Redação Pragmatismo
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Curiosidades 03/Aug/2016 às 15:15
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Seis lugares que estão vencendo a guerra contra os carros

Grandes metrópoles estão adotando várias políticas para tentar combater os males trazidos pelos automóveis - principalmente os congestionamentos e a poluição. Conheça 6 lugares que parecem estar ganhando a guerra contra os carros

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Imagem: Pragmatismo Político

Em 2010, o número de carros em circulação em todo o mundo ultrapassou a marca de 1 bilhão. E a população automotiva só vem crescendo desde então.

Por isso, pode parecer absurdo falar no aumento de localidades em que esses veículos estão totalmente proibidos.

Mas o fato é que de Pequim à Cidade do México, grandes metrópoles estão adotando várias políticas para tentar combater os males trazidos pelos automóveis – principalmente os congestionamentos e a poluição.

Entre as táticas estão proibir a circulação temporariamente, obrigar a conversão para o motor a gás natural ou aumentar os impostos sobre veículos zero quilômetro.

Mas uma coisa está clara: os carros são cada vez menos bem-vindos.

Confira seis lugares do mundo que parecem estar ganhando a guerra contra os motores:

Paris, França

Desde o dia 1º de julho, Paris não permite que carros registrados antes de 1997 entrem no centro da cidade entre as 8h e as 20h, com exceção de modelos clássicos e de colecionador.

Até 2020, os veículos mais velhos serão completamente banidos, e apenas aqueles produzidos a partir de 2011 terão permissão para circular.

A antipatia da prefeita da capital francesa, Anne Hidalgo, por escapamentos poluentes virou uma marca registrada de sua gestão.

Em setembro passado, a cidade testou ficar um dia inteiro sem carros. Este ano, ela adotou o fechamento de grandes avenidas, como a Champs-Élysées, para a circulação de veículos todo primeiro domingo do mês.

Oslo, Noruega

O centro da capital norueguesa pode ser tornar uma zona sem circulação de carros já em 2019, caso os planos não cedam à pressão dos donos de estabelecimentos comerciais – eles dizem que a proibição tiraria os automóveis de 11 grandes shopping centres.

O ativista JH Crawford, fundador do site CarFree.com, acredita que Oslo deve se tornar a primeira capital do mundo a banir seus carros e motos, servindo mais a pedestres e ciclistas. Mas o centro ainda terá a circulação de ônibus e bondes.

Grande Cidade de Tianfu, China

A China é hoje o maior mercado de carros do mundo. Mas Tianfu, uma cidade-satélite planejada próxima a Chengdu, no sudoeste do país, pode se tornar o ponto de partida para uma cruzada contra o automóvel particular.

Apenas metade das ruas de Tianfu poderá ter trânsito de veículos motorizados, de acordo com os planos dos arquitetos americanos Adrian Smith e Gordon Gill, que a estão planejando.

A equipe espera que a cidade de 80 mil habitantes gere 60% menos gás carbônico que as comunidades com uma população semelhante.

Para chegar a Chengdu, os moradores terão opções de transporte público.

Mas até lá a cidade precisa ser construída: os planos de concluí-la em 2020 esbarraram em problemas de zoneamento.

Hydra, Grécia

Em 1960, o cantor e compositor canadense Leonard Cohen comprou uma casa na ilha grega de Hydra e escreveu à sua mãe, contando: “A vida aqui corre exatamente do mesmo jeito há cem anos“.

Isso ainda é verdade. Hydra, no Mar Egeu, mantém um estilo de vida tranquilo muito graças à proibição de veículos motorizados, com exceção de pequenas caminhonetes de coleta de lixo.

As ruas cobertas de paralelepípedos servem para uma caminhada lenta e contemplativa. Os mais preguiçosos podem optar por montar em mulas.

O charme de Hydra não foi destruído por estacionamentos e postos de gasolina. E, para um paraíso isolado, a ilha tem estado cada vez mais agitada, sendo destino de celebridades.

Estado de Michigan, EUA

É uma grande ironia o fato de o tradicional epicentro da indústria automobilística americana abrigar a única estrada pública sem carros do país.

Trata-se da M-185, uma rodovia de quase 13 quilômetros de extensão na ilha de Mackinac, no Lago Huron.

Com uma população permanente de cerca de 500 pessoas (e muitos turistas no verão), a ilha deixou claro o que pensa sobre veículos motorizados em 1898, quando proibiu a circulação de “carruagens sem cavalos dentro do perímetro urbano“.

Hoje em dia, no entanto, visitantes e locais podem circular a pé, de bicicleta ou de charrete.

Não muito longe de Detroit, a cidade de Ann Arbor abriga o campo de testes Mcity. Pertencente à Universidade de Michigan, trata-se de uma minicidade com prédios, avenidas e sinais de trânsito construída para o desenvolvimento de veículos autônomos.

Alguns especialistas acreditam que esse tipo de meio de transporte consiga acabar com o problema da superlotação de carros nas grandes metrópoles.

Nova York, EUA

Manhattan recebe mais de 1,5 milhão de carros todos os dias úteis. Portanto, mal dá para dizer que se trata de uma cidade que está combatendo os motores.

Mas o surgimento da High Line, uma via pedestre construída sobre uma linha de trem abandonada, e que se estende por pouco mais de 2 quilômetros, foi aclamada mundialmente por incentivar os cidadãos a deixar de lado os táxis para caminhar.

Outras cidades, como Chicago, Sydney e Seul, agora implementaram planos para substituir antigas rodovias e ferrovias por parques elevados.

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BBC

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Comentários

  1. Renato Postado em 04/Aug/2016 às 10:50

    Esta guerra contra os carros possui um viés que a torna inconsistente com a nossa realidade: todos os exemplos citados no texto são de lugares superpopulosos e com distâncias pequenas de locomoção. Tal cenário só se repete no Brasil em grandes algomerados urbanos, querer aumentar as taxas e tirar o carro de quem mora no interior, em zonas rurais e locais esparsamente povoados, ou é maldade ou é puro cinismo mesmo.

  2. Dirceu Postado em 04/Aug/2016 às 17:05

    "Desde o dia 1º de julho, Paris não permite que carros registrados antes de 1997 entrem no centro da cidade entre as 8h e as 20h, com exceção de modelos clássicos e de colecionador." Isso pra mim parece mais uma política contra a "poluição social" (Pobre andando de carro? Aqui, não!) do que ambiental. Além de incentivar o consumismo por carros novos. Se o problema fosse o congestionamento, seria mais justo fazer um esquema de rodizio, como o de São Paulo. E se o problema fosse ambiental, era exigir de cada carro algum teste anual ou bianual para medir a emissão de poluentes para aí sim, proibir ou permitir sua circulação, talvez colando algum selo no parabrisa.

  3. Moacir Postado em 05/Aug/2016 às 11:24

    Certo!... Só que faz parte da "herança maldita".