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Eleições 2014 07/Out/2013 às 12:52 COMENTÁRIOS
Eleições 2014

Marina representa evangélicos conservadores, diz historiador

Publicado em 07 Out, 2013 às 12h52

Historiador fala sobre a existência de uma “esquerda evangélica”, que tem posições progressistas sobre o aborto, drogas e outros temas, mas que Marina não faz parte dela. “As bases evangélicas que se aproximaram de Marina Silva são conservadoras”

marina silva esquerda evangélica
Historiador diz que Marina Silva representa evangélicos conservadores (Reprodução)

A entrevista a seguir, publicada na coluna de Ancelmo Gois, ajuda a esclarecer um aspecto essencial de Marina Silva. Segundo o historiador Zózimo Trabuco, existe uma “esquerda evangélica”, que tem posições progressistas sobre o aborto, drogas e outros temas. Marina Silva não faz parte dela. Segundo Zózimo, “as bases evangélicas que se aproximaram dela são conservadoras”.

“A trajetória de Marina é ligada ao catolicismo popular. Ela se converteu ao protestantismo quando já era senadora. As bases evangélicas que se aproximaram dela são conversadoras. Há uma certa pressão por verem nela a chance de o Brasil ter um presidente evangélico”

A esquerda evangélica
blog do Ancelmo Gois

A face mais visível do protestantismo na política brasileira é a conservadora bancada evangélica no Congresso, que ataca, custe o que custar, a descriminalização do aborto e a legalização do casamento gay. Mas o que pouco se fala é que existem, há tempos, evangélicos de esquerda. Gente que, durante a ditadura militar, se declarava comunista e participava da luta armada, e que hoje defende o que os conservadores combatem. O historiador Zózimo Trabuco, de 31 anos, estuda o assunto para a sua tese de doutorado na UFRJ: “A expressão política da esperança: Protestantismos, esquerdas e transição democrática.” Na semana em que Marina Silva, evangélica da Assembleia de Deus, levou um balde de água fria com o veto do TSE à criação do seu partido, Márcia Vieira, da turma da coluna, trocou dois dedos de prosa com Zózimo:

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Assim como existe a bancada evangélica, existe uma esquerda evangélica?

Há setores evangélicos que reivindicam a identidade de esquerda. E, como a esquerda mudou com a experiência do PT no poder, os evangélicos também mudaram. Hoje eles são defensores das minorias e apoiam a legalização do aborto, o uso de métodos contraceptivos e o casamento gay. Há um grupo de cristãos que participa inclusive da Marcha das Vadias. O político evangélico de esquerda mais conhecido é o senador petista Walter Pinheiro, da Igreja Batista.

Marina Silva é uma representante dessa esquerda evangélica?

Não. A trajetória dela é ligada ao catolicismo popular. Ela se converteu ao protestantismo quando já era senadora. As bases evangélicas que se aproximaram dela são conversadoras. Há uma certa pressão por verem nela a chance de o Brasil ter um presidente evangélico.

Na sua tese, você diz que os evangélicos viviam uma ambiguidade. Por quê?

Durante a ditadura e no processo de redemocratização, por serem religiosos, eles eram chamados de burgueses pela esquerda. E, na igreja, eram considerados subversivos por defenderem as esquerdas. Um exemplo é o pastor luterano Mozart Noronha, exilado político e um dos fundadores do PT no Rio. Como militante de esquerda, fez oposição à ditadura, mas como sacerdote luterano foi encarregado pela família do general Ernesto Geisel a dirigir os ritos fúnebres do ditador. Ele recebeu muitas críticas dos seus alunos da faculdade de Direito por isso. Sua resposta foi: “Eu não ressuscitei o Geisel, eu o enterrei.” E olha que ele chegou ao sepultamento num carro com a estrela do PT.

com Tijolaço

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