Redação Pragmatismo
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Política 29/Mar/2016 às 16:04
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O “jogo acabou” ou ainda é possível barrar o golpe?

Guerra psicológica em curso: mesmo com Michel Temer, oposição hoje não reúne votos para dar o golpe. Temer, Eduardo Cunha, Serra, Aécio e Rede Globo têm como estratégia criar uma onda, um clima de que “acabou o jogo”, mas a realidade é que a disputa vai se estender por semanas. As ruas, as redes sociais e o STF terão papel fundamental

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Michel Temer e Eduardo Cunha (reprodução)

Rodrigo Vianna, Escrevinhador

Hoje (terça-feira, 29 de março) é dia de guerra psicológica. E essa guerra vai se estender por semanas. Por isso, muita calma nessa hora.

Entidades empresariais (as mesmas que apoiaram o golpe de 64) pagam anúncios gigantes em jornais defendendo o golpe jurídico/parlamentar contra Dilma. E o PMDB (com transmissão pela TV) anuncia rompimento formal com governo.

O objetivo de Temer/Cunha/Globo/Serra é criar uma onda, um clima de que “acabou o jogo”.

Isso é falso!

A oposição, mesmo com adesão oficial do PMDB e de Michel Temer, não tem 342 votos para dar o golpe. Ainda não tem. Poderá ter mais à frente? Quem sabe…

Mil conversas estão rolando: pedaços do PR, PSD e PP podem ocupar no governo os espaços abertos por Temer e seus traidores.

E atenção ao PRB: PT articula nos bastidores o apoio oficial a Crivella na disputa pela Prefeitura do Rio, além de mais espaço no ministério – o que em tese poderia garantir 24 votos do partido contra o impeachment. As conversas avançam rapidamente, e podemos ter surpresas nas próximas horas.

Claro que esse jogo é volátil. Muda a cada minuto. Faz parte do jogo desanimar o campo adversário com uma onda de “agora já era”.

Com pedaços do PR/PP/PSD, o governo poderia sim reunir tranquilamente 30 votos na Câmara (principalmente nas bancadas do Norte/Nordeste). Contaria, ainda, com ao menos 10 dissidentes do PMDB (nem todos os ministros entregarão cargos, alguns têm capacidade de reunir pequenas “bancadas” avulsas). E mais a articulação com o PRB.

Reparem: isso poderia garantir em torno de 65 votos. Seriam suficientes para (somados aos 110 votos da bancada de esquerda, firmemente contra o golpe na Câmara) barrar o impeachment.

Reparem também que, desses 65 votos de centro-direita que o governo precisa garantir nos próximos dias, nem todos precisam ir a plenário e votar “não” ao impeachment. Basta que se abstenham.

Fora isso, há reação nas ruas: a OAB golpista foi escorraçada na Câmara, um acampamento contra o golpe foi montado em São Paulo, e o dia 31 vem aí com marchas em Brasília e acampamentos contra o golpe Brasil afora.

E lembro a ação do jornalista Juca Kfouri, que sozinho pôs pra correr arruaceiros fascistas que o incomodavam de madrugada, em frente de casa – o que indica o caminho da indignação cívica e democrática contra o golpe, para além de qualquer defesa do PT (clique aqui para saber mais sobre a reação de Juca).

Isso tudo quer dizer que Dilma, necessariamente, fica?

Não. Quer dizer que o jogo está sendo jogado. E que a direita partidária, empresarial e midiática pretende desanimar a turma do lado de cá. Pelo que tenho visto nas ruas e nas redes, essa tentativa vai falhar.

Há cerca de 20% do país decidido a ir pra guerra contra o golpe. Se a esse pessoal o governo conseguir agregar setores centristas, mostrando que o golpe é paulista e joga contra os interesses do Norte/Nordeste, o impeachment será barrado. No voto.

Sem contar que há novidades para surgir no STF nos próximos dias. O tribunal pode ser instado a paralisar o processo de impeachment – já que o presidente da Câmara e ao menos 30 dos integrantes da comissão especial estão sob grave suspeita.

Mais que isso. Devemos ter claro que a defesa da democracia terá que se estender por muitos meses. Aconteça o que acontecer!

Se Dilma derrotar o impeachment, o país seguirá conflagrado. Mas ao menos teremos claro quem é quem. Teremos um governo sitiado, com uma base parlamentar pequena mas sólida. Temer terá ganho a pecha de traidor, de porteiro de filme de terror. E a esquerda poderá se recompor em outras bases. Na rua.

E se, ao contrário, Temer/Serra/Cunha/FIESP/Gilmar/Globo ganharem e derem o golpe, terão um governo insustentável, porque as ruas vão virar um inferno.

Portanto, não é hora de desespero, nem de euforia. O outro lado é muito forte. Mas não terá um passeio no parque pela frente.

Não está escrito nas estrelas, nem na tela da Globo, que o golpe paulista vai vingar. Com ou sem PMDB, pode ser barrado: nas redes, nas ruas e na ação miúda do governo.

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Comentários

  1. renan Postado em 29/Mar/2016 às 17:43

    So pra entender... Quem é contra o governo atual é fascista, golpista e PSDB? Ou pode ser contra sem ser tudo isso?

    • Thiago Teixeira Postado em 29/Mar/2016 às 18:14

      Também queria entender, quem é contra o golpe é petista, petralha, comprado, vagabundo, cotista, presidiário, funcionário público, comunista, corrupto, mortadela ou podemos ter o direito de discordar das manobras golpistas sem estes rótulos?

