Redação Pragmatismo
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Religião 01/Mar/2016 às 14:37
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O encontro pouco amistoso entre o Papa Francisco e Mauricio Macri

Papa recebe Maurício Macri com frieza num breve encontro no Vaticano. Francisco confirma que não visitará a Argentina em 2016 e evidencia a distância com o novo presidente do seu país

Papa Francisco Maurício Macri

Os dois argentinos mais importantes e poderosos, o papa Francisco e o presidente Mauricio Macri, enfim celebraram seu primeiro encontro no Vaticano.

Macri viajou a Roma para aplainar uma relação com o Papa que parecia complexa já antes de sua chegada ao Governo. Mas os gestos indicam que as coisas saíram pior que o esperado. O encontro durou apenas 22 minutos, o rosto de Francisco era muito sério, frio.

Segundo o presidente, o Papa confirmou que também não viajará à Argentina em 2016, mas garante que o fará “o mais breve possível”. Francisco está percorrendo o continente desde que é Papa – Brasil, Paraguai, Bolívia, México –, mas até agora evitou seu país.

Existem dois fatores que medem o índice de cordialidade dos encontros do papa Francisco com os mandatários estrangeiros. Um é seu rosto durante o tradicional intercâmbio de presentes. O outro, a duração do encontro privado. E, nesta ocasião, os dois fatores falam de um encontro frio, especialmente em se tratando de um Papa argentino e o presidente de seu país.

Comparem-se o rosto e as brincadeiras de Jorge Mario Bergoglio com Barack Obama, Raúl Castro ou mesmo na última audiência com o rei Juan Carlos, e sua atitude diante de Mauricio Macri. Um rosto sério, comedido, sem nenhum indício de cumplicidade ou as brincadeiras que já fazem parte da estratégia do primeiro Papa latino-americano para propiciar o diálogo até com quem – do ponto de vista religioso, cultural ou político – está mais distante de suas convicções.

Os argentinos veem, há três anos, uma cara de Jorge Bergoglio que não conheciam. Um Francisco risonho, entusiasta, sempre sorridente, feliz. Quando era arcebispo de Buenos Aires, o Papa aparecia em público quase sempre mal-humorado, duro, em combate permanente para defender suas ideias.

O comentário mais recorrente na Argentina assim que começaram a ser divulgadas imagens do encontro do Papa com Macri é que havia voltado aquela expressão dura, séria, distante. O presidente argentino insistiu que a reunião tinha sido “muito boa”, mas ele e seu principal assessor, o equatoriano Jaime Durán Barba, sabem melhor que ninguém que a política moderna é feita com imagens e a que ficará é esse gesto de Francisco.

“Bom dia, senhor presidente”, foi o cumprimento do Papa, ao que Macri respondeu: “Como vai, Francisco? É um prazer”. A seguir se dirigiram à biblioteca do Palácio Apostólico.

O verdadeiro conteúdo da conversa não costuma ser revelado, mas alguns mandatários – como no caso de Macri – costumam comentar alguns detalhes com a imprensa. O presidente argentino disse que Bergoglio pediu que tivesse “paciência” à frente do Governo da nação, e que não hesitasse na hora de enfrentar os dois principais problemas da Argentina: “O narcotráfico e a corrupção”.

Segundo a sala de imprensa do Vaticano, que em geral não dá muitos detalhes sobre esse tipo de encontro, durante o transcurso da conversa, qualificada como “cordial”, foram abordados temas “de mútuo interesse”, entre eles “a ajuda ao desenvolvimento integral, o respeito aos direitos humanos, o combate à pobreza e ao narcotráfico, a justiça, a paz e a reconciliação social”. Temas talvez muito numerosos e graves para serem tratados em 22 minutos.

Macri queria que a viagem a Roma servisse para desfazer o mito de sua má relação com o Papa, que ele desmente toda vez que lhe perguntam. Mas as imagens que chegaram a todos os argentinos servirão, sobretudo, para consolidar essa ideia.

EL País

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Comentários

  1. poliana Postado em 01/Mar/2016 às 16:30

    eu sempre soube q esse papa era comunista!! taí a prova! só pra deixar claro, fui irônica! rsrs

    • henrique Postado em 01/Mar/2016 às 17:03

      kkkkkk!

  2. Rodrigo Postado em 01/Mar/2016 às 18:04

    (Outro Rodrigo) De todas as imagens do momento, essa foi a conveniente para exploração? Não caberia um "outro lado", em vez da mera reprodução de uma matéria do "El País"? Digo isso não para defender Macri ou o Papa, mas apenas para seguir o que este próprio blog disse, quando da crítica à falsa notícia sobre desabastecimento de pasta de dentes na Venezuela e alegada justificativa de uma ministra. Assim, vendo os vídeos no youtube e mesmo as imagens na internet, chegamos a uma conclusão diferente daquela particularmente lançada pelo jornalista que interpretou as fotos e escreveu a matéria. Em tempo, interessante a postagem da Paróquia Nossa Senhora da Luz, frente a uma foto do Papa sorridente com a família Macri: "Direto de Roma: Papa Francisco recebe cordialmente o presidente da Argentina Maurício Macri. Ao contrário do que alguns veículos estão divulgando as imagens provam que não foi um encontro "frio". Eles se encontraram e trataram de assuntos do país natal de ambos. Repetindo o pedido do Vaticano: cuidado com as informações oriundas de veículos de comunicação não-católicos.".

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