Redação Pragmatismo
Educação 28/Oct/2016 às 17:31 COMENTÁRIOS

MBL tenta 'desocupar' escola no Paraná usando táticas de milícia

Enquanto estudantes ocupam escolas em protesto contra a PEC 241 e a 'reforma do ensino médio', membros do MBL, possivelmente financiados pelo governo Temer, agem como milícia e tentam promover 'desocupações' com agressões físicas e ameaças morais

escola no Paraná MBL
MBL tenta desocupar escola no Paraná à força

informações de ParanáPortal

Escolas estaduais de Curitiba, ocupadas por alunos em protesto contra a reforma no ensino médio e a Proposta de Emenda a Constituição (PEC) 241 que limita os gastos públicos pelos próximos 20 anos, foram alvo de tentativa de desocupação à força, na noite desta quinta-feira, por manifestantes e integrantes do MBL — movimento liderado por Kim Kataguiri e Fernando Holiday.

O Colégio Lysimaco Ferreira da Costa, no bairro Água Verde, chegou a ser invadido por integrantes do MBL e foi necessária a intervenção da Polícia Militar para evitar conflito com os estudantes que ocupam a escola.

A assessoria de imprensa da PM afirmou que não havia mandado judicial para ser cumprido nesta noite e que os policiais estão no local acompanhando as manifestações. A PM retirou de dentro da escola todas as pessoas estranhas à ocupação.

VEJA TAMBÉM: Michel Temer pede ajuda a Kim Kataguiri para reformas da Previdência e do Trabalho

O advogado dos alunos ocupantes, Vitor Leme, afirmou que o diretor da escola facilitou a ação.

“No momento em que o diretor disse que queria dialogar, ele foi autorizado a entrar, e abriu o portão para deixar membros do MBL entrarem e causarem confusão aqui dentro. Aconteceram ameaças morais e de agressão física. Os alunos se trancaram dentro do prédio e a PM entrou e tirou os integrantes do MBL”, afirmou.

Integrantes do MBL passaram pelo primeiro portão, mas não pela segunda grade que protege o prédio onde estão os estudantes. A ocupação é mantida.

Leme afirmou que foi agredido. “Eu e mais dois alunos fomos agredidos quando tentamos entrar. Me bateram, puxaram meu cabelo”.

A informação de que a escola havia sido invadida por movimentos contrários à ocupação circulou rapidamente nas redes sociais e, em alguns minutos, centenas de simpatizantes à ação dos estudantes se dirigiram à escola para prestar apoio aos alunos ocupantes.

Um deles era o professor Ricardo Padrin. “Eu estou me solidarizando com os estudantes aqui desde o primeiro dia [de ocupação]. Por volta de umas 20 horas havia uma aglomeração do outro lado da rua, com membros do MBL que vieram com toda uma infraestrutura para tentar pressionar a galera que estava lá dentro [da escola]. Os alunos não deixaram se abater. O MBL entrou com o carro de som inteiro dentro do colégio, depois a PM entrou e retirou os do movimento ‘desocupa’”, disse.

Éder Borges, representante do MBL, admitiu que o movimento invadiu a escola. “Nós entramos para acompanhar o movimento. Se você conhece o MBL sabe que nós nunca fomos de conflito”, afirmou.

O MBL, no entanto, transmitiu parte da ação ao vivo em sua página do Facebook, afirmando que estava “desocupando mais uma escola no Paraná”.

Colégio Pedro Macedo

No Colégio Pedro Macedo, no Portão, um grupo de aproximadamente 50 pessoas que se identificou como pais, alunos, professores e vizinhos tomou a frente do portão da escola assim que circulou a notícia de que os integrantes do MBL iriam para lá. A intenção era proteger os estudantes e a ocupação.

SAIBA TUDO SOBRE AS OCUPAÇÕES DE ESCOLAS EM TODO O BRASIL AQUI

A professora Mônica Ribeiro, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), foi apoiar os alunos. “Nós soubemos pelas redes sociais que estariam tentando desocupar a força essa escola. Nós viemos tentar ajudar para não ter violência contra os meninos. Tenho acompanhado as ocupações em várias escolas para explicar sobre a medida provisória”, afirmou. Não houve registro de confronto na escola.

‘Ir entrando… sendo inconveniente’

Na semana passada, o youtuber Arthur Maledo do Val e um dos líderes do MBL, Renan Santos, foram ao Colégio Estadual do Paraná (CEP) para, nas palavras de Arthur a um programa de rádio, ir “entrando, (…) sendo inconveniente”.

Uma estudante menor de idade denunciou à polícia um caso de assédio do youtuber contra ela. De acordo com reportagem de Paulo Jesus para o portal Jornalistas Livres, Arthur será investigado por atentado violento ao pudor pela delegacia da mulher.

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