Redação Pragmatismo
Internet 04/Nov/2016 às 15:56 COMENTÁRIOS

Os três intelectuais progressistas brasileiros que ganharam as redes sociais

Clóvis de Barros Filho, Mario Sergio Cortella e Leandro Karnal: presentes em eventos internacionais, três intelectuais brasileiros mobilizam as redes sociais e conseguem convidar os jovens a refletirem sobre política, cotidiano e educação. Conheça mais sobre cada um deles

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Clóvis de Barros Filho, Mario Sergio Cortella e Leandro Karnal (Imagem: Pragmatismo Político)

Pedro Zambarda de Araujo, DCM

Antenados com as redes sociais e presentes em eventos nacionais e globais, três intelectuais mobilizam e conseguem convidar os jovens a refletirem sobre política, dia a dia e educação.

Eles têm livros nas listas dos mais vendidos e falam de temas variados, de marxismo a futebol e relacionamento amoroso.

Clóvis de Barros Filho é formado em Direito pela Universidade de São Paulo e em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero, com um mestrado em ciência política na Sorbonne e dois doutorados, um também em Direito na França e em ciências da comunicação no Brasil.

Pesquisou a Constituição de 1988 e o pensamento do sociólogo francês Pierre Bourdieu, que realça as importância da prática na vida comum e a construção de representações simbólicas. Ele ministra aulas na USP e na Casa do Saber. Foi coordenador de cursos de mestrados na ESPM por dois anos, entre 2006 e 2008.

Formado pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS), o historiador Leandro Karnal fez doutorado na USP com o tema “formas de representação religiosa no Brasil e no México durante o século 16”. É professor na Unicamp e atualmente é um dos colunistas mais lidos no jornal O Estado de S.Paulo, num espaço que estreou em julho deste ano.

Mario Sergio Cortella é professor na PUCSP, com formação em filosofia pela Faculdade de Filosofia Nossa Senhora Medianeira. Fez mestrado e doutorado pela mesma PUC em “filosofia como produção histórica” e epistemologia, a teoria do conhecimento. É um pensador brasileiro muito vinculado com a questão da educação no Brasil e estuda, desde a graduação, como o liberalismo, o marxismo e a doutrina religiosa se envolvem com a sociedade.

Os três são best-sellers nas livrarias, em obras conjuntas ou em trabalhos separados. “A vida que vale a pena ser vivida” é o livro mais vendido de Clóvis de Barros, com 200 mil exemplares, embora o campeão no mercado seja Mario Sergio Cortella com “Qual tua obra? – Inquietações propositivas sobre ética” na marca de circulação de 500 mil. Leandro Karnal aparece com a obra “Pecar e Perdoar: Deus e o homem na história”, com 20 mil cópias vendidas.

Nascido em Londrina, Cortella se define como um homem de esquerda, é fã do ex-presidente Lula e afirmou no Jornal da TV Cultura que Dilma Rousseff foi a presidente que mais combateu a corrupção.

No Facebook, tem quase 700 mil curtidas e lançou um trabalho recente com Gilberto Dimenstein, o diretor do portal Catraca Livre, sobre curadoria de conteúdo na internet.

O gaúcho Leandro Karnal se define mais como uma pessoa de centro, nem de esquerda e nem de direita, apesar de criticar os reacionários nas redes sociais e os analfabetos funcionais. Ele escreveu no Facebook em setembro: “Eu dou aula há 34 anos, logo, problemas de interpretação de texto são antigos conhecidos. Hoje encerro o domingo espantado. Escrevi na minha coluna: ‘São os fatos e posições do presente que dizem se Che Guevara foi um herói (o ‘maior homem da história’ para Sartre) ou um canalha assassino (para outros)’. Já recebi mais de cem mensagens gritando e me insultando por eu ‘defender’ Che Guevara. Vários perguntam se eu não sei que ele matou pessoas. Sim, eu sei, provavelmente mais do que os que reclamam! Releio o que eu escrevi 10 vezes para ver se há algo assim. Não encontro. Será analfabetismo galopante, má fé, imbecilidade estrutural ou a palavra Che Guevara interrompe o fluxo neuronial?”.

No Estadão, seus leitores continuaram falando bobagens sobre o texto, mas, nas redes sociais com seus mais de 600 mil fãs, Karnal é querido dos progressistas justamente por ter uma postura ponderada.

Em sua participação mais recente no programa Roda Viva, posicionou-se contra a ideia de “Escola Sem Partido” da direita. Ele também chamou abertamente numa palestra os leitores da revista Veja de “fascistas”.

Clóvis de Barros dá entrevistas à Globo e aos grandes meios de comunicação, mas defende abertamente a leitura crítica de Karl Marx e uma visão crítica sobre os “pobres de direita”. O comunicador conversa com mais de 170 mil seguidores no Facebook.

Segundo a lista de livros mais vendidos da revista Veja em novembro, Karnal e Clóvis de Barros aparecem na quarta colocação entre os livros de não-ficção com “Felicidade ou Morte”. Na sétima posição do mesmo ranking, Karnal e Cortella assinam um livro com o conservador Luiz Felipe Pondé e o jornalista Gilberto Dimenstein chamado “Verdades e Mentiras: Ética e Democracia no Brasil”.

Pondé e Karnal participaram de um Roda Viva com YouTubers e influenciadores digitais. Karnal exemplificou, por exemplo, como é necessário ter alguma leitura antes de manifestar opiniões na internet.

Karnal, Cortella e Clóvis de Barros fazem palestras que reúnem entre 500 e 3 mil pessoas. As reproduções dos vídeos das palestras na internet reúnem milhões de visualizações.

O sinal mais claro de que eles estão no caminho certo é que Olavo de Carvalho os chamou de “analfabetos funcionais”. Num país que onde energúmenos seguram cartazes onde se lê “Olavo tem razão”, ter este trio fazendo sucesso ao defender um pensamento consistente e progressista é uma luz no fim do túnel.

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