Redação Pragmatismo
Saúde 29/Mar/2017 às 15:29 COMENTÁRIOS

Brasileiro que perdeu 45% do cérebro retorna à vida

Brasileiro que perdeu 45% do cérebro retornou à vida com consciência após 60 dias em coma. Médicos diziam que seu quadro era praticamente irreversível. Conheça a trajetória de reabilitação de Caio Branco

Caio Branco cérebro recuperação
Caio Branco sofreu um grave acidente de moto no ano passado e se recupera de maneira aguerrida, superando todos os prognósticos

“Deixa eu contar um pouco da história: estava alcoolizado e decidi pegar a minha moto pra ir numa festa. Bati num táxi e voei. O capacete saiu na hora. Bati a cabeça na guia. Resultado: traumatismo Cranioencefálico. Fiquei 60 dias em coma. Não consegui enxergar nem ouvir nada. Passei 2 meses sonhando. […] Então, já sabem né, jamais dirijam alcoolizados. Acreditem, o arrependimento é enorme!”

O relato acima foi divulgado recentemente nas redes sociais por Caio Branco, jovem que quase perdeu a vida e se recupera de um acidente que os médicos diziam ser irreversível.

Em julho do ano passado, ele havia ingerido bebida alcoólica e decidiu encontrar os amigos em uma festa. Não chegou até o destino final.

Apesar de ter sido diagnosticado com um Traumatismo Cranioencefálico Hemorrágico e perder 45% do seu cérebro após colidir violentamente, Caio sobreviveu.

No hospital, chegou ao extremo de ter sua vida contabilizada em horas, com apenas 3% de chances de sobreviver.

Segundo contou a mãe do jovem ao site HuffPost Brasil, os médicos diziam que o estado de Caio era irremediável e que ele “vegetaria”, mas ela não perdeu as esperanças.

“A história do Caio é uma história de força. Quando eu cheguei ao hospital, os médicos me disseram que ele tinha apenas 3% de chances de sobreviver ao acidente. Eu fiquei em choque. No mesmo momento, uma amiga me pediu para que eu a acompanhasse em uma igreja. Eu, que nunca havia prestado tanta atenção nessas coisas, cheguei lá e presenciei o casamento de um senhor de 87 anos com uma senhora de 85 anos. Eu senti o poder da vida e pedi para que meu filho tivesse outra chance”, contou Marcia Branco.

“Foi a primeira vez que eu senti o que era ter fé. A cada cirurgia, tudo o que eu ouvia era que talvez ele não sobrevivesse. Eu ficava calada. Ele estava em coma, mas eu punha meditação e conversava com ele. Eu tinha a impressão de que ele não queria voltar porque ia ser muito difícil”, continuou.

Os dias foram passando, e o estado de Caio permanecia sem perspectivas de melhoras. Um dos médicos do hospital chegou a estimar que ele poderia ficar, pelo menos, seis meses desacordado e que era chegada a hora de retirá-lo da UTI. Ele enfrentaria uma vida sem vida.

“No dia anterior à mudança, eu passei a madrugada com ele. Voltei a conversar, pedi para ele acordar e coloquei a meditação para ele ouvir. Pode parecer impressionante, mas eu senti que ele estava voltando. Ele começou a mexer os olhos e a mão. Eu chamei os enfermeiros, mas eles disseram que era impressão minha. Então eu resolvi filmar os movimentos tímidos do meu filho”, disse Marcia.

Recuperação

Mesmo após acordar do coma, Caio continuou tendo um péssimo prognóstico. Ele emagreceu mais de 20 quilos, não falava, não respirava sozinho, teve hemorragias nos olhos e não se movimentava.

Foi nesse momento que a jornada de Marcia Branco chegou a uma nova fase. Mãe de um garoto que perdeu 45% de seu cérebro, comprometendo todas as atividades do lado esquerdo de seu corpo, ela buscava informações sobre o funcionamento e a recuperação dos neurônios humano.

Caio deixou o hospital em novembro de 2016. Depois de passar por uma cirurgia de reconstrução da calota craniana, ele começou o processo de reabilitação em fevereiro de 2017 na Rede Lucy Montoro.

“Desde que ele saiu do hospital, o trabalho é com ele. Ele tem uma força de vontade enorme. O melhor lugar do mundo é ao lado dele. Ele chegou zerado na reabilitação, era um morto-vivo. Ver ele hoje é de se admirar com a sua superação”, conta a mãe, orgulhosa.

De acordo com o médico André Sugawara, a reabilitação envolve não só o paciente, mas todas as pessoas em seu entorno. “Não adianta terceirizar a recuperação ao terapeuta, é preciso do apoio e da dedicação dos familiares para que o paciente tenha um melhor desempenho”, argumenta.

Uma pessoa em processo de reabilitação precisa ser provocada, desafiada e estimulada, respeitando-se os próprios limites.

Desde que começou a participar da reabilitação, Caio criou a página “Caio na Real” no Facebook para compartilhar sua história e seus avanços.

“Ele escreve o que ele está pensando, conversa, organiza a vida dele. Ele está pesquisando a história do cérebro. O propósito dele é contar o que é a neuroplasticidade para as pessoas. É ser a testemunha de uma pessoa que perdeu metade do cerébro e está lúcido… Eu jamais esperava que ele fosse estar vivo, ou que ele se recuperasse. Ele sempre foi muito focado, mas dessa maneira eu nunca imaginei. Os médicos falavam das dificuldades e ele não ligava para isso. Ele saiu de uma semi-vida e hoje está ai, vivendo um dia após o outro”, disse a mãe de Caio.

Marcia conta que o filho teve que ter paciência para reaprender e para isso ele tem uma técnica especial: antes de tentar fazer qualquer coisa, ele imagina e mentaliza cada movimento.

Se quer se alimentar sozinho, ele busca na memória como era a sensação de segurar os talheres, qual a força que ele utilizava em suas mãos para dominar o garfo e a faca, ou até mesmo o que ele sentia após uma boa refeição.

Para acompanhar o dia a dia da recuperação de Caio, acesse aqui sua página no Facebook.

as informações são de Ana Beatriz Rosa, HuffPost Brasil

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