Redação Pragmatismo
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Academia 02/Jun/2016 às 18:29
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Universidade desiste de conceder título honoris causa a Sergio Moro

Universidade onde Sergio Moro se formou não concede título honoris causa ao magistrado. Instituição de ensino alega que o juiz tem currículo fraco e “parco conhecimento de língua estrangeira”

Sergio Moro honoris causa universidade

Kiko Nogueira, DCM

Embora tenha certeza do contrário, Sergio Moro não é uma unanimidade no papel de paladino do combate à corrupção. Nem em sua terra.

Um golpe em sua vaidade foi dado na Universidade de Maringá (PR), onde ele se formou. Depois que estrelou como palestrante principal no jubileu do curso de Direito, em maio, um grupo de professores quis dar-lhe o título de doutor honoris causa.

Ocorre que o prêmio, outorgado pelo conselho da casa, depende de unanimidade (houve nove até hoje). Uma forte oposição surgiu e a iniciativa melou.

A explicação oficial é a de que o momento do país não é propício por causa da polarização, segundo ouviu o DCM da direção. Pode haver uma reavaliação “após o impeachment”.

Na realidade, se a situação está polarizada agora, imagine-se depois.

“O Moro é jovem, ainda há muito tempo para ser avaliado. No momento oportuno daremos continuidade”, afirmou o reitor Mauro Baesso ao Diário de Maringá. Ele declarou que a proposta ainda não foi analisada. “Não é algo a ser feito em meio a uma polêmica”.

Na documentação elencada para a anulação há vários motivos listados. Um deles é o currículo Lattes de Moro, com apenas uma página, seu parco conhecimento de língua estrangeira e uma graduação desconhecida e não discriminada.

Ele tem também somente cinco artigos publicados. De acordo com o professor titular do Departamento de Física, Marcos Cesar Danhoni Neves, que protocolou o requerimento contra a premiação, Moro “é um juiz de moda”.

Diz o site Brigada Herzog:

O documento protocolado na UEM ressalta principalmente o fato de Moro seguir o modelo da Operação Mani Pulite na Lava jato. O juiz que virou uma especie de herói dos opositores do governo Dilma parece não saber ao certo a diferença entre mãos limpas e sujas. Em uma entrevista ao site Comunità Italiana, em fevereiro de 2016, admitiu ter pouco conhecimento sobre o sistema judiciário italiano: “Não conheço muito bem o sistema processual e o judiciário italiano, mas admiro a coragem dos magistrados que trabalharam na Operação Mani Pulite”, revelou Moro não adentrando-se no assunto que deveria ser esclarecido aos brasileiros que não sabem que as Mãos Limpas italianas não era uma revolução, mas um golpe de Estado.

Lê-se no documento do Prof. Neves:

“Considerando que, em trabalho acadêmico e divulgado de 2004, o Sr. Sergio Moro busca recapitular o trabalho do juiz italiano Antonio di Pietro da Operação Mani Pulite (Mãos Limpas), que resultou na destruição completa da classe política italiana, na sua própria candidatura (derrotada) a postos políticos superiores na Itália, e que acabou permitindo a ascensão e a longa permanência de Berlusconi por 12 (doze) anos no poder.”

Uma das últimas observações:  “O título de doutor honoris causa deve ser concedido a pessoas de indubitável caráter altruísta, de solidariedade, de promoção da educação e da cultura no Brasil e no mundo.”

O professor Carlos Cristiano Meneghini forneceu mais alguns detalhes. “Foi um pedido, pelo que me informaram, da Ajufe (Associação dos Juízes Federais do Brasil). A comissão não queria que ele viesse ante os absurdos jurídicos que esta pessoa cometeu — e comete. E uma das exigências dele era que ele não recebesse nenhuma pergunta ao final da palestra”, disse.

“E, em relação ao título, apenas um ou outro era favorável. Eu, assim como inúmeros professores, colegas formados e formandos criticamos este pedido, ainda mais de uma pessoa que renega o nome da Universidade Estadual de Maringá no Lattes, bem como comete atrocidades legais. Deveriam dar-lhe um título de persona non grata.”

