Redação Pragmatismo
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Governo 13/Oct/2016 às 10:56
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Deputado debocha das perdas para a educação e saúde com a PEC 241

Deputado aliado de Michel Temer que votou a favor da PEC 241 debocha da perda para a educação: “Quem não tem dinheiro que não faça universidade. Essa é a minha posição”. Sobre o congelamento na saúde ele sugeriu que o brasileiro se cuide mais: “Se cuida, outro dia vi um cara reclamando com o cigarro na mão que não é atendido. O cara não se cuida“

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Questionado sobre as perdas para a educação com a aprovação da PEC 241, o deputado Nelson Marquezelli (PTB-SP) disse que universidade é só para quem tem dinheiro. “Quem não tem, tente passar na USP”.

Questionado sobre as restrições para a educação com a aprovação da PEC 241, o deputado federal Nelson Marquezelli (PTB-SP), aliado de Michel Temer, afirmou que “quem não tem dinheiro não faz universidade”. A PEC limitará os investimentos do governo em um período de 20 anos.

Sobre a saúde, o parlamentar disse que o cidadão que reclama do atendimento público precisa se cuidar mais para não sobrecarregar o Serviço Único de Saúde (SUS).

As declarações foram dadas na própria segunda-feira, em uma conversa com um grupo de jovens professores que manifestavam na Câmara contra a PEC. A gravação do diálogo ganhou as redes sociais.

Marquezelli disse, ainda, que seus filhos vão estudar em universidade porque têm condições de pagar. “Tem que gastar o que tem. O contribuinte brasileiro não aguenta mais pagar (…) Tem de cortar universidade, tem de cortar. O governo vai se preocupar com o ensino fundamental. Quem puder pagar vai ter de pagar. Meus filhos vão pagar”, declarou.

Os manifestantes insistiram: e quem não tem dinheiro para pagar uma faculdade? “Quem não tem (dinheiro) não faz universidade. Não tem dinheiro não faz. Vai estudar na USP, que é de graça. Vai estudar na USP. Essa é a minha posição. Vai na USP e faz concurso que lá é de graça”, respondeu.

VEJA TAMBÉM: PEC 241 — Como estará o Brasil em 20 anos?

O petebista também foi questionado sobre a piora na saúde pública com o congelamento dos recursos para a área a partir de 2018, como prevê a PEC 241. “Se cuida, outro dia vi um cara na rua reclamando com o cigarro na mão que não é atendido. O cara não se cuida. O cara fuma três cigarros por dia…”

O interlocutor perguntou se o problema da saúde no país se devia ao fato de brasileiros fumarem. O deputado reagiu com irritação. “Não é isso. Só se o senhor for burro, porque minha posição é clara: falta gestão na saúde, falta gestão na educação. Não adianta forçar a barra que vou votar favorável (à PEC 241). Não estou preocupado com você, estou preocupado com o país”, disse deixando os manifestantes para trás sem se despedir.

Líder ruralista

Em seu sexto mandato na Câmara, Marquezelli é considerado um dos líderes da bancada ruralista. Um dos maiores produtores de laranja do país, ele declarou na última eleição um patrimônio de R$ 12,2 milhões.

SAIBA MAIS: Drauzio Varella grava depoimento contra a PEC 241

Um projeto de autoria do deputado, já arquivado, previa a obrigatoriedade da adoção do suco na merenda escolar. Pela proposta, só receberiam verbas da União para programas alimentares os estados e municípios que incluíssem o suco na merenda.

Máfia da merenda

Nelson Marquezelli foi alvo da Operação Alba Branca que apontou a distribuidora de bebidas do deputado, em Pirassununga (SP), como um dos endereços de suposta entrega de propinas da quadrilha da merenda escolar que agia em pelo menos 22 prefeituras e mirava em contratos da Secretaria da Educação do governo Geraldo Alckmin (PSDB). O deputado nega as acusações.

VÍDEO:

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Comentários

  1. saulo Postado em 13/Oct/2016 às 11:05

    Cadê o nosso Stalin, pra fazer com esse tipo de gente o que eles merecem?

  2. Eduardo Ribeiro Postado em 13/Oct/2016 às 12:11

    Essa foi em homenagem a vocês, POBRES de direita que bateram panela, vestiram amarelo, cantaram o hino, fizeram dancinha, compraram pixuleco inflável, defenderam o golpe e se revoltaram com a corrupção ***mas só do PT***. No mais: eis aí um "BOM" homem e um "BOM" deputado, no sentido brechtiano da coisa.