Redação Pragmatismo
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Justiça 07/Mar/2016 às 16:59
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Capoteiro intimado por engano revela como foi depor para Moro na Lava Jato

"Uai, eu fiquei meio assim: será que usaram meu nome nesse trem? Esse juiz, como é mesmo que ele se chama? Sérgio? Eu falei que eu era capoteiro, ele ficou rindo". Homem que depôs por engano na Lava Jato explica como foi o processo de intimação e como se sentiu durante o depoimento a Moro

capoteiro moro Lava Jato
O capoteiro Jorge Washington Blanco roubou a cena na Lava Jato (reprodução)

Um homônimo roubou a cena da investigação da Operação Lava Jato na última semana, frente à Justiça Federal do Paraná.

O capoteiro de veículos Jorge Washington Blanco, de Belo Horizonte, prestou, por videoconferência, ao juiz federal Sérgio Moro (veja aqui).

Blanco havia sido arrolado como uma das testemunhas de acusação, no processo em que é réu o pecuarista José Carlos Bumlai.. A outra era o administrador Sandro Tordi, ex-presidente do Banco Schahin.

De camiseta azul, Jorge Blanco respondeu a todas as perguntas. A primeira foi do Ministério Público Federal.

O procurador Diogo Castor de Mattos perguntou: “O senhor pode esclarecer sua atividade profissional durante o ano de 2009?”, questionou Mattos. “Eu sou capoteiro”, respondeu Jorge Blanco.

Em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo, Jorge Washington Blanco revela como recebeu a intimação e o que sentiu durante o depoimento para a Lava Jato. Confira trechos a seguir:

Chamaram o sr para depor por engano?

JORGE WASHINGTON BLANCO: Me chamou lá, fez um ‘cado’ de pergunta de uns negócios que eu nunca tinha ouvido falar, de banco, um cara que eu nunca ouvi falar nele. Me perguntaram a profissão, aí falou que podia acabar as perguntas. Falou que eu estava liberado. Ficaram foi rindo porque viram que a minha profissão era totalmente diferente da que eles estavam querendo.

O que o sr pensou quando recebeu a intimação?

JORGE WASHINGTON BLANCO: Uai, eu fiquei meio assim, falei: será que usaram meu nome nesse trem? Eu nunca me envolvi com nada errado. De uma hora pra outra aparece negócio de Lava Jato, coisa que eu vejo falar na televisão.

O sr trabalha como capoteiro há quantos anos?

Ah, desde menino, desde criança.

Quando recebeu o papel?

JORGE WASHINGTON BLANCO: Semana retrasada. Inclusive, foi até um amigo meu, ele é oficial de Justiça. Ele entregou, eu achei que ele estava brincando. Falou: isso aqui é aquele negócio da Lava Jato, daquele Cerveró, da Petrobrás. Eu falei: ‘que que é isso?’. Eu achei que era brincadeira. Mas depois vi que era um negócio mais sério. Falei: Não vou deixar de ir lá, não, porque eu tenho nada de errado. Tenho que ir lá ver o que é isso.

O sr estava chegando em casa?

JORGE WASHINGTON BLANCO: Ele chegou, eu estava guardando o carro na garagem. Inclusive, o irmão desse cara, eu conheço há muito tempo. Eu tinha passado em um supermercado em BH e encontrei o irmão dele lá. Perguntei por ele (o oficial de Justiça) e. por coincidência, ele mesmo é que foi levar a intimação para mim. Falei com ele: encontrei seu irmão agora, perguntei por você. Ele falou: eu vim trazer a intimação para você. Eu vi que saiu na internet a videoconferência. Para você ver que não é brincadeira. Tem alguém com esse mesmo nome meu?

Acho que tem.

JORGE WASHINGTON BLANCO: Agora que eu estou lembrando. Eu vi na internet que tem um Jorge Washington Blanco Boccoli. Esse juiz… Como é mesmo que ele se chama? É Sérgio…

Moro.

JORGE WASHINGTON BLANCO: Eu falei que eu era capoteiro, ele ficou rindo.

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Comentários

  1. Deisi Postado em 07/Mar/2016 às 21:44

    Seria cômico se não fosse trágico! É o fim do mundo.

    • Eduardo Postado em 08/Mar/2016 às 00:15

      realmente.... como pode ter seriedade uma loucura destas....volto a dizer, um só juiz para uma causa tão grande só pode dar nisto, intimação errada, prisão errada, desrespeito as leis... no fim quem perde é o país, pois fica inválido todo trabalho pela sucessão de erros....ou esses erros também não custam dinheiro público....

    • Rosali de Rosa Cantlin Postado em 08/Mar/2016 às 00:21

      Mais uma prova da "competência" deles. Sempre correndo atrás de inocentes e deixando os bandidos de fora.