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Comentários

  1. Márcio Ferreira Postado em 02/Jun/2016 às 21:42

    Cúmulo da mediocridade: comemorar o não recebimento, por outra pessoa, de uma condecoração não solicitada, a que não se candidatou ou que foi apenas adiada. O que vão noticiar semana que vem? "Moro toma drible da vaca em pelada com amigos"?

    • João Carlos Postado em 02/Jun/2016 às 23:53

      hahha, disse tudo!

    • Deisi Postado em 03/Jun/2016 às 07:08

      Ferreira, você não passa de um trouxinha apoiador do golpe. Tá com dó leva pra casa!

      • José Ferreira Postado em 03/Jun/2016 às 09:29

        Cara Deisi (se esse for o seu nome mesmo), tu parece um disco quebrado.

      • Deisi Postado em 03/Jun/2016 às 11:46

        Caro "istoriador" esse é meu nome, porque o seu não é Zé Ferreira? Trouxinha apoiador do golpe. Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk.

  2. sandro Postado em 02/Jun/2016 às 22:33

    Juiz modinha dos trouxinhas.

  3. Deisi Postado em 03/Jun/2016 às 07:06

    Juizinho de primeira instância, atenta contra as leis e atua como militante do psdb.

  4. Maurício de Souza Matos Postado em 03/Jun/2016 às 08:57

    Deveriam era investigar ele no caso BANESTADO,onde foram furtados deste País mais de cento e cinquenta bilhões de reais. E ainda dizem que o escândalo de corrupção na Petrobras é o maior do mundo. Imprensa tendenciosa que finge não saber.

  5. Eduardo Ribeiro Postado em 03/Jun/2016 às 11:02

    Meu papai Lulão tá com quase 30 títulos de "Dr. h.c.". Pede um ou dois que ele empresta pra você, Moro. É que é assim: ganhar um título com esse peso não é pra qualquer um, se esses caras dão o título pra você, que mal consegue pontuar um texto de 10 linhas, eles vão ser obrigados a dar pra qualquer um que passar na porta da universidade. Se for por merecimento, teu negócio é premiozinho fake que a Globo golpista te deu, e olhe lá...

    • poliana Postado em 03/Jun/2016 às 16:41

      hahaha...abafa eduardo...até pensei em mencionar o "papai lulão" e seus títulos, mas preferi n humilhar esse pseudo juiz! rsrsrsrs

  6. ademar Postado em 03/Jun/2016 às 11:58

    Sou da cidade de Maringá, talvez o Mor não seja merecedor de tal título, não sei exatamente os critérios para conceder o título, mas a Universidade referida é reconhecida aqui com grande tendência de cultura ideológica de Esquerda, os atuais reitor e vice possuem perfil de ultra Esquerda, é tão latente a corrente ideológica dentro da Universidade que o Curso de Direito tem pouco prestígio dentro da Instituição, mesmo sedo avaliado entre os melhores cursos de Direito do Brasil.

  7. Pedro Postado em 04/Jun/2016 às 03:20

    Por falta de conhecimento em línguas estrangeiras? O Lula não recebeu uma série de títulos dessa espécie? As universidades causam vergonha. Podem ao menos dar justificativas criveis para suas decisões. Não deram o titulo ao Moro porque sabem que ele agiu de forma questionável. O Lula recebeu uma série de títulos quando convinha as relações publicas das universidades.

