Redação Pragmatismo
Tragédia 01/Dec/2016 às 17:56 COMENTÁRIOS

Especialista explica procedimento que salvou tripulante em voo da Chapecoense

Especialista em acidentes aéreos explica procedimento que salvou sobrevivente no trágico voo da Chapecoense: "Não é teatrinho. Saber o que fazer em um momento tão complicado foi a diferença entre a vida e a morte para Erwin Tumiri"

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Por que o técnico de voo Erwin Tumiri sobreviveu ao trágico acidente com o avião da Chapecoense sem maiores ferimentos ou lesões graves? Além da sorte, sua sobrevivência está provavelmente ligada ao cumprimento das regras de segurança em uma aeronave.

O boliviano se encontra fora de perigo e, ainda na terça-feira, disse em entrevista à Rádio Caracol, de Medellín, que só está vivo por ter seguido o protocolo. Ele assumiu uma das posições de impacto recomendadas para casos de quedas ou pousos em situações complicadas.

As informações sobre o que fazer em caso de um acidente de avião estão à disposição de todos os passageiros, nos cartões de segurança localizados nos assentos dos aviões.

De acordo com o comandante Carlos Camacho, especialista em acidentes aéreos, saber o procedimento em um momento tão complicado foi a diferença entre a vida e a morte para Tumiri.

“Você tem de seguir os procedimentos determinados pela equipe de comissários. Colocar a cabeça entre as pernas, não segurar objetos, se afastar de qualquer coisa cortante. O protocolo não existe simplesmente para criar um teatrinho no avião. É extremamente importante. E foi o responsável pela sobrevivência dele”, afirma.

Camacho explicou que, caso um passageiro não assuma a posição de impacto em caso de acidente, pode ter problemas graves de saúde mesmo se o avião ficar intacto após a queda.

“Se você não está sentado com a cabeça entre as pernas, sofre o “efeito chicote”, que pode danificar a coluna na hora, ou também pode bater a cabeça no banco da frente, principalmente pela distância pequena entre os bancos. É essencial”, disse o comandante.

Sobrevivente de 1958

Hoje aos 84 anos, Harry Gregg é um sobrevivente do voo de 1958 que matou mais de 20 pessoas, entre elas oito jogadores do clube inglês Manchester United. Gregg era goleiro da equipe histórica.

Emocionado com o acidente da Chapecoense, o ex-goleiro lembra que, já naquela época, a posição que adotou durante a queda do avião pode ter sido responsável por salvar a sua vida.

“Eu me lembro que nevava bastante e duas tentativas de decolagem foram frustradas. Na terceira, eu pressenti que algo aconteceria. Desafivelei o cinto da calça, abri botões da camisa e me abaixei no assento. Fiquei nessa posição e foi a primeira vez que fiz algo certo na vida… Curioso que ainda me lembro ter pensado: ‘eu vou morrer aqui. Nunca mais vou ver a minha mulher, minha filha que era uma criança e, se me ferir, nem sei falar alemão!'”, diz.

Posição de sobrevivência

Os momentos mais críticos durante um voo são os três minutos após a decolagem e os oito minutos antes do pouso. Em caso de manobras críticas e pouso forçado, posicione as suas mãos cruzadas sobre a poltrona da frente e apoie a testa nas mãos. Caso não exista nenhum assento à sua frente, deite-se sobre as pernas e abrace-as, mantendo a cabeça baixa.

Durante o momento crítico, os pés devem ficar ao máximo para trás, pois, no caso de um impacto, ajudaria a prevenir canelas e pés sendo quebrado contra a base do assento à frente, o que também atrapalharia uma possível evacuação.

Tumiri foi o único dos sobreviventes a dar entrevistas até agora sobre o acidente. Os jogadores Alan Ruschel, Follmann e Neto, o jornalista Rafael Henzel e a comissária Ximena Suárez seguem internados em hospitais de Medellín.

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