Redação Pragmatismo
Mundo 28/Abr/2015 às 18:39 COMENTÁRIOS
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Diplomata brasileiro revela palavras finais de Rodrigo Gularte

Publicado em 28 Abr, 2015 às 18h39

Rodrigo Gularte alternou estados de lucidez e delírio nos momentos que antecederam seu fuzilamento na Indonésia. Diplomata brasileiro que o viu pela última vez e prima de Rodrigo revelam que o paranaense estava calmo

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Rodrigo Gularte é o segundo brasileiro executado na Indonésia (arquivo pessoal)

O brasileiro Rodrigo Gularte, de 42 anos, foi executado na Indonésia na madrugada desta quarta-feira (29) – horário local, tarde de terça-feira (28) no horário de Brasília. Ele havia sido condenado à morte por tráfico de drogas, e a pena foi executada por um pelotão de fuzilamento.

O paranaense Gularte foi preso em julho de 2004 depois de tentar ingressar na Indonésia com 6 quilos de cocaína escondidos em pranchas de surfe. Ele foi condenado à morte em 2005.

Gularte é o segundo brasileiro executado no país este ano – em janeiro, Marco Archer Cardoso Moreira, de 53 anos, foi fuzilado. Ele também cumpria pena por tráfico de drogas.

O governo brasileiro divulgou nota na qual diz ter recebido com “profunda consternação” a notícia da execução de Gularte. De acordo com o Itamaraty, a presidente Dilma Rousseff enviou carta ao presidente indonésio, Joko Widodo, pedindo a suspensão da pena de morte em razão do “quadro psiquiátrico” do brasileiro.

Palavras finais

De acordo com o diplomata Leonardo Carvalho Monteiro, maior autoridade brasileira na Indonésia, Gularte estava sereno nas horas que antecederam sua execução. Alternou momentos de lucidez e delírio e disse que dali iria para o céu. “Daqui irei para o céu e ficarei na porta esperando por vocês”, teria dito o paranaense antes de ser fuzilado.

Monteiro acompanhou os disparos da execução à distância, ao lado de Angelita Muxfeldt, prima de Gularte. O fuzilamento ocorreu por volta de 0h25 (horário local, 14h25 em Brasília), disse ele. “Foram vários tiros fortes e ao mesmo tempo”. O corpo será levado ao Brasil, onde será enterrado.

Angelita foi a última familiar a ver Gularte, à tarde (horário local). Ela foi para a Indonésia em fevereiro para tentar reverter a execução do brasileiro. Visitava-o regularmente, duas vezes por semana, e disse que, neste tempo, nunca tinha o visto tão calmo.

“Ele não queria que eu chorasse”, disse ela a jornalistas, emocionada, após deixar a prisão.

Mais estrangeiros executados

Além de Gularte, outros estrangeiros foram executados na Indonésia. Entre os fuzilados havia ainda dois cidadãos da Austrália, três da Nigéria e um de Gana. Numa decisão de último momento, autoridades pouparam a única mulher do grupo, uma filipina, depois que a pessoa que a teria recrutado como ‘mula’ ter se entregue.

Mary Jane Fiesta Veloso, de 30 anos, havia sido presa ao tentar entrar com 2,5 kg de heroína na Indonésia. Ela disse que havia viajado ao país porque uma amiga da família havia lhe prometido um emprego como doméstica.

Alegou, também, que a mulher integrava uma quadrilha internacional que secretamente colocou a droga dentro da mala que carregava.

informações de Agência Brasil

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