Redação Pragmatismo
Academia 11/Set/2015 às 18:45 COMENTÁRIOS
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Brasileiro nascido em favela se torna doutor nos EUA após anos lavando pratos

Publicado em 11 Set, 2015 às 18h45

Criado em uma favela em Belo Horizonte, filho de um motorista de ônibus e de uma manicure, André Luiz de Souza lavou muitos pratos nos EUA até se tornar professor universitário com pós-doutorado naquele país

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Criado em favela, brasileiro lavou pratos nos EUA até concluir doutorado (reprodução)

A história vivida por André Luiz de Souza, natural de Belo Horizonte (MG), parece ficção. Nascido e criado na favela Alto Vera Cruz, na capital mineira, ele se tornaou professor universitário com pós-doutorado na universidade estadual do Alabama.

De acordo com informações do Yahoo!, André Luiz nutria a vontade de imigrar aos Estados Unidos desde a infância, quando presenciava inúmeras pessoas de sua região deixar o Brasil em buscas de melhores oportunidades econômicas no exterior.

Enquanto aguardava a oportunidade, ele percebeu que uma das formas de romper a barreira da pobreza e realizar o seu sonho seria através do estudo.

Após tentar o vestibular, em 1999, ele foi aprovado para o curso de Letras na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Filho de um motorista de ônibus e uma manicure, mesmo não tendo que pagar os estudos, Souza trabalhava em dois empregos para ajudar a sustentar sua família.

“Sou filho de um motorista de ônibus e uma manicure. Nascido e criado na favela Alto Vera Cruz. Prestei vestibular para Letras na UFMG porque adorava a ideia de saber falar inglês”, disse ele ao Yahoo Notícias. “Na mesma época, trabalhei na Telemig Celular das 7 da manhã às 6 da tarde e, para ganhar um extra, ficava lá virando a noite programando celulares”.

Em virtude disso, André Luiz perdeu o semestre na universidade e foi comunicado que havia perdido sua vaga na universidade pública. Felizmente, ele explicou o motivo das faltas à administração da instituição e foi aceito novamente.

A virada ocorreu em 2003, quando Souza conseguiu um intercâmbio cultural na universidade estadual do Texas. Na época, ele teve que pedir dinheiro emprestado a amigos e parentes para “provar” que tinha fundos suficientes para se manter nos EUA. Então, André Luiz juntou o extrato bancário com o saldo de US$ 6 mil ao pedido de visto. Uma vez aprovado o visto, ele devolveu o dinheiro às pessoas que o emprestaram e, quando chegou aos EUA, tinha somente US$ 25 no bolso. A solução: Lavar pratos em um restaurante local, o que lhe fez perder o intercâmbio, pois os alunos estrangeiros não podiam trabalhar fora do campus da universidade.

O jeito foi retornar ao Brasil, onde ele juntava informações para uma professora norte-americana no Texas. O contato com a professora fez com que Souza não perdesse a ligação com os EUA. A segunda oportunidade surgiu quando ele foi convidado a cursar o doutorado no Alabama.

Mesmo com a ajuda mensal de US$ 1.100 concedida pelo governo dos EUA, André Luiz teve que retornar à função de lava pratos durante dois anos. Após a formatura na universidade, ele foi convidado para atuar como professor assistente no Alabama. Apesar de também ter recebido convites para lecionar na Europa, ele decidiu permanecer nos EUA.

Atualmente, Souza é professor assistente do Departamento de Psicologia da Universidade do Alabama e sua formação acadêmica consta Bacharelado em Letras (2005), Mestrado em Psicologia de Desenvolvimento (2007) e Doutorado em Psicologia Cognitiva pela Universidade do Texas em Austin. O seu campo de pesquisa focaliza a tomada de decisões e julgamentos cognitivos.

Entre seus trabalhos, alguns em parceria com outros profissionais estão: “Linguagem, discurso e cognição: desafios e perspectivas”, “O sotaque estrangeiro não influencia o julgamento cognitivo”, “Crianças bilíngues e monolíngues preferem falantes com sotaque nativo”, entre outros.

As suas áreas de interesse envolvem Idiomas & Linguísticas, Neurociência, Ciência Cognitiva, Psicologia Cognitiva, Estatísticas, Psicolinguística, Psicologia e Linguística Cognitiva.

informações de Brazilian Voice

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Comentários

  1. Breno Postado em 12/Set/2015 às 11:59

    Pra quem quiser ouvir com mais detalhes a história, ele participou de um podcast contando tudo. http://jovemnerd.com.br/nerdcast/nerdcast-460-estudo-perseveranca-e-pratos/

  2. Carlos Prado Postado em 13/Set/2015 às 15:03

    Enquanto um bom esquerdista irá ridicularizar outrem por tentar ganhar a vida lavando pratos ou privadas. Trabalhar é ofensivo, o certo é pedir para o estado lhe sustentar, com o dinheiro que antes ele toma de você.

    • Eduardo Ribeiro Postado em 14/Set/2015 às 20:01

      Mas que belo comentário. Que compreensão profunda do esquerdismo.

  3. Marc Postado em 13/Set/2015 às 15:09

    Estas histórias são enaltecedoras, mas temos q lutar por um sistema q o pobre não precise ser um superhomem pra conseguir chegar ao doutorado mas o esforço similar ao filho do rico no país. Bela história mas queremos condições "normais" para a maioria "normal", isto sim seria justiça social

  4. Marcello Souza Postado em 14/Set/2015 às 09:28

    Discordo do seu discurso, Mario. Se conhecer um pouco mais o André e sua história, como conheço através de entrevistas e parte do trabalho dele, como vi em http://jovemnerd.com.br/nerdcast/nerdcast-460-estudo-perseveranca-e-pratos/ Verá que ele é alguém humilde, e não tem a menor vergonha ou afastamento com o seu passado. É sempre assim, se um branco consegue um doutorado, é branco elite de m*rd*, se um preto consegue um doutorado, é um negro de alma branca. É muita hipocrisia. Ou seja, um preto nunca vai poder ter um doutorado? Nunca vai poder ter sucesso? Porque, se tiver é elite escrota. Né!? Um dos modos de lutar é assim, sendo negro favelado e mostrando competência, tendo sucesso. O que hoje só é reservado quase que exclusivamente aos brancos. Temos que passar a ver isso com mais frequência. Só acho que deve ser revisto esse sistema como disse o 'Marc', onde um pobre precisa ser um super-homem para conseguir um doutorado. Parabéns André. Linda história. Sou seu fã desde as suas primeiras aparições no nerdcast. Muito sucesso para você.

  5. Eber Prado Postado em 14/Set/2015 às 20:21

    tá denunciado por insulto racial...vai responder por isso ainda!!!!