    • Marcos Arantes Postado em 29/Mar/2016 às 18:23

      Caro Renan, essa é a tática usada.... não conseguem entender que a pessoa pode ser contra o pior governo da história e não ser PSDB, não concordar com nenhum golpe, não ser fascista, muito menos concordar com a abordagem política realizada pela rede globo. Absurdo colocar todos os gatos no mesmo balaio. Talvez o façam por ser difícil aceitar os podres de Lula e seus cupinchas!! Por mim, FHC, Lula, Aécio, Cunha, Renan, poderiam ser enjaulados na mesma cela. Faria um bem danado ao país!

    • Wylie Postado em 29/Mar/2016 às 19:36

      Você esqueceu de Analfabeto Politico, Milionario, Coxinha e Neonazista.

    • João Paulo Postado em 29/Mar/2016 às 20:22

      Pode ser contra o Governo ou contra o que você quiser. E exercitar livremente seu voto e sua opinião, ao menos por enquanto. Só não pode derrubar a Presidenta ilegitimamente, porque isso o torna golpista, PSDBista, midiota, débil mental e mal intencionado.

    • Eduardo Ribeiro Postado em 29/Mar/2016 às 20:48

      Sim, pode ser contra sem ser tudo isso. Claro que pode. E sim, quem é contra o governo atual, na maioria massacrante dos casos e beirando a totalidade, é efetivamente "golpista e PSDB" ou coisa pior.

    • Ricardo Postado em 30/Mar/2016 às 12:24

      Não, não é. Eu sou contra a política do atual governo, mas não quero jogar fora nossas instituições democráticas. Agora, se vc é contra o governo e acha que vale a pena violar os direitos e garantias fundamentais e corromper o regime democrático, bem, além de golpista, é, sim, fascista.

  2. João Paulo Postado em 29/Mar/2016 às 18:19

    Há um fato positivo nesta debandada: essa escória desgraçada do PMDB não volta mais ao Planalto até 2019. Nada será aprovado neste Congresso infeliz, mas o Executivo poderá implementar suas políticas sociais e econômicas com menos negociatas.

    • Ricardo Postado em 30/Mar/2016 às 12:27

      É, mas não esquece que o Congresso Nacional tem poder para derrubar o veto presidencial por sua maioria absoluta... Então, não temos garantia de nada...

  3. Alan Kevedo Postado em 29/Mar/2016 às 18:53

    LEMBRO-ME de bons filmes de nomes terminados em ido, ou ado, como OS ACOSSADOS, OS PERSEGUIDOS. AGORA A VIDA REAL SUPERA A TRAMA FICCIONAL E OFERTA AO MUNDO OS ODIADOS.

  4. Nelo de Carvalho Postado em 29/Mar/2016 às 19:01

    Eu sou contra o governo, mas não sou a favor do golpe ou tal impecheament que para mim é golpe. Até porque Dilma não é acusada de nada. Criminosos não podem julgar inocentes e pessoas decentes.

  5. Claudio de Souza Gomes Postado em 29/Mar/2016 às 19:10

    O episódio de escorraçar os baderneiros, conforme veiculado nas redes, foi protagonizado por Ciro Gomes e não pelo Juca Kfouri. Ou aconteceram os dois fatos ?

    • Ricardo Postado em 30/Mar/2016 às 12:27

      Aconteceram os dois.

  6. Sérgio Postado em 29/Mar/2016 às 20:13

    Brava Gente Brasileira Longe VÁ Temor Servil https://www.youtube.com/watch?v=eG3fvVrMXwk&list=RDeG3fvVrMXwk#t=231 Já podeis da Pátria filhos Ver contente a Mãe gentil; Já raiou a Liberdade No Horizonte do Brasil Já raiou a Liberdade Já raiou a Liberdade No Horizonte do Brasil Brava Gente Brasileira Longe vá temor servil; Ou ficar a Pátria livre, Ou morrer pelo Brasil. Ou ficar a Pátria livre, Ou morrer pelo Brasil. Os grilhões que nos forjava Da perfídia astuto ardil, Houve Mão mais poderosa, Zombou deles o Brasil. Houve Mão mais poderosa Houve Mão mais poderosa Zombou deles o Brasil. Brava Gente Brasileira Longe vá temor servil; Ou ficar a Pátria livre, Ou morrer pelo Brasil. Ou ficar a Pátria livre, Ou morrer pelo Brasil. Não temais ímpias falanges, Que apresentam face hostil: Vossos peitos, vossos braços São muralhas do Brasil. Vossos peitos, vossos braços Vossos peitos, vossos braços São muralhas do Brasil. Brava Gente Brasileira Longe vá temor servil; Ou ficar a Pátria livre, Ou morrer pelo Brasil. Ou ficar a Pátria livre, Ou morrer pelo Brasil. Parabéns oh Brasileiros, Já com garbo juvenil Do Universo entre as Nações Resplandece a do Brasil. Do Universo entre as Nações Do Universo entre as Nações Resplandece a do Brasil. Brava Gente Brasileira Longe vá temor servil; Ou ficar a Pátria livre, Ou morrer pelo Brasil. Ou ficar a Pátria livre, Ou morrer pelo Brasil.

  7. Júlio Postado em 29/Mar/2016 às 23:31

    Sou crítico repetitivo da aliança PT / PMDB que teve como justificativa atingir a governabilidade. Quem optou em se aliar com o PMDB e a sua história farsante sabia dos riscos. Estamos pagando o preço por mais uma das péssimas decisões do PT.

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