Redação Pragmatismo
Senado Federal 06/Dez/2016 às 17:18 COMENTÁRIOS
Senado Federal

A guerra de egos por trás do afastamento de Renan Calheiros

Publicado em 06 Dez, 2016 às 17h18

Bastidores do afastamento de Renan Calheiros da Presidência do Senado indicam cenário de articulações políticas, jogo de interesses e guerra de egos entre ministros do STF

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(Imagem: ministros do STF se dirigem ao plenário da Suprema Corte)

por Pedro Abramovay, via Facebook

Ficamos falando de Direito Constitucional/Ciência Política, mas desconfio que para entender a decisão do afastamento de Renan Calheiros (concordando-se ou não com ela) é preciso ler mais Freud que Montesquieu.

Uma pessoa que fala regularmente com ministros do STF me fez a seguinte análise que explica bastante da briga de egos por trás da decisão do ministro Marco Aurélio Mello:

Em dezembro de 2015, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu o afastamento de Eduardo Cunha. O ministro Teori Zavascki tinha ali todos os elementos para fazê-lo.

Alguns ministros do STF pressionaram ele naquele momento. Uns para afastar e outros para não afastar. Ele decidiu dar tempo de defesa ao Cunha. Esse tempo jogou a decisão para 2016.

Nesse período, o foco mudou de Cunha para Dilma. Alguns ministros acharam absurdo que Teori não decidisse o caso. Outros, particularmente Gilmar, pressionaram para que Teori não interferisse no processo de impeachment.

Teori confidenciou a amigos que não se sentia à vontade para interferir no processo e adiou a decisão.

Em maio, já com Dilma afastada, Cunha parecia fundamental para Temer. Mais uma vez, então, Gilmar articula com Teori contra o afastamento. Mas a REDE (com os ex-sócios de Barroso — que, por isso, se declarou impedido na ação, o que reforçou para Gilmar a tese de que Barroso teria articulado essa estratégia) entrou com uma ADPF para pedir que réus não pudessem estar na linha sucessória, o que afastaria Cunha.

A ação cai com Marco Aurélio. Barroso e Fachin vão até Teori e dizem: é melhor você afastar logo porque o Marco Aurélio vai dar esse afastamento e você vai ficar como a pessoa que segurou esse processo.

Lewandowski, a pedido de Marco Aurélio pauta o processo. Teori, um tanto a contra-gosto decide sozinho, naquela manhã, afastar Cunha. O voto é unânime em função do peso da opinião publica. Mas Gilmar e Toffoli ficam bravos com a articulacao.

A retaliação vem no momento em que a ADPF sobre réus na linha sucessória finalmente é julgada. Após seis votos favoráveis (Gilmar nem estava nessa sessão) Toffoli pediu vista e segurou o processo. Irritou Marco Aurélio.

Ontem Marco Aurélio deu o troco. E virou o herói que queria ter sido com a decisão de Cunha.”

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