Redação Pragmatismo
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Revista Veja 20/Feb/2016 às 14:00
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Leitor da Veja é ‘absolutamente fascista’, diz historiador

Em palestra sobre as transformações tecnológicas e as mudanças na linguagem, historiador faz análise do discurso da revista Veja. Para ele, a publicação entende a história com "um sentido teleológico", e seus recursos persuasivos querem fundamentar que "a história nos ensina que não deu certo"

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Em dezembro de 2015, o historiador Leandro Karnal fez uma palestra na Universidade Federal de Uberlândia – UFU na qual falou sobre as transformações tecnológicas e as mudanças na linguagem.

Um dos destaques da sua fala foi a análise do discurso da revista Veja. Para ele, a publicação entende a história com “um sentido teleológico“, e seus recursos persuasivos querem fundamentar que “a história nos ensina que não deu certo“.

Abaixo, matéria da Carta Campinas sobre o assunto e íntegra do vídeo da palestra do historiador:

Karnal: ‘quem lê Veja não está dividido com nada, é absolutamente fascista’
Glauco Cortez, Carta Campinas

Em uma palestra primorosa pelo bom humor e pelo conteúdo, o historiador Leandro Karnal arrancou risos da platéia ao expor de forma jocosa, mas também realista, o leitor da revista Veja, a mais reacionária e segregadora do Brasil.

Karnal fez uma palestra para estudantes de história, na Universidade Federal de Uberlândia, mas é fundamental para os analfabetos políticos que decidiram expor suas ideias sobre a política nos últimos anos. O analfabeto político é, por excelência, um sujeito sem referência histórica, visto que a história é, no mínimo, o ABC da política. Chico Buarque que o diga.

Na palestra Tempo, historicidade e tempo líquido, Karnal falou sobre as obras clássicas e necessárias, assim como obras capazes de ter a reflexão rigorosa sem deixar de lado a beleza da narrativa. Ele passou sobre os significados das transformações tecnológicas, na linguagem e falou sobre a vivência atual no mundo de incertezas.

Também mostrou como o Positivismo, que é muito criticado no Brasil, está mais do que presente, inclusive nas bancas de defesas de teses e dissertações. “Ser positivista é um xingamento que atinge a todas as pessoas. Não obstante, em todas as bancas os temas mais tratados são: erros de redação, falhas da ABNT e erros de data. Nós odiamos o Positivismo, mas as bancas são positivistas”, ressaltou.

Também ironizou as três grandes “teologias do século 20”: o empreendedorismo, a prosperidade e a auto-ajuda.

Um dos destaques foi a análise do discurso da Revista Veja, que entende a história com “um sentido teleológico”. Assim, os recursos persuasivos são “a história nos ensina que não deu certo…”, “a história já provou que….” é sempre uma profecia etc. “A história está conduzindo as pessoas à iluminação”, resumiu Karnal.

Mais à frente, ele disse que respeita historiadores que falam ao grande público, mas são honestos com a história, como Laurentino Gomes. “É o lúdico no sentido da grande massa, enfatiza o anedótico em detrimento do analítico”, diz. Para ele, as pessoas não estão divididas entre ler história de uma forma lúdica ou um texto de Jugen Habermas, autor alemão bastante hermético. E sentenciou: “quem lê a revista Veja não está dividido com nada; é absolutamente fascista, tapado, em qualquer sentido”. E tirou gargalhadas da platéia.

Poderia dizer em que momento estão essas falas sobre a revista Veja, mas você perderia uma bela palestra. Bom programa:

Leia também:
O desafio de conversar com um fascista
O que esperar de fascistas?

Jornal GGN

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Comentários

  1. Alan Kevedo Postado em 20/Feb/2016 às 16:50

    É AQUELE PESSOAL DA BANDA DAS PANELAS UIVANTES QUE LÊ MEIN KAMPF?