    • Dinio Postado em 08/Mar/2016 às 12:07

      Não é cômico...é ultrajante! É um coice na cara do Brasileiro que madruga pra trazer o pão pra sua família e descobre que paga uma fortuna de salário à uma elite protegida que pensa que faz justiça, mas que na verdade se esconde sob o manto protetor do judi$iário Brasileiro. Em uma Justiça realmente séria e honesta, eles seriam punidos e não ficariam rindo da cara do povo brasileiro. verdadeiros CANALHAS E COVARDES !

  2. Alan Kevedo Postado em 07/Mar/2016 às 22:07

    Nois tamém tá tudu cunfusu. Oia o Fernando Beira-amar, ninguém tem nadica cum isso de ele afogá o ganso, mas ficá no PSDB que num sabe nada di democracia, já é dimais, Outra coisa, seu Cunha que trate de pensá nu futuru e largá de mão de acunstrui shopis e faz logo um big túnel que ligue o Supremo a uma peniteçara, purquê se o futuro pertence a Deus vaiavê justiça. Ah! Vai, sim sor.

    • Eduardo Postado em 08/Mar/2016 às 00:17

      amém, sô....

  3. Reinaldo Soares de Souza Postado em 07/Mar/2016 às 22:37

    Falar o que diante desse mico e ainda mais desrespeitoso,sendo motivo de chacota.

  4. Jonas Schlesinger Postado em 07/Mar/2016 às 22:55

    Momentos de leveza numa operação que está num campo de trevas.

    • Eduardo Postado em 08/Mar/2016 às 00:18

      amigo, leveza.... intimação de juiz federal que prende para depois perguntar.... não sei como ele não foi preso antes de ser interrogado, ele deu foi sorte....

  5. Onda Vermelha Postado em 08/Mar/2016 às 01:58

    Kkkkkkk. Mais uma para galeria das trapalhadas desse Juizeco Sérgio Moro e a famosa "trupe" da Força Tarefa da Lava-Jato. Afoitos em busca de holofotes da mídia hegemônica, cometem ilegalidades em série... Desnecessário lembrar do grotesco caso da cunhada do João Vaccari, claro! Nesse "circo" até um "japonês bonzinho" condenado por contrabando virou "estrela" e "máscara de carnaval". E aí? Me conta uma coisa. Vai sair no JN? Hehehe! Agora deveria processar o Estado(a Vara do Moro) por todo o constrangimento e ter sua imagem exposta! #ForaRedeEsgoto

  6. Iranice Postado em 08/Mar/2016 às 06:59

    A despesa com o Lava Jato, se persistirem na incompetência, vai acabar ficando mais cara que o roubo.

