Redação Pragmatismo
Mundo 19/Dec/2016 às 21:26
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Vladimir Putin reage à morte de embaixador russo na Turquia

Vladimir Putin e presidente turco alinham discurso após atentado contra embaixador russo. Assassino é policial de 22 anos e seria ligado ao clérigo Fethullah Gulen, exilado nos Estados Unidos

vladimir putin embaixador da rússia
Policial turco abre fogo em galeria de arte na Turquia e mata embaixador russo no país durante discurso do diplomata (Imagem: Yavuz Alatan/Sozcu daily/AFP)

Vladimir Putin, presidente da Rússia, afirmou nesta segunda-feira (19) que o assassinato do embaixador do país na Turquia tem como objetivo minar as boas relações entre Moscou e Ancara e atrapalhar uma solução pacífica para o conflito na Síria. O autor dos disparos é o policial turco Mevlut Mert Altintas, de 22 anos.

O tom de Putin foi o mesmo usado pelo presidente colega turco, Racep Erdogan, que iniciou uma investigação conjunta entre os dois países.

“O crime é, sem dúvida, uma provocação destinada a pôr fim à normalização das relações russo-turcas e atacar o processo de paz na Síria”, disse Putin ao se reunir com o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov.

Putin destacou que o processo é apoiado ativamente pela própria Rússia, além de Turquia, Irã e outros países interessados em encontrar uma solução para o conflito sírio.

“A resposta ao assassinato do embaixador russo na Turquia será o reforço na luta contra o terrorismo. E os bandidos sentirão isso em suas próprias carnes”, afirmou Putin.

O presidente da Rússia afirmou que o ataque ao embaixador Andrei Karlov, de 62 anos, foi uma “atitude vil”. Além disso, revelou que acertou com o presidente da Turquia, Erdogan, uma investigação conjunta sobre o incidente no centro de Ancara.

“Devemos descobrir quem está por trás do assassino”, disse Putin, acrescentando que irá reforçar as representações diplomáticas da Rússia na Turquia.

Segundo a agência Reuters, há uma forte suspeita de que o assassino esteja ligado ao clérigo Fethullah Gulen, exilado nos Estados Unidos.

De acordo com a agência, um oficial de alta patente turco afirmou que há “sinais muito fortes” que o atirador pertencia à rede comandada pelo clérigo Fethullah Gulen.

O Governo da Turquia acusa Gullen de orquestrar a tentativa de golpe frustrada que ocorreu no país no último mês de julho.

O presidente turco Racep Erdogan ainda acredita que Gullen criou uma “rede paralela” no país que incluiria a polícia, forças armadas, judiciário e serviços civis.

O presidente russo também elogiou Karlov, um “extraordinário diplomata que mantinha boas relações exteriores com as autoridades e outras forças políticas turcas”.

Erdogan segue linha do presidente russo

O presidente turco disse nesta segunda-feira que conversou com o presidente russo, Vladimir Putin, e que ambos concordaram que o assassinato do embaixador da Rússia em Ancara por um homem armado foi um ato de provocação por parte de pessoas interessadas em prejudicar as relações entre os dois países.

Em uma mensagem de vídeo transmitida pela televisão turca, Erdogan disse que as relações Turquia-Rússia são vitais para a região, e que aqueles que buscam danificar os laços não irão atingir seus objetivos.

Os dois países acertaram uma reaproximação diplomática em agosto, após meio ano de tensões provocadas pela derrubada de um avião de guerra russo por um caça turco na fronteira com a Síria.

Rivais históricos

Rússia e Turquia são rivais históricos, mas o atentado de hoje não deve abalar a relação dos dois países, que é amistosa desde junho de 2016.

Em lados opostos no conflito da Síria, os governos da Turquia e Rússia estavam colaborando, nos últimos dias, na operação de evacuação de civis da cidade de Aleppo, no norte da Síria.

Conflito na Síria

A guerra civil na Síria já obrigou mais de 11 milhões de pessoas a deixarem suas casas. A batalha é travada, de um lado, pelas forças leais ao governo, que é apoiado por Rússia e Irã, e, de outro, grupos oposicionistas, que são apoiados por EUA, Israel, Arábia Saudita e Turquia. O Estado Islâmico também atua na região.

A batalha chegou à capital, Damasco, e a Aleppo, segunda cidade do país, em 2012. O conflito hoje é mais do que uma disputa entre grupos pró e anti-Bashar al-Assad. Adquiriu contornos sectários, jogando sunitas contra xiitas. E o avanço do Estado Islâmico deu uma nova dimensão à guerra.

O EI se aproveitou do caos e tomou controle de grandes áreas na Síria e no Iraque, onde proclamou a criação de um “califado” em junho de 2014. Seus integrantes estão envolvidos numa “guerra dentro da guerra” na Síria, enfrentando não apenas as forças do governo de Assad, mas rivais jihadistas da Frente al-Nusra, ligada à Al-Qaeda, e forças curdas.

Em setembro de 2014, uma coalizão liderada pelos EUA lançou ataques aéreos na Síria em tentativa de enfraquecer o EI. Mas a coalizão evitou ataques que poderiam beneficiar as forças de Assad. Em 2015, a Rússia iniciou campanha aérea alvejando terroristas na Síria, mas ativistas da oposição dizem que os ataques têm matado rebeldes apoiados pelo Ocidente.

Há evidências de que todas as partes cometeram crimes de guerra – como assassinato, tortura, estupro e desaparecimentos forçados. Também foram acusadas de causar sofrimento civil, em bloqueios que impedem fluxo de alimentos e serviços de saúde, como tática de confronto.

com informações de EFE e BBC

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