  8. Rodrigo Postado em 07/Jun/2016 às 11:08

    (Outro Rodrigo) Nessa vou concordar com José Ferreira: quanto a uma honraria que é a premiação, atacar alguém indicado à sua própria revelia por não obter unanimidade e assim a premiação é, no mínimo, armadilha e não crítica. Podemos, pois, sem estar frente aos requisitos formais e materiais e respectivo currículo, jogar aleatoriamente quantas informações quisermos, até mesmo chegando ao exagero de dizer que o fato de ele até pouco tempo ir de bicicleta ao trabalho revelaria menor qualificação. Aliás, seria interessante publicar os requisitos materiais e formais que a Universidade estabelece para a premiação, frente ainda ao currículo da pessoa (não se resumindo a algo como “ouvi dizer que é assim”). Desde já, curioso o alegado requisito de domínio de língua estrangeira, em se tratando de premiação já recebida por pessoas que não têm sequer o conhecimento de outro idioma, o que não era objeto de crítica em situações tais. Já quanto aos artigos, é ele pesquisador? E, quanto aos artigos que publicou, não cabe analisar a relevância dos veículos e alcance dos mesmos? Não cabe analisar se enfrentou o tema ou, se como tantos, valorou apenas a quantidade e partiu para centenas de “artigos salame” (tema "fatiado" até não poder mais, para possibilitar um sem número de artigos)? Assim, frente a tantas alegações genéricas às quais estamos frente e buscando saber o que teria nessa "página de currículo" (melhor pesquisar que "deixar a onda nos levar"), encontra-se: formado em universidade pública e de renome (UEM); Mestre e Doutor também por universidade de renome (UFPR), com orientação do renomado jurista Marçal Justen Filho; cursou o programa de instrução de advogados da Harvard Law School e integrou programas de estudos sobre lavagem de dinheiro promovidos pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos; professor da matéria Direito Processual Penal na UFPR; já assessorou a Min. Rosa Weber no STF; indicado ao STF para ocupar a vaga de Joaquim Barbosa em lista tríplice pela associação nacional dos magistrados federais, sendo o mais votado em lista tríplice; aprovado em concurso público para Juiz Federal apenas 1 ano após sua graduação. Aliás, quando indicado ao STF em lista tríplice pela AJUFE (Associação dos Juízes Federais do Brasil), o Presidente da associação justificou sua presença na lista justamente pelo seu currículo (foi o mais votado na lista tríplice do TRF em questão, em lista que contava com os também indicados Desembargador Federal Leandro Paulsen, do mesmo TRF4, e o desembargador federal Fausto De Sanctis, do TRF-3) e atuação (lembrando que, em média, apenas 4% de suas decisões são reformadas por Tribunais). Quanto aos seus cinco artigos publicados (todos em revistas científicas com grau de abrangência), tenha-se: A autonomia do crime de lavagem e prova indiciária, Revista CEJ (Brasília), v. 41, p. 11–14, 2008; Colheita compulsória de material biológico para exame genético em casos criminais, Revista dos Tribunais (São Paulo. Impresso), v. 853, p. 429–441, 2006; Considerações sobre a Operação Mani Pulite, Revista CEJ (Brasília), v. 26, p. 56–62, 2004; Competência da Justiça Federal em Direito Ambiental, Revista dos Tribunais. Cadernos de Direito Constitucional e Ciência Política, v. 31, p. 157–166, 2003. Livros publicados: Desenvolvimento e Efetivação Judicial das Normas Constitucionais, Editora Max Limonad, 2001; Legislação Suspeita? Afastamento de Presunção de Constitucionalidade da Lei, Editora Juruá, 2003; Jurisdição Constitucional Como Democracia, Editora Revista dos Tribunais, 2004; Crime de Lavagem de Dinheiro, Editora Saraiva, 2010; Por uma revisão da teoria da aplicabilidade das normas constitucionais, Revista dos Tribunais. Cadernos de Direito Constitucional e Ciência Política, v. 37, p. 101–108, 2001. Assim, que sejam expostos os requisitos formais e materiais postos pela Universidade em questão, de forma técnica e em observância a um jornalismo que escape da menor qualificação dada à profissão pelo Min. Gilmar Mendes. Que haja investigação e informação suficiente à formação de parte ou de todo o juízo do leitor, tendo este conhecimento daquilo que quer criticar. E que seja sempre lembrado que o indivíduo em questão é um homem, mas não um “deus”. Assim, obviamente, terá acertos que merecem valoração positiva e, claro, defeitos que mereçam a justa crítica, criticando sempre com fundamento, afastando-se da conduta de quem vê a crítica como um fim em si mesma.