Redação Pragmatismo
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Juristas 21/Sep/2016 às 11:56
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Ex-interlocutor de Sergio Moro admite que “não é justo o que estão fazendo”

Professor de direito penal da UERJ citado em mais de 100 acórdãos no STF, ex-interlocutor de Sergio Moro afirma que a Lava Jato vive deslumbramento: “Acham que são os salvadores da pátria. É uma visão ingênua. Aí, os fins justificam os meios”. Acadêmico explica ainda por que rompeu com Moro e quando o juiz perdeu a imparcialidade

Sergio Moro Lava JATO Lula
Sergio Moro (Dida Sampaio/Agência Estado)

“Às vezes, Sergio Moro passa uma imagem de severíssimo, mas os empresários estão presos em suas casas, suas mansões. Brinco dizendo que talvez estejam com tornozeleiras eletrônicas douradas, cravejadas de diamantes”

De consultor informal da Lava Jato a atroz crítico da operação. A conduta adotada por um dos principais juristas da área processual do Brasil, Afrânio Silva Jardim, de 66 anos, demonstra o tamanho da decepção de parte do meio acadêmico com os últimos passos da principal “ação anticorrupção” da história do país.

Há pouco mais de dois anos, Jardim começou a trocar impressões com o juiz Sergio Moro, o responsável pela operação na primeira instância. Apoiava seus atos. Elogiava a importância das apurações. Mas as últimas ações da força-tarefa fizeram com que ele rompesse com o magistrado e se tornasse um dos principais críticos dos trabalhos que estão sendo conduzidos em Curitiba.

Não porque Jardim seja contrário ao combate à corrupção, mas por entender que boa parte do que tem sido feito não respeita as normas. Cita, por exemplo, a condução coercitiva de investigados, a prisão domiciliar de grandes empresários, a divulgação da gravação envolvendo os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, assim como a última denúncia apresentada contra o líder petista nesta semana. “Não é justo o que estão fazendo”, sintetizou o especialista. As informações são do EL PAÍS.

Autor de quatro livros, promotor de Justiça aposentado, livre-docente, professor de direito processual penal na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), jurista citado em mais de uma centena de acórdãos no Supremo Tribunal Federal e no Superior Tribunal de Justiça, Afrânio Jardim diz que os procuradores da Lava Jato parecem viver um deslumbramento.

“O que vejo é que os colegas mais novos da Lava Jato estão meio deslumbrados. Agem messianicamente, acham que são os salvadores da pátria. É uma visão ingênua. Aí, os fins justificam os meios”, avalia.

O rompimento com Moro e o descontentamento com os rumos da Lava Jato deram-se exatamente quando interceptações telefônicas de Lula e Dilma foram divulgadas extemporaneamente em meados de março. Na ocasião, Jardim disse ao juiz que ali, ele havia perdido a imparcialidade que os magistrados precisam ter.

“Eu disse para ele que estava agastado, que ele estava me decepcionando. Ele respondeu que lamentava muito, que ficava triste. Não nos falamos mais, não trocamos mais e-mails”.

O curioso é que Moro, ao lado de outros 50 operadores de direito, é autor de um dos artigos que compõem a obra Tributo a Afrânio Silva Jardim, escritos e estudos, livro que terá sua terceira edição publicada até outubro. “Agora, ele deve estar constrangido. E eu também estou”, diz o homenageado.

Ainda com relação à atuação do juiz, Jardim afirma que estranhou a série de prisões domiciliares autorizadas por ele. A maioria dos empreiteiros que está detida responde a crimes cujo as penas são superiores a dez anos de prisão. A legislação, contudo, prevê que esse tipo de benefício domiciliar só pode ser concedido caso a punição seja inferior a quatro anos de reclusão ou se o processo já tiver sido julgado em todas as instâncias e a lei assim o autorizar, o que ainda não ocorreu em nenhum caso da Lava Jato.

“Às vezes, Sergio Moro passa uma imagem de severíssimo, mas os empresários estão presos em suas casas, suas mansões. Brinco dizendo que talvez estejam com tornozeleiras eletrônicas douradas, cravejadas de diamantes”.

EL PAÍS

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Comentários

  1. Carlos Alberto Ortega Postado em 21/Sep/2016 às 12:55

    O que está acontecendo é que esse Sérgio Moro está agindo parcialmente a mando dos EUA, para brecar a chance do Lula disputar 2018. Os EUA fizeram uma pesquisa e descobriram que se ele tiver a chance ele vencerá a disputa para presidente naquela data, seja quem for os adversários. Para isso usa essa besta testa de ferro para parar de qualquer forma, usando de tudo que possa para parar o Lula e compromete-lo para impugnar a sua candidatura. Moro está arbitrário, parcial e esquece do Aécio Neves, do próprio Temer e vários dos PMDB, DEM e PSDB, e demais partidos que também tem bandidos piores ainda. Nada irá acontecer com eles, pois já tem cartas marcadas e eles estão visando só o PT, para que seja exterminado. Afinal os EUA não querem que o Brasil fique com os BRICS e a abertura de um banco entre eles. Porque não se apura a Operação Zellotes, e as denúncias com o PSDB? Nada será apurado porque o Moro faz o jogo do PSDB e nada fará contra eles. Um dia tudo isso será desmascarado e toda a verdade será mostrada para o Brasil e mais uma vez veremos o quanto fomos enganados por esses UDNISTAS que odeiam o povo, detestam viajar de avião com pedreiros, empregadas domésticas e povo mais simples que já chegou usar esse meio de locomoção. Iremos ver a enganação como fizeram em 64 e a única maneira dessa gente manter-se no poder, pois eles querem controlar tudo e todos e não gostam que o país saiam de suas mãos. É a manutenção da elite no comando que eles querem perpetuar em detrimento do verdadeiro povo brasileiro.

  2. João Paulo Postado em 21/Sep/2016 às 18:30

    Uma madame com o empresariado e os "esteitix" ... Tenho curiosidade em saber se os demais processos da Vara do juizeco também tramitam tão velozmente.