Redação Pragmatismo
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Barbárie 26/Jan/2016 às 18:48
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PM justifica assassinato de estudante negro pelas costas: "escorreguei"

PM culpa escorregão por disparo nas costas que matou estudante negro em São Paulo. Jovem de 17 anos foi alvejado por um tiro de pistola .40. Imagens de câmera de segurança flagraram o momento do assassinato. “Ele veio para matar meu filho, não tenho dúvida”, desabafa mãe do garoto

PM jovem tiro assassinado costas
PM mata estudante negro com tiro nas costas e diz que disparo foi causado por escorregão. Câmeras flagraram incidente

André Caramante, Ponte

Imagens da câmera de segurança (assista abaixo) instalada em uma casa do Jardim São João, periferia de Ferraz de Vasconcelos (Grande São Paulo), gravaram o momento da morte do estudante Allan Vasileski, de 17 anos, atingido com um tiro de pistola .40 disparado por um policial militar. O caso aconteceu na última sexta-feira (22/01).

O responsável pelo tiro é o soldado Melquíades Nascimento Dias, de 37 anos. Ao ser interrogado pela Polícia Civil, o militar afirmou que sua arma disparou e acertou as costas de Allan quando ele corria atrás do adolescente e “caiu bruscamente no chão, pois escorregou no piso molhado e acidentado” de uma viela.

As imagens mostram o momento em que Allan e um amigo, também adolescente, surgem correndo pela rua Raul Guerra. Ao se aproximar de um carro Fiat Palio Weekend, Allan tenta dizer algo para um homem que carrega uma criança, mas ele desaba no chão e bate a parte de trás da cabeça.

Na sequência, o soldado Nascimento, do 32º Batalhão da PM, surge nas imagens. Ele está com sua arma em punho. Ao ver Allan desabar, o homem com a criança se afasta e busca abrigo na frente do Palio. É quando o PM Nascimento chega até Allan, o vira, puxa sua blusa e percebe o ferimento do tiro nas costas do jovem.

Vídeo:

O relógio da câmera marca 19h31 quando os primeiros moradores da rua Raul Guerra, logo após o barulho do tiro da .40 do PM Nascimento, começam a cercar o militar e imploram para que ele não deixe Allan morrer.

O PM Nascimento, segundo moradores do Jardim São João ouvidos pela reportagem, tentou, em um primeiro momento, dizer algo para incriminar Allan pela sua morte, mas foi logo repreendido pelos vizinhos do jovem, que viram quando ele apenas fugia da abordagem do militar.

Uma mulher que tentou ajudar Allan foi afastada pelo PM Nascimento ao mesmo tempo em que um menino, com uma camisa de time de futebol vermelha e também amigo do estudante, entra em desespero e coloca as mãos na cabeça ao vê-lo agonizando. Nesse momento, as imagens da câmera já não captam mais nenhum movimento de Allan.

Somente às 19h33, o também policial militar Edwilson Moreira Andrade de Sousa, 35 anos, companheiro de patrulhamento do soldado Nascimento, aparece nas imagens. É possível ver quando Nascimento se aproxima de Andrade e fala algo em seu ouvido.

Trinta segundos após chegar ao local onde Allan está caído, o PM Andrade volta para a mesma viela onde estava antes e deixa Nascimento sozinho. É quando uma vizinha do jovem se ajoelha perto de seu corpo e um morador começa a fazer imagens do militar com um telefone celular. O PM diz que Allan foi o culpado pelo tiro, mas logo os moradores o contestam.

De acordo com a mãe de Allan, Ivani Regina Vasileski, o jovem que acompanhava seu filho no momento da perseguição, e que também aparece nas imagens da câmera de segurança, contou que o PM fazia mira na direção dos dois jovens enquanto os perseguia.

