da Indústria Naval brasileira. Cão de guarda dos EUA.

[…]

Gosto de lembrar da lavada que você tomou na mesa do Congresso de Direito Constitucional em maio do ano passado em Curitiba! As falas que antecederam a sua foram grandiosas. A sua, medíocre.

[…]

Por que vc não foi à cidade de Monteiro? Vc veria o que é o verdadeiro apoio do povo.

[…]

Quer se dedicar à política? Dedique-se! Mas deixe de usar o cargo de juiz pra fazer Lawfare.

[…]

Só se for apoiado pela totalidade de filiados ao PSDB, 3 anos e não investigou nenhum tucano

[…]

Prende a mulher do Cunha. Dr., vc a conhece? Já ouviu falar de um partido chamado PSDB?

[…]

V.Exa. é tão popular, que tal visitar Monteiro, na Paraíba? Vá sem segurança.

[…]

Ele é um juiz, inquisidor ou político. Ele não deveria ser imparcial? Precisa do apoio da população pra quê? Necessita da aprovação da população? Quem é você, um homem ou um rato?

“Eu Moro com ele”

A página ‘Eu Moro com Ele’ foi criada em março de 2016, na mesma época que Sérgio Moro retirou o sigilo de uma série de interceptações telefônicas do ex-presidente Lula e divulgou o teor das conversas, entre as quais o diálogo de Lula com a ex-presidente Dilma.

Em maio do mesmo ano, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki, morto em um acidente aéreo no dia 19 de janeiro de 2017, anulou a validade jurídica da escuta, e considerou que o magistrado não tinha competência para analisar o material. Além disso, o ministro considerou irregular a divulgação das conversas.

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