    • Rogerio Postado em 20/Feb/2016 às 19:30

      Tudo raivoso por causa do sucesso do PT. Veja mente. Lula é o cara. Os coxa pira.

      • Smith Postado em 22/Feb/2016 às 12:38

        O PT vem fazendo um sucesso danado, lá na Papuda!!!

    • Ueder Cardoso Postado em 21/Feb/2016 às 00:49

      Tem algum problema sobre a obra "Mein Kampf"? Dá para perceber que você não é da área de humanas. É fundamental de humanas ler "Mein Kampf" principalmente que estudam história.

  2. Carlos Prado Postado em 20/Feb/2016 às 17:11

    Precisa gastar um doutorado para falar uma merda dessas? Interessante que o mesmo que ele fala de positivistas vê-se com a palavra "fascista". Um bando de fascistas chamando os outros de fascistas!

    • Felipe Postado em 20/Feb/2016 às 23:12

      Virou a palavra da moda, todo mundo sai falando sem saber o sentido histórico da palavra.

      • Jonas Schlesinger Postado em 21/Feb/2016 às 00:26

        Opa, quer dizer que uma pessoa que toca panela gourmet, em higienópolis, que é xenófobo e usa lentes de contatos da óticas boris de 2 mil reais não é fascista? Sair para rua gritando pena de morte não é fascista? Vê um nego na rua e desvia de calçada, não é fascista? É sim senhor. Eu lia a Veja, minha família toda lia, hoje apenas o meu pai, mas a minha namorada que é esquerdista me abriu os olhos.

      • Rafael Postado em 22/Feb/2016 às 11:57

        Jonas, não entendi o que você quis dizer com "fascistas", no seu texto, porque não achei qualquer correlação com o termo e as definições que você julga serem corretas ao termo.

  3. Deisi Postado em 20/Feb/2016 às 22:20

    Não tenho dúvidas, todos coxinhas são leitores da Veja

  4. Ueder Cardoso Postado em 21/Feb/2016 às 00:11

    Eu amontava este lego quando criança junto com minha irmã. :)

  5. André Postado em 21/Feb/2016 às 04:09

    Lembro que há alguns anos, meu pai deixou de comprar a Veja. Dizia que ela era muito persuasiva na sua linguagem e tal. Hoje, em 2016, ele voltou a comprá-la (creio que tenha a ver a insatisfação dele com o PT no poder. Agora ele tem reproduzido ideias que eu não imaginava que pudessem vir dele, um dia. Virou um hater pessimista, sei lá). E eu, vendo toda reputação podre que a Veja conquistou, me posiciono contra isso.

  6. Pedro Postado em 21/Feb/2016 às 07:30

    O professor, no fim da palestra, observou a importância do "lúdico" na apresentação do trabalho histórico. Não tenho estatura para concorda ou discordar dele, mas ele mesmo oferece um ótimo exemplo: os trabalhos mais antigos de Hobsbawm, como Era das Revoluções, foram redigidos com qualidade inferior a trabalhos recentes. Ok, mas os trabalhos menos lúdicos, ie, sem qualidade literária, traziam menor conteúdo histórico e analítico fidedigno? E o que dizer de trabalhos lúdicos que cometem falhas graves de metodologia e factualidade. Pode-se argumentar que as "obras" do Narloch são "lúdicas" para o publico dele. Nos EUA, o Bill O'Reilley escreve livros sobre presidentes e diz que esta escrevendo livros de historia: trazem prazer para os seus pobres leitores, portanto são lúdicos para essa audiência. O critério "lúdico", e a qualidade "poética" das obras em historia ou qualquer outra area de humanas fora da literatura, não deveriam ter um papel tao importante. O conteúdo e a qualidade analítica são a razão para executar os trabalhos: literatura é talento artístico, e não necessariamente coincide com o rigor analítico. De resto, muito engraçada a palestra.

  7. Vera Lucia Postado em 21/Feb/2016 às 09:41

    Li em um comentário da internet que para os que odeiam o Lula e o PT Veja passou a ser um instrumento de auto-ajuda.

