Delmar Bertuol
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Política 14/Jan/2016 às 11:23
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O preço da democracia

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Delmar Bertuol*, Pragmatismo Político

Depois da indignação seletiva, em que a corrupção do PT, e apenas a do PT, ensejaram histéricos bateres de caçarolas gourmets (a corrupção de outros partidos deixaram as panelas sujas em cima da pia, aguardando a empregada limpar noutro dia), agora temos a desconfiança seletiva. A urna eletrônica antes era motivo de orgulho pros brasileiros, que inovaram nessa tecnologia. Contudo, depois que o PT venceu quatro eleições seguidas, ela passou à suspeição.

Por isso, congressistas da oposição (que garantem estar preocupados unicamente com a lisura do processo) propuseram que os votos fossem impressos e, posterior e automaticamente à conferência do eleitor, depositados numa urna pra poderem ser recontados caso algum partido (perdedor, suponho) solicite. Dada essa onda de choros e mimimis dos preteridos, sugiro que nem se faça a contagem eletrônica dos votos, passando direto à manual.

A Presidenta Dilma usou o argumento do Presidente do TSE, Dias Toffoli, na exposição de motivos do veto à proposta: o novo mecanismo custaria ao erário R$ 1,8 bilhões, dinheiro esse que, segundo a Presidenta, o Brasil não pode se dar ao luxo de gastar. Pelo menos não para as próximas eleições.

Ao argumento da Presidente da República e do TSE, parlamentares de oposição subiram à Tribuna do Congresso alegando que a democracia não tem preço. Esses parlamentares que discursaram contra o veto presidencial são os mesmos que, logo depois, subiram à mesma tribuna pra defender o financiamento privado de campanha, alegando que o estado não pode arcar com os custos das propagandas eleitorais. A isso, parlamentares governistas que corroboraram que o Brasil não pode gastar com a implantação do voto impresso, subiram à Tribuna pra defender o financiamento público de campanha. Pense nuns políticos coerentes, esses nossos.

Leia aqui todos os textos de Delmar Bertuol

Em se tratando de democracia, sou um consumidor compulsório. Sou a favor de comprar todo e qualquer apetrecho que venha fortalecer nosso sistema. Se a impressão dos votos trará maior segurança às eleições, que seja implantada independente dos custos. E já no ano que vem. E que se sepultem de vez as doações privadas aos partidos e coligações. Ou alguém acha mesmo que as empresas doam por ideologia? Essas doações, geralmente, nos são cobradas em forma de obras superfaturadas, de contratos comprados, enfim, é o início da corrupção. É o barato que sai muito caro. Sem contar que o debate de ideias fica em segundo plano. Por isso defendo um financiamento público austero, que a palavra austeridade tá em voga por estes dias, de campanha. Quero uma campanha em que nos sejam apresentadas ideias e ideologias. Quero que vença aqueles candidatos que, segundo os eleitores, têm as melhores ideias e proposições e não aqueles que gastaram fortunas pra poluir a cidade com murais e cavaletes com a sua foto (sempre sorrindo) ou com carreatas de congestionamento (pagando a gasolina dos participantes).

A democracia tem seu preço. E é elevado. Mas eu prefiro a mais cara democracia ao mais barato absolutismo. E pra a aprimorarmos (o que deve ser uma constante), temos que pagar R$ 1,8 bilhões pra imprimir o voto e mais não sei quanto pra custear as campanhas (em que, infelizmente, os poluidores cavaletes, os carros de som e as bandeiras se sobressaem à divulgação de ideias).

Mas há também os outros custos não mensuráveis. Os golpistas, por exemplo, devem entender que é da democracia suportar quatro anos de um governo com o qual discordam. Ou dezesseis. Ou, Nossa Senhora do Mimimi, vinte (o PT já pré-lançou Lula como candidato). É a democracia que permite, gostem ou não, que o PT fique dezesseis o vinte anos no poder. É ela que nos premia com o Jair Bolsonaro, com o Jardel e com alguns parlamentares que empregam funcionários fantasmas.

Só a melhora da democracia nos fará melhor socialmente, repito sempre. E isso, de fato, não tem preço.