PM liberado

Depois de ouvir as versões do PM Nascimento, de seu companheiro de patrulhamento e de mais dois PMs — também do 32º Batalhão e que nem estavam no Jardim São João quando Allan foi baleado —, o delegado Lourival Zacarias Noronha, da Polícia Civil, resolveu libertar o militar, enquadrado por homicídio culposo (sem intenção de matar).

Os PMs Nascimento e Andrade disseram ter ido ao Jardim São João, no início da noite de 22 de janeiro, após receberem denúncia de que um foragido da Justiça estava no bairro. Ao avistarem o grupo de jovens que conversava com Allan, os PMs tentaram abordá-los, mas o grupo se dispersou.

O PM Andrade disse também que dois homens, cada um em uma motocicleta, foram alcançados por ele no momento da abordagem ao grupo de jovens, mas que não anotou nenhuma informação sobre ambos porque ouviu o barulho de tiro vindo da direção para a qual o militar Nascimento tinha corrido e resolveu ajudá-lo.

O rapaz que acompanhava Allan no momento em que o jovem correu do PM Nascimento não foi encontrado para ser interrogado pela Polícia Civil.

Sem explicar o motivo de sua conclusão, já que o PM Nascimento não afirmou em nenhum momento que Allan tentou roubá-lo, o delegado Lourival Noronha fez a seguinte afirmação no registro da morte do estudante: “Vale ressaltar também a apresentação espontânea [do PM Nascimento]. A parte comunicou de pronto a polícia acerca dos fatos, viabilizando o socorro ao agressor lesionado, comparecendo e prestando as informações devidas nesta unidade policial, bem como exibindo sua arma de fogo, utilizada no revide contra o roubador”.

A Secretaria da Segurança Pública da gestão de Geraldo Alckmim (PSDB), que tem à frente Alexandre de Moraes, informou, por meio de nota oficial, que o PM Nascimento está “recolhido disciplinarmente no 32º Batalhão”. Isso significa que ele ficará cinco dias no batalhão onde trabalha, sem poder ir para casa.

Ainda segundo a Segurança Pública, a Polícia Civil instaurou inquérito policial para investigar a morte de Allan e a Corregedoria da PM (órgão fiscalizador) acompanha o caso.

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Comentários

  1. sidney Postado em 27/Jan/2016 às 01:42

    Pense comigo. O cara da PM acabou de matar meu filho que é inocente. Quem é o responsável? Quem vai pagar por isso? Minha lei é: "olho por olho e dente por dente... vida por vida..." Assim eu vejo a justiça sendo feita na terra.

    • Isabela Postado em 27/Jan/2016 às 17:25

      pela sua lei "olho por olho e dente por dente", deveríamos matar o filho do PM então, certo? Errado, querido.

  2. Cristina Costa Postado em 27/Jan/2016 às 02:51

    Que palhaçada, na próxima o PM vai dizer que espirrou e arma disparou.

  3. Eduardo Ribeiro Postado em 27/Jan/2016 às 10:09

    Nenhuma surpresa. É o "caso isolado" da semana. No caso, da semana passada. Aguardamos tristemente o "caso isolado" dessa semana vir a tona.

    • poliana Postado em 27/Jan/2016 às 15:20

      exatamente, eduardo. nem dá mais ânimo pra comentar...

      • Deisi Postado em 27/Jan/2016 às 15:51

        Verdade Poliana, só um "caso isolado", mas o que mais desanima é que o "escorregão" do PM, não dá nada. A lágrimas e a saudade da mãe sem dúvida, vão com.ela para o túmulo.

  4. Denisbaldo Postado em 27/Jan/2016 às 11:13

    As bolsonetes explicam.

  5. Guilhermo Postado em 27/Jan/2016 às 14:47

    Que horror. Ainda bem que não vivo numa periferia.

  6. Jonas Schlesinger Postado em 27/Jan/2016 às 17:20

    Devia pegar o filho desse policial e torturá-lo e a esposa dele também. Lei do olho por olho, dente por dente. Só assim acaba.