  8. Wladimir Teixeira Postado em 21/Feb/2016 às 12:57

    É persuasiva, sem dúvida, mas VEJA é CONSEQUÊNCIA e não CAUSA do fascismo da "sociedade" ( coxinhas, não O POVO )

  9. eu daqui Postado em 22/Feb/2016 às 09:19

    Sinal dos tempos: historiador e nazista. Não leio Veja mas é extremismo aplicar um termo tão pesado a alguem que exerce seu direito de escolha de ler ou não ler: e depois o outro é que é facista.....???????????????

  10. Galvão Postado em 22/Feb/2016 às 09:42

    Como disse uma vez um internauta. VEJA NÃO SERVE NEM COMO PAPEL HIGIÊNICO. ELA JÁ VEM USADA. Parabéns ao Professor Leandro Karnal pela sua visão clara dos fatos e acontecimentos, suas palestras sempre muito inteligentes, com certeza ajuda a muitos a entenderem a realidade que estamos vivendo.

  11. Ingrid Postado em 22/Feb/2016 às 12:48

    Eu leio fontes confiáveis e fontes tendenciosas, acho que como você analisa o que lê e como você busca informação é que é importante . Ler Veja, Antagonista ou Pragmatismo Politico procurando verdades sem manipulação é ingenuidade.

  12. Antônio Palhares Postado em 23/Feb/2016 às 10:42

    Não leio este lixo nem em sala de espera de dentista.

  13. Graziella Postado em 12/May/2016 às 01:30

    Por mais que eu tenda a comcordar, o historiador refletiu sobre a frase da manchete em sua página do facebook: "Verba Volant e eu me retrato Muitas vezes , ao longo destas décadas, disse coisas grosseiras a pessoas e acabei tendo de pedir desculpas. O momento de raiva, a vaidade, o descontrole: todos as pequenas e grandes sombras do meu mundo interior podem assomar numa guerra relâmpago com minha derrotada serenidade. Tento o conselho de Hamlet: mostre-me um homem que não é escravo das paixões e eu o seguirei. Isto também acontece com a atividade acadêmica. Falando de pé, em meio a uma plateia, por vezes, escapa algo impensado, seduzido pelo impacto orgulhoso das palavras. Tenho tomado cada vez mais cuidado com isto. Quero melhorar muito. Tenho vários exemplos. Uma frase que me incomoda ter dito é que todo leitor da revista Veja é fascista. A frase contém, ao menos, dois erros. O primeiro: a generalização, algo perigoso e tomado pelo cliché. O segundo é um equívoco teórico: conservadorismo é distinto de fascismo. Insultar com a palavra fascismo a todo conservador é um recurso retórico, eficaz, mas duvidoso quanto à agudeza. Fui culpado de ter cedido a esta tentação. É um erro e eu peço desculpas. Provavelmente, há muitos leitores de Veja que são conservadores. Suponho que possa até existir um ou mais fascistas a ler Veja. Também suponho que possam existir comunistas a ler Carta Capital, mas nem todo leitor de Carta Capital é comunista. Evitarei a palavra fascista a não ser no contexto específico ao qual ela se aplica. A luta para ser mais sábio continua. Recomendo sempre ao público e aos alunos que fujam de adjetivos. Preciso ouvir meu próprio conselho e evitar o farisaísmo. Quero não me reconhecer neste tipo de frase. Voltando ao Hamlet , pouco antes do duelo fatal, ao pedir desculpas a Laertes; ele argumenta: se a loucura de Hamlet te ofendeu, amigo, ofendeu também a mim. Sou a primeira vítima da vaidade retórica, ou seja, da suprema loucura minha e do mundo. Desculpem-me, do fundo do coração."

  14. Alan Kevedo Postado em 14/Jul/2016 às 14:52

    O DA BÍBLIA, dependendo da exegese, também.

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