Redação Pragmatismo
Homofobia 15/Mar/2017 às 12:02 COMENTÁRIOS

Deputado brasileiro diz que fez estudo profundo e descobriu que o Mickey é gay

Deputado federal afirma que Mickey Mouse é homossexual, está destruindo famílias e precisa ser boicotado. O parlamentar se irritou quando questionado sobre como o personagem poderia ser gay, se namora com a Minnie

deputado Victório Galli mickey gay disney
O deputado federal Victório Galli (PSC-MT) é também pastor evangélico da Assembleia de Deus

O deputado federal Victório Galli (PSC-MT) iniciou uma campanha nas redes sociais pedindo boicote aos desenhos da Disney e, sobretudo, ao quase centenário Mickey Mouse.

De acordo com o parlamentar, que também é pastor evangélico, o personagem, criado em 1928 por Walt Disney, é gay e faz apologia à homossexualidade.

Nas redes sociais, Victório publicou uma imagem em que Jesus Cristo aparece ‘protegendo’ uma criança do Mickey, acompanhada da seguinte legenda: “Pare! Não mexa com os meus pequeninos!”.

Em recente entrevista à Rádio Capital, de Cuiabá, Victório alega ter feito estudos profundos para concluir o que defende. “A gente vê que eles [Disney e Mickey] fazem apologia ao homossexualismo. Em todas as situações. Inclusive o Mickey, se você fizer um estudo profundo como eu já fiz, ele é homossexual. Há uma mensagem subliminar para enganar as crianças”

O jornalista da rádio então perguntou como o Mickey poderia ser homossexual se namora com a Minnie. “Isso é o que eles fazem para enganar a pessoa. O objetivo é destruir famílias”, disse. E continuou: “O próprio nome dele em relação aos exemplos que fazem, as cores, assim por diante, você vê uma mensagem subliminar que ele está fazendo uma apologia e apoiando a questão gay.”

O repórter insiste, pedindo exemplos mais claros de que o Mickey seria gay. “Eu não tenho aqui em mãos, como passar os pontos nesse sentido. Mas a mensagem, a forma como se coloca, de transmitir a linguagem para nossas crianças, tudo leva nesse sentido”, tentou justificar o deputado, alterando o tom de voz.

Ainda de acordo com o deputado, não é apenas o Mickey que é gay. “Outro filme que faz apologia ao gayzismo é aquele o Rei Leão […] É na questão que o rei leão deveria ser um animal feroz, de transmitir respeito aos outros animais, ele se torna um animalzinho frágil, que carece de proteção dos outros”, diz.

O deputado alerta que esses personagens estão acabando com a ‘família tradicional’ e volta a tocar no ponto em que fez um ‘estudo’ sobre isso, sem jamais apresentar nada. “Eles estão denegrindo a família tradicional, isso é patente, é só você fazer um estudo que você vai descobrir isso”.

Questionado sobre qual seria o problema se os personagens fossem, realmente, homossexuais, o parlamentar responde: “Para quem defende a família tradicional, é fator negativo. Eu não sou contra ninguém ser gay, meu filho, eu não sou contra ninguém ser lésbica. Eu não sou contra um barbudo viver como casado com outro barbudo, uma cara lisa viver como casada com outra cara lisa, tirando a natureza do homem e da mulher, desde que a pessoa tenha mais de 18 anos, faça isso entre quatro paredes”.

Por fim, Victório Galli diz que por trás de tudo está a “agenda da militância marxista mundial”.]

Victório Galli

Victório Galli foi eleito em 2014 para o seu primeiro mandato como deputado federal. Sua trajetória política teve início dentro da igreja, na coordenação política da Assembleia de Deus, em 1998.

Em 2006, candidatou-se pela primeira vez a deputado federal pelo PMDB e acabou ficando na primeira suplência. Assumiu o mandato temporariamente por duas vezes.

Em 2010, novamente foi eleito para a suplência na Câmara dos Deputados, tendo assumido o mandato temporariamente por mais uma oportunidade.

Em 2011, deixou o PMDB após 28 anos de filiação e passou a coordenar o PSC em Mato Grosso. Na última eleição, foi o penúltimo em votos no estado para uma vaga na Câmara Federal.

Victório é defensor do projeto de lei que prevê a possibilidade de líderes religiosos questionarem e criticarem a homossexualidade sem estarem sujeitos a penalidades por homofobia.

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