  7. Esmael Leite da Silva Postado em 08/Mar/2016 às 14:17

    Se Dante Alighiere, escrevesse a Divina Comédia nos dias de hoje, o XXXIV canto teria algumas pequenas modificações, descubra quais são e aponte nos comentários, dica: São três. O ultimo verso é de uma beleza imensa e serve de esperança para todas as companheiras e companheiros. Sobre o Inferno descrito canto XXXIV Na Judeca estão os traidores dos seus senhores e benfeitores. No meio está Lúcifer, que com quatro bocas dilacera quatro entre os mais horrendos pecadores: de um lado Judas e Moro, do outro Bruto e Cássio, que mataram a Júlio César. Virgílio, ao qual Dante se agarra, desce pelas costas peludas de Lúcifer até o centro da terra. Dai seguindo o murmúrio de um regato, saem e avistam as estrelas no outro hemisfério. INFERNO - XXXIV Canto VEXILIA regis prodeunt inferni[1] Contra nós; pra diante os olhos tende Disse o Mestre, se a vista já discerne”. Como quando no ar névoa se estende, Ou ao nosso hemisfério a noite desce, Um moinho distante a atenção prende. Um edifício igual verme parece. Tanto era o vento, que eu busquei guarida Atrás do Mestre, que outra não se of’rece. À parte era chegado, onde imergida Cada alma em gelo está (tremo escrevendo), Bem como aresta no cristal contida. Erguidas umas stão, outras jazendo Qual sobre a fronte ou sobre os pés firmada Qual com seus pés o rosto arco fazendo. Quando distância tal foi superada, Que aprouve ao Mestre me tornar patente A criatura bela ao ser formada, Se afastando de mim, disse: “Detém-te! Eis Satanás! Eis o lugar horrendo Em que deves te armar de esforço ingente! Quanto assombrei-me aquele aspecto vendo Não inquiras leitor: não te expressara Com verbo humano o que encarei tremendo. Não morto, porém vivo não ficara. Qual me achava te pinte a fantasia, Se morte ou vida em mim se não depara! Do aflito reino o imperador eu via: Do gelo acima o seio levantava. A um gigante igualar eu poderia, Se um gigante a um seu braço eu comparava! Do todo vede a proporção qual fora, Quando tão vasta a parte se ostentava! Quem foi tão belo, quanto é feio agora, Contra o seu criador a fronte alçando Vera causa é do mal, que o mundo chora. Qual meu espanto há sido em contemplando Três faces na estranhíssima figura![2] Rubra cor na da frente está mostrando; Das outras cada qual, da pádua escura Surdindo, às mais ajunta-se e se ajeita Sobre o crânio da infanda criatura. Entre amarela e branca era a direita; A cor a esquerda tem que enluta a gente Do Nilo às margens a viver afeita. Via asas duas sob cada frente, Tão vastas, quanto em ave tal convinham: Velas iguais não abre nau potente. Plumas, como em morcego, elas não tinham; De contínuo agitadas produziam Os três gélidos ventos, que mantinham Os frios, que o Cocito enrijeciam. Chorava por seis olhos, por três mentos Pranto e sangüínea espuma se espargiam. Qual moinho, com dentes truculentos Cada boca um prexito lacerava: Padecem três a um tempo assim tormentos. Mas ao da frente a pena se agravava, Porque das garras o furor constante Do dorso a pele ao pecador rasgava. “O que esperneia em dor mais cruciante” O Mestre disse: “É Juda Iscariote:[3] Prende a cabeça a boca devorante. O outro, nu e sem decoro, Que veio direto, para judeca, É Moro. “Dos dois, que estão pendendo, coube em dote A negra face Bruto: sem gemido Se estorce da dentuça a cada bote. “O outro é Cássio, de membros bem fornido.[4] Mas a partir a noite insta, assomando: Aqui já tudo havemos conhecido”. Do Mestre o colo enlaço por seu mando. Ele em lugar e tempo apropriado, De Lúcifer as asas se alargando, Ao peito hirsuto havia-se agarrado; Depois de velo em velo descendia Entre os ilhais e o lago congelado. Chegado àquela parte, em que se unia Da coxa o extremo dos quadris à altura, Com grande ofego e mor abalo o Guia Pôr a fronte onde os pés firmou procura, Como quem sobe às crinas agarrado:[5] Assim tornar cuidei do inferno à agrura. “Segura-te! Por tais degraus alado” Lasso Virgílio já disse anelante, “Deste império do mal serás tirado”. De uma rocha então sai por fresta hiante; Sobre a borda me assenta cauteloso; Depois a mim se acerca vigilante. Olhos alcei julgando curioso Ver Lúcifer, qual de antes o deixara; De pernas para o ar vi-o em seu pouso! De que enleio a minha alma se tomara, Deixo ao vulgo pensar pouco instruído, Que o ponto não compreende, em que eu passara. “Eia! Vamos!” o Mestre diz querido, “Longa jornada e mau caminho temos; E a meia terça o sol já tem corrido”. De paço em salas nós de andar não temos; Mas de antro natural em solo duro Os passos nossos dirigir devemos. “Antes que eu deixe em todo o abismo escuro Erro, em que estou, meu Mestre, desvanece” Disse erguendo-me um pouco mais seguro. “Onde o gelo? Por que nos aparece Assim Lúcifer posto? E já tão presto, Cessando a noite, o sol nos esclarece?” “Tu cuidas ser, do que ouço é manifesto Lá no centro, onde ao pêlo me prendera Do que atravessa o mundo, verme infesto. “Ali stiveste, enquanto descendera Ao voltar-me do ponto além tens sido, Que o peso atrai na terreal esfera. “Foste àquele hemisfério transferido, Que se opõe ao que a terra está lançado, Em cujo excelso cume há padecido; “Quem nasceu, quem viveu sem ter pecado[6] Sobre uma esfera estreita os pés agora, 117 Da Judeca ao reverso, tens firmado. “É noite lá; nós temos luz nesta hora; E o que nos velos seus nos deu a escada Na postura se firma, em que antes fora. “Caiu aqui da altura sublimada, E a terra, que se alçava entumescente, Do mar fez véu e veio de enfiada “Para o nosso hemisfério de repente. Também fugiu de medo, a que se avista; Vácuo deixando aqui, fez monte ingente”. Lá no profundo há um lugar, que dista Tanto de Belzebú, quanto se estende Seu sepulcro: ali não penetra a vista. Revela-o som de arroio, que descende[7] Por brecha do rochedo, que escavara, Em torno serpeando, e pouco pende. Para voltar do mundo à face clara Nessa vereda escusa penetramos: De nós nenhum de repousar cuidara. Virgílio e eu, logo após, nos elevamos, Té que do ledo céu as cousas belas[8] Por circular aberta divisamos: Saindo a ver tornamos as estrelas.

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