Ediel Rangel
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Política 17/Jun/2016 às 12:00
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Que democracia é essa?

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Imagem: Creative Commons

Ediel Rangel*, Pragmatismo Político

Com tanto caos político que vivemos aqui, na terra dos Tupiniquins, onde alguns políticos podem ter a sua idade determinada apenas por teste de carbono 14 ainda estão intocáveis em suas atividades parlamentares; onde outros, com tantas provas contra si, são mais escorregadios do que sabonete envolto em vaselina (Sim, me refiro ao Cunha que ainda não foi cassado). Onde as negociatas e as chantagens não são mais escondidas, são até noticiadas, televisionadas. Ora, que democracia é esta onde a representatividade popular é suprida por interesses pessoais, partidários e de grandes capitais?

É isso que se sente. O povo não é representado pelo congresso. E a prova foi televisionada no dia da vergonhosa votação do congresso para o impeachment da Presidenta Dilma.

“Pela minha família… Pelo meu filho… Pelo meu neto… Pela minha esposa que amo mais que minha amante… Pelos corretores de imóveis… Pela maçonaria… Pelo pov… Não, esse não.” Só faltou algum outro pouco dotado de massa encefálica dedicar o seu voto aos irmãos Koch ou outra coisa mais sinistra. Eu não ficaria admirado. Mas o que me admira é pensar o quanto é falho o nosso sistema político-democrático.

Escolhemos mesmo quem irá nos representar? Escolhemos de fato quem será o nosso prefeito/prefeita, presidente/presidenta ou governador/governadora?

Não! A resposta é não. Nós não escolhemos ninguém, apenas votamos nos escolhidos e elegemos quem tem maior capital para realizar uma boa propaganda e contratar a melhor equipe de estrategistas e marqueteiros. E isso, camaradas, ocorre desde as grandes capitais às pequenas cidades do interior de nosso país.

Os grupos políticos começam a se formar com um intuito único: vencer das eleições para se beneficiarem. Reúnem-se e escolhem dentro de seus grupos o que melhor irá representar o partido, o grupo, não o povo.

Infelizmente, no Brasil, há pouca ideologia partidária. Poucos votam em um partido pela ideologia seguida. Sou mais ousado e afirmo que são poucos os que observam qual é o partido de seu candidato e quais são as posturas do mesmo. O que vale é o marketing pessoal do candidato (e com muita maquiagem).

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Ora, as bancadas BBB explicam bem como isso é feito. Escolhem e injetam grana com o intuito de eleger candidatos para a sua bancada, para lutar por seus interesses específicos, por seus negócios, por suas finanças e, se sobrar tempo, pelo povão.

A verdadeira democracia deve vir do poder do povo e para o povo; um poder direto e não dessa forma medíocre, de migalhas que caem da mesa – assim como estamos acostumados –, onde o “poder” é temporal: sendo mais específico, a cada eleição. Aí o povo é lembrado, é requisitado e é importante. É nessa época que os nossos políticos dão exemplo de humildade em cadeia nacional, para pedirem os nossos sagrados votos.

Quando surge uma oportunidade de ser dar poder ao povo ou, pelo menos, de permitir uma maior participação nas decisões públicas, os nossos representantes logo dão um jeito de “podar” essa possibilidade a qualquer custo. A exemplo, a reprovação da proposta da implantação da Política Nacional de Participação Social (PNPS), a qual estabelece consulta a conselhos populares por órgãos do governo antes de decisões sobre a implementação de políticas públicas. Veja bem, os conselhos seriam consultivos e seriam uma forma da população local ser ouvida sobre determinada política a ser implantada. O que temos hoje é uma forma horizontalizada de imposição de políticas públicas, muitas vezes de forma engessada, sem levar em consideração as peculiaridades regionais que só quem ali vive e convive sabe diferenciar. Mas qual é o medo do congresso? O medo é de perderem poder. Medo de quem os elegeu e não representam. Medo do povo.

Temos um sistema eleitoral-político falho e de eleições indiretas. Tem de haver uma reforma política profunda, que quebrará velhos paradigmas democráticos. Talvez, até uma mudança na forma que acreditamos, hoje, ser uma democracia.

*Ediel Rangel é graduado em Sistemas de Informação pelo Instituto Doctum de Educação e Tecnologia, graduando em Ciências Contábeis pela UFVJM, mestrando em Tecnologia, Ambiente e Sociedade pela UFVJM, autor do Blog Ediel Rangel e colaborou para Pragmatismo Político.

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Comentários

  1. João Paulo Postado em 17/Jun/2016 às 14:13

    A democracia e a Igreja Católica têm muito em comum: formas menos violentas de perpetuar a segmentação de classes. E só.

  2. Jonas Schlesinger Postado em 17/Jun/2016 às 14:46

    Aqui devia ser assim: votarmos em representantes e esses representantes votarem para o presidente assim como é nos EUA