Luis Soares
Colunista
Política 27/Ago/2010 às 15:27 COMENTÁRIOS
Política

Campanha oportunista isola o tucano Arthur Virgílio no Amazonas

Luis Soares Luis Soares
Publicado em 27 Ago, 2010 às 15h27
Apesar de ser ainda popular entre os amazonenses, Virgílio nãocontava com uma realidade tão (merecidamente) adversa à suacandidatura. Uma das vagas do estado para o Senado é dada como certapara o ex-governador Eduardo Braga (PMDB) — que aparece virtualmenteeleito senador com mais de 80% das intenções de voto. Na disputa àsegunda vaga, o tucano duela com uma candidata que se revela cada vezmais competitiva — a deputada federal Vanessa Grazziotin (PCdoB).

“O embate Arthur-Vanessa será mais acirrado que a campanha degovernador”, avalia Edmilson Barreiros, procurador-regional eleitoraldo Amazonas. Contra Virgílio pesa o fato de que seus adversários estãonas duas maiores coligações do estado e têm as candidaturas turbinadaspelos apoios de Lula, da presidenciável Dilma Rousseff e de EduardoBraga.

Fazendo propaganda como Artur (sem o “H”) Neto, o senador não escondeapenas o Virgílio do nome. Omite também que foi um dos inimigos maisintransigentes e grosseiros do governo Lula. Omite mais ainda o nome ea imagem de Serra em seus materiais de propaganda. É como se quisesseapagar o passado e as circunstâncias, para fazer uma campanha à modaantiga, baseada não nas ideias, mas no corpo a corpo.

Para Virgílio, os tempos de oposição raivosa e golpista a Lula nãodevem aparecer. O que importa é tão somente a reeleição, sob qualqueraparência “Segurei a oposição no Senado nas costas durante sete anos.Agora quero cuidar da minha reeleição. Quero meu mandato de volta”,afirma o senador, confirmando o pragmatismo. “Pode me chamar de poucointeligente se eu tentar me reeleger brigando com o Lula dia e noite.”

Pesquisas desfavoráveis

Segundo Virgílio, sua rotina em campanha tem sido levantar, todos osdias, às 4h e “não dormir antes da meia-noite”. O discurso é umconjunto de informações algo atrapalhadas, desconexas: “Hoje já apertei4 mil mãos. Minha candidatura tem personalidade, não tem tutor. Dependesó da minha vida e do meu passado — de mostrar o que pretendo fazer.Acredito que serei vitorioso e com base elástica”.

Os números, porém, mostram o contrário. Pesquisa feita entre 15 e 22 deagosto pela Perspectiva — empresa que faz levantamentos estatísticos noAmazonas — mostra Virgílio com 39% das intenções de voto, empatadotecnicamente com Vanessa Grazziotin, que chegou a 39,3%.



Ao contrário de Virgílio, Vanessa está cercada de aliados de peso. É ocaso do próprio Eduardo Braga – que promete transferir boa parte de seuimenso apelo popular entre os amazonenses para a candidata. Lula tambémvê as movimentações com ânimo. Afinal, se Vanessa vencer, o Amazonasterá, em 2011, três senadores da situação em caso de vitória de Dilma edo candidato a governador Omar Aziz.

Parte do PT com Vanessa

Antes do início da campanha eleitoral, o PT amazonense liberou seusfiliados no Amazonas para apoiar candidatos da coligação de Vanessa. JáDilma assumiu palanque duplo no estado e aparece com destaque nomaterial de campanha da deputada. “A Vanessa tem o respeito dopresidente Lula e do PT nacional porque é uma ótima parlamentar, masela se tornou nossa candidata por mérito”, diz Braga. “O PCdoBparticipou do nosso governo e do plano macroestratégico que temos parao Amazonas.”

Com três mandatos como vereadora em Manaus e no exercício da terceiralegislatura na Câmara dos Deputados, Vanessa liderou a transição doPCdoB da oposição para a base aliada no segundo mandato de Braga. Nesseprocesso, o deputado estadual Eron Bezerra, também do PCdoB, assumiuuma secretaria no governo estadual.

A oposição histórica ao grupo político de Arthur Virgílio continuafirme na campanha. “Vamos dizer à população que o Arthur agia de formatruculenta com trabalhadores quando foi prefeito de Manaus e ameaçoudar uma surra no presidente Lula em vez de cuidar dos interesses doestado no Senado”, afirma o presidente municipal do PCdoB em Manaus,Antônio Carlos Brabo.

Valor Econômico

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