É a minha opinião. Podem imprimir pra conferir depois.

*Delmar Bertuol é escritor, membro da Academia Montenegrina de Letras, graduando em história e colaborou para Pragmatismo Político

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Comentários

  1. Jean Postado em 14/Jan/2016 às 14:15

    Xonga, quanto te pagam para vomitar todo esse xorume ?

  2. André Nelson Postado em 14/Jan/2016 às 18:06

    MAS NÃO É FRAUDULENTA QUANDO ELEGE ALCKIMIN E RICHA NO PRIMEIRO TURNO NÉ?

    • poliana Postado em 14/Jan/2016 às 21:30

      nem qdo elege a oposição na venezuela..isso o andrexongadiegomariacesarsouzatb n fala...

  3. Eduardo Ribeiro Postado em 15/Jan/2016 às 10:56

    Eu as vezes tenho pena do andre-maria-xonga......deve ser uma vida vazia e triste demais...insistir numa boataria tonta que não se sustenta de pé....está todo mundo cansado de vir aqui e esculhambar de novo, rir de novo, desmentir de novo, esclarecer de novo....e ele volta...dia após dia, trancado no porão, vindo aqui (e sabe deus em quantos outros lugares) pra mentir a mesma mentira, que é idiota e já foi desmistificada, mas ele vem e mente de novo, e de novo, e de novo...que vida mais desgraçada...se pararmos pra refletir sobre a vida que ele leva, dá dó sim...

  4. Onda Vermelha Postado em 15/Jan/2016 às 23:18

    Sou mesário a pelo menos cinco eleições e posso afirmar por experiência própria que a possibilidade de alguém votar por outra pessoa na urna eletrônica é baixíssima. Quase desprezível, e não justifica tal montante de investimento no voto impresso. E essa possibilidade de fraude se reduz ainda mais com a implantação progressiva das chamadas urnas biométricas, que checam as digitais do eleitor já previamente cadastradas na base de dados do TSE. Minha expectativa é que o Congresso Nacional volte atrás nessa maluquice até as eleições de 2018, já que para 2016 o voto impresso ainda não valerá. As possibilidades de fraudes mais consistentes de forma a alterar de forma significativa os resultados eleitorais se concentram na contabilização/transferência de dados. E mesmo aqui as chances de fraudes são muito pequenas, exigindo uma especialização tecnológica e recursos que poucos grupos políticos ousariam dispor ou assumir seu risco. Conclusão: temos razões objetivas para nos orgulhar do sistema que desenvolvemos. Qualquer debate diferente disso soa fora de lugar. E só encontra eco neste momento porque a abstinência depois de 16 anos afastados do Planalto Central já começa a afetar a própria capacidade da oposição de apresentar qualquer ideia minimamente racional e coerente ao país. Daí buscar por em dúvida a credibilidade do sistema, ao invés de assumir a própria incompetência para apresentar políticas públicas aos cidadãos que consigam conquistar, legitimamente, corações e mentes.

    • Onda Vermelha Postado em 18/Jan/2016 às 17:05

      Pereira. Não existe "medo" algum. A questão é de ordem prática e puramente racional. E embora você não tenha notado já foi respondida por mim quando afirmei acima que "não se justifica tal montante de investimento no voto impresso" se a segurança deixou de ser um fator crítico. Além disso, segundo o Presidente do TSE "o novo mecanismo custaria ao erário R$ 1,8 bilhões". É preciso muito mais do que "boatos" de Internet/Facebook para justificar um investimento desta monta no sistema. Seriam necessários estudos cabais demonstrassem tais fragilidades. E ao que tudo indica não há! Nem a oposição nem os grupelhos satélites desta (RevoltadosOnLine, VemPraRua, MBL, Olavetes, etc) conseguiram provar que houve qualquer fraude na eleição de 2014. Esta é a verdade! O resto é chororô de perdedor!

  5. enganado Postado em 20/Jan/2016 às 19:47

    Aí PereiraX, realmente no BRASIL não tem democracia, pois o juizeco MORO não colocou/coloca/colocará NENHUM político daquele que lhe MOLHAM seus bolsos de grana, os da DIREITA ANGLO-SIONISTA.