Redação Pragmatismo
Saúde 12/Jan/2017 às 11:03 COMENTÁRIOS

Misteriosa doença da urina preta faz 2ª vítima fatal na Bahia

Morre segunda pessoa com doença que deixa a urina preta na Bahia; amostras foram enviadas para laboratório em São Paulo e também nos EUA. Confira o que se sabe até agora sobre a misteriosa enfermidade

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Foi confirmada nesta quarta-feira (11) a morte de uma segunda pessoa que estava com sintomas da doença misteriosa que provoca dor muscular intensa e deixa a urina preta. As informações são da Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab).

De acordo com o órgão, a segunda vítima foi também um homem, que não teve nome e idade divulgados.

Os quadros investigados estão sendo tratados como “mialgia [dor] aguda a esclarecer”, pois ainda não há informações sobre as causas da doença.

Conforme a Sesab, além dos sintomas da mialgia, a primeira vítima (homem de 31 anos) apresentava outros problemas de saúde, entre eles hipertensão.

Ainda segundo a Secretaria de Saúde de Salvador, exames feitos na água que abastece a capital descartaram contaminação.

“A higiene pessoal, o cuidado com os alimentos e a busca por uma unidade de saúde nos primeiros sintomas é a recomendação que nós fazemos para a população neste momento”, disse a coordenadora da vigilância epidemiológica de Salvador, Isabel Guimarães.

O que se sabe sobre a doença?

Sintomas. Os principais sintomas são dor muscular extrema, insuficiência renal e urina da cor preta. De acordo com o infectologista Antônio Bandeira, que acompanhou alguns dos casos em Salvador, é como se o indivíduo tivesse feito uma maratona em poucos segundos. “É uma lesão muscular aguda, então a quantidade de mioglobina que está dentro do músculo acaba saindo e vai para a urina. Ela acaba dando essa cor de Coca-Cola. Esse pigmento também tem uma ação nefrotóxica (tóxica para os rins)”, explicou. A manifestação dos sintomas se assemelha a pequenos surtos ocorridos no exterior, como no Japão, entre 2008 e 2014, na França, entre 2008 e 2010, e na Dinamarca, em 2014.

Casos. Todos os casos foram registrados na região metropolitana de Salvador. Além da morte em Vera Cruz, outro caso foi notificado em Lauro de Freitas, e 50 ocorreram na capital baiana. Os registros foram contabilizados de 14 de dezembro a 5 de janeiro deste ano.

Investigação. Amostras de fezes de nove pacientes foram encaminhadas para o Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), no Rio de Janeiro. O órgão é referência na análise de amostras para identificar novas doenças. As análises estão em andamento, mas o instituto pediu mais amostras de soro e de urina para continuar a investigação. Não há um prazo para a entrega do laudo. De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde da Bahia, 44 pacientes tiveram resultado negativo para infecção bacteriana. Há, ainda, a suspeita de que peixes consumidos na região tenham causado intoxicação. Por isso, amostras consumidas por pessoas acometidas pela doença foram encaminhadas para o Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo, e para um laboratório dos Estados Unidos.

Tratamento. Como não há uma confirmação das causas, o tratamento é feito com hidratação e analgésico. É importante que o paciente não tome anti-inflamatório para não piorar a situação dos rins. O tempo para um quadro um pouco mais suave dos sintomas varia de três dias até uma semana.

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