    • Guilhermo Postado em 27/Jan/2016 às 18:34

      Você é troll né? Sério mesmo. Ninguém em sã consciência sugeriria o genocídio em massa do sul do país (como vc fez em outro post) e agora quer que os parentes do policial sofram as consequências pelos atos dele!? Nenhuma pena deve passar da pessoa do condenado etc... Eu já estava desconfiando da sua trolisse, agora tenho certeza. Eu tbm já fui troll em vários sites por aí. kkk, mas nunca fiz comentários de tanto mau gosto.

    • Pedro Postado em 27/Jan/2016 às 19:13

      O que é isso? Você é maluco? Código de Hammurabi? Isso apenas piora tudo. Acabar o que? A violência? O pais precisa mudar, essa calamidade em que vivemos apenas piora com a sua proposta.

  7. Jonas Schlesinger Postado em 27/Jan/2016 às 19:56

    Seu idiota, eu não sou troll, não preciso ser isso para expressar minhas opiniões. Eu digo que enquanto vivermos nesse mar de mediocridade nunca vamos avançar. PM nem era pra existir, desmilitarização seria até uma boa saída pois há psicopatas fardados por aí. E infelizmente, seu Guilhermo, seus vizinhos querem o genocídio do nordeste. E eles estão em sã consciência. Eu tenho certeza que a mãe dessa vítima quer justiça nem que pra isso use o código de Hamurabi. Vocês ditadores de regras burocráticas demagogas nazilísticas estão acabando com os pobres, pretos, mulheres entre outros. Graças a Deus eu já fui assim que nem você, mas uma pessoa iluminada está me ensinando que o vitimismo já chega, agora é partir para a ação. Foi estuprada? Pega o estuprador e tortura, corta o pênis que nem fez o pai daquela menina que pôs o pau do cara na boca dele, já morto; Racismo? Pega uma bacia de tinta preta quente e põe um racista ali dentro pra ver se sofre; homofobia? Pega uns homofóbicos e estupram eles com um cabo de vassoura. Aqui se faz aqui se paga!

    • Carlos Postado em 28/Jan/2016 às 01:40

      Naum era estudante e sim traficante, e correu da polícia. E ele realmente pode ter escorregador.

    • Guilhermo Postado em 28/Jan/2016 às 11:20

      Ficou brabinho? Espero que nenhuma pessoa me ILUMINE dessa forma. Até porque não quero passar o resto da vida numa prisão por um momento de raiva extravasada. Felizmente nunca sofri nenhum tipo de violência. Posso até arriscar dizer que sou um privilegiado, ainda que esteja longe do topo da pirâmide. Lembre-se que no momento que você se vingar, acreditando estar fazendo justiça, outra pessoa se sentirá injustiçada pela sua atitude e tomará a liberdade de se vingar de vc. E um ciclo vicioso de violência animalesca continuará. Sou um pacifista e até agora isso tem dado certo pra mim. Ah... e meus "vizinhos" estão ocupados demais vivendo suas vidas e posso te assegurar que nem sequer lembram da existência do Nordeste, a não ser para tirar férias. Pega seu recalque e vai pra... trollandia. ^^

  8. Márcio Postado em 28/Jan/2016 às 10:49

    E o delegado logo deu a sentença de que o jovem era ladrão.

  9. Yrae Postado em 03/Feb/2016 às 15:45

    Um caso muito semelhante ocorreu nos EUA no ano passado. A diferença consiste na aplicação da lei na prática. No caso do país do Tio Sam, o policial foi condenado á 40 anos de prisão, enquanto no Brasil, se for suspenso é muito. No país, o qual os meios de comunicação, como a Globo, tentam vender como o mais racista do que o nosso, policiais matam negros e a noticia atinge o grande público e há protesto, investigações, pronunciamento do governo federal etc. Aqui, só rindo pra não chorar!