Redação Pragmatismo
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Geral 23/Sep/2016 às 14:23
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Pai pede desculpas à filha por não saber escrever e recebe resposta comovente

A publicação de uma estudante da UFRJ viralizou após a jovem desabafar sobre um tema bastante presente na sociedade brasileira, porém pouco discutido: o preconceito linguístico

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A universitária Micarla Lins, que mora no Rio de Janeiro, publicou uma conversa que teve com o pai, Pedro Rodrigues Lins, por meio de um chat e causou comoção e reflexão na internet.

No trecho em destaque, o pai pede desculpas à filha por não saber escrever e diz que a ama verdadeiramente: “Nuca eu vo juga voce pro que eu te amo vedaderaneti voce sadi. Decupa pro nao sabe esr”. Ao que ela responde: “Eu amo você. E você não precisa saber escrever pra eu te amar”.

No texto, a estudante da UFRJ compartilhou a sua emoção de ter recebido a primeira demonstração de carinho por escrito do seu pai, que não tem o domínio completo da escrita. Ela acredita que “saber escrever não é direito, mas privilégio.”

“Eu realmente não fazia ideia da repercussão que isso ia tomar. Foi um desabafo que no final das contas virou uma linda troca. Uma troca de histórias, de conhecimentos e de coisas incríveis que estou recebendo por mensagem de pessoas do Brasil inteiro. Muita gente contando como o meu texto fez mudar de opinião ou se policiar e até mesmo pedir desculpas por já ter cometido esse preconceito linguístico. Para mim está sendo recompensador estar fazendo tão bem a tanta gente”, disse a jovem ao HuffPost Brasil.

Ao portal da RedeTV!, Micarla acrescentou: “Meu pai está muito feliz, disse que ganhou muitos novos amigos no Facebook, e está especialmente feliz também por todo carinho que está recebendo”.

Trajetória

A trajetória de Micarla e sua família começa no Recife, onde ela nasceu, e seguiu até o Rio de Janeiro, onde a estudante morou até completar 14 anos. De lá, a família viu-se obrigada a mudar-se para São Paulo, a fim de conseguir tratamento para um grave problema de saúde do pai. “Meus pais andaram bastante o mundo”, comenta ela.

Enquanto os pais ficaram em Jundiaí, Micarla voltou ao Rio para estudar e, por consequência, acabar narrando em um post simples uma parte da história da família da qual ela diz ter muito orgulho. “Sempre me orgulhei muito da criação que tive. Mesmo meus pais não tendo muita instrução, sempre prezaram muito que eu estudasse, porém eles jamais almejaram que eu cursasse uma universidade, [pois] pra eles era essencial que eu apenas me formasse. Sou a única das três filhas que tô tendo o privilégio de cursar uma universidade federal”.

Post de Micarla já tem quase 200 mil curtidas até o fechamento desta publicação:

Em post feito há 1 ano, Micarla revela todo o seu amor pelo pai:

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Comentários

  1. Wylie Postado em 23/Sep/2016 às 15:49

    E tem muitos aqui nos comentarios que a primeira coisa que faz é apontar erros de ortografia de outros e até mesmo usar um portugues avançado para supostamente provar o seu ponto.

  2. Thiago Teixeira Postado em 24/Sep/2016 às 17:35

    Eu sofro isso com minhas filhas, eu não seu mexer em Watzapp, Orkuti, Feici e demais ferramentas sociais. Odeio tudo que é social.

  3. Luciano Postado em 27/Sep/2016 às 10:51

    Uma filha demonstrando respeito por seu pai! Cena rara hoje em dia.

  4. JOSELITO Postado em 03/Oct/2016 às 17:52

    Também sou formado em letras e nunca faltei com respeito com o meu pai semianalfabeto. Ao contrário,adoro ouvir meu pai falar. Meu avô falava assim: DIFICULIDADE. Eu amo esse português estrupiado. Paritindo visão de certo e errado,posso dizer que todas as línguas neolatinas são do latim errado. então toda normal culta tem como fulcro o latim dos soldados, artesãos e tantos outros profissionais da época que eram discriminados pela elite romana.