Redação Pragmatismo
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Mídia desonesta 28/Jan/2016 às 13:22
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O ódio político no Brasil, da década de 50 aos dias de hoje

O ódio inculcado dia a dia, manchete a manchete, o maniqueísmo avassalador, o anticomunismo mais anacrônico, visando despertar temores supersticiosos da malta. Tudo isso era Brasil. Tudo isso é Brasil

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Imagem: Pragmatismo Político

Luis Nassif, GGN

No apartamento em rua tranquila do Leblon, Celina do Amaral Peixoto convive bem com seus fantasmas queridos. Além da agricultura sustentável seu foco maior é a recuperação da memória do avô Getúlio Vargas e do pai, Ernâni do Amaral Peixoto, um dos políticos mais influentes da história política do estado do Rio de Janeiro.

Acaba de enviar para a editora os escritos da mãe, uma espécie de Diário de Alzira Vargas.

A mãe foi a mulher mais poderosa do país. No dizer de Walther Moreira Salles, “a filha dileta de um ditador amado”.

No ataque integralista ao Palácio Guanabara, saiu de arma em punho nos jardins enfrentando os sediciosos. Era uma ligação tão forte entre pai e filha que, quando ela viajava, Getúlio se sentia mais só. E, após a morte do pai, Alzira só se pacificou depois que escreveu o livro “Getúlio e eu”.

Tem poucas lembranças pessoais do avô, que se matou quando ela era ainda criança. Mas é testemunha e vítima da campanha infame movida pela mídia e pela oposição, comandada por Carlos Lacerda. Até hoje não se fecharam as cicatrizes dos ecos da campanha.

Foi algo que teve início bem antes do seu nascimento.

Quando a mãe era ainda criança, no início do primeiro governo Vargas, foi fotografada assistindo a uma passeata sentada na calçada chupando um sorvete. Durante anos a foto foi utilizada pela imprensa como prova de que a filha de Vargas era comunista. Sabe-se lá o que o picolé tinha a ver com o comunismo.

Quando deposto, em 1945, o ditador Vargas, o homem que comandou o país ininterruptamente de 1930 a 1947, de forma absoluta de 1937 a 1945, não tinha uma casa para morar. Foi para São Borja morar na casa emprestada pelo irmão Protásio. E a imprensa alardeando sua suposta corrupção.

Nem depois de sua morte, em 1954, cessou o ódio.

Vindos do Sul, os Vargas experimentaram décadas da solidão do poder. Depois da morte de Vargas, a solidão do ódio. A família morava em um apartamento no bairro do Flamengo, durante bom período com segurança de metralhadora à porta devido às ameaças recebidas. Tiveram que suportar as denúncias de corrupção da família, sabendo de dentro a retidão da maioria de seus membros.

Meninas, às vezes Celina e sua prima, filha de Jandira, atendiam o telefone. Do outro lado, vozes da treva vociferando que não bastava Getúlio morrer, mas toda família teria que morrer.

Leia também:
Caça Fantasmas: O equívoco de Cláudio Humberto ao comparar Lula com Getúlio
Por que não mataram todos em 1964? (porquê não mataram todos em 1964)

Era pior que as delações da Lava Jato, recorda Celina, porque não tinha justiça envolvida, todos os jornais contra, com exceção da voz solitária da Última Hora, e uma oposição ferrenha de pessoas letradas, preparadas, diferente de hoje, acusando Getúlio de tudo.

Embora presidente eleito, Getúlio não tinha um veículo de mídia capaz de se contrapor à atoarda dos veículos tradicionais, para defendê-lo ou ao menos reconhecer aspectos positivos em seu governo.

Depois da morte de Vargas, a família se manteve fechada, dona Darcy, a viúva, cuidando de suas obras sociais, Alzira cuidando da FGV, Celina dos trabalhos do CPDOC, a maior parte da família de volta ao sul. Filhos e netos sofreram bastante nesse clima de ódio.

Celina nunca cruzou com Carlos Lacerda, o grande algoz de sua família. E dá graças a Deus por isso.

Mas sua alma começou a se apaziguar quando, através da amiga Maria Clara Mariani, se aproximou de seu marido, Sérgio Lacerda, o primogênito de Carlos.

Aos poucos foi se consolidando uma amizade sincera, uma convivência que amenizou o coração de Celina e também de Sérgio. É como se ambos se valessem da amizade para purgar o veneno inculcado na alma brasileira naqueles anos terríveis de macarthismo tropical, que se julgava que não voltassem mais. O mesmo racha entre amigos, a mesma campanha vociferante, o ódio inculcado dia a dia, manchete a manchete, o maniqueísmo avassalador, o anticomunismo mais anacrônico, visando despertar temores supersticiosos da malta.

Tudo isso era Brasil. Tudo isso é Brasil.

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Comentários

  1. Deisi Postado em 28/Jan/2016 às 16:55

    Tudo isso era Brasil", infelizmente, "tudo isso é Brasil". Os anos passaram, mas muitos contaminados pelo ódio não evoluíram. Felizmente, hoje temos as redes sócias, mesmo com toda mídia golpista, temos o outro lado para informação. Por mais que tente entender, não consigo, tanto ódio, a ponto de desejarem morte do Lula. Inclusive uma amiga cristã, sensível, humana, quando fala do Lula se transforma, a ponto de falar que não entende porque que ele não morreu de câncer. Confesso que fiquel perplexa, surpresa, sem saber.o que falar, só falei isso não é conduta de cristã. Mas o que mais me indgna, é não ver nenhum constrangimento, vai no automático, não se preocupa em mostrar seu lado obscuro. Acho muito triste, nem Freud explica.

  2. Pedro Accioli Postado em 29/Jan/2016 às 07:56

    O grande problema da grande mídia (PIG) do Brasil, é que ela é contra qualquer tipo de governo popular, e qualquer medida que este tipo de governo faz para ajudar os mais pobres, esta cambada de retardados vem com o argumento de que o Brasil vai se transformar em um país comunista!

  3. Raimundo hugo Postado em 29/Jan/2016 às 10:21

    Quanto ao ódio exposto de maneira escandalosa por toda imprensa Marrom, quase nada mudou. Talvez a única diferença entre Lula e Getúlio é que o segundo foi um Ditador sanguinário e cruel. No seu longo governo fascista, prendeu, torturou e eliminou todos os que não concordavam com seu modo despótico de administrar. "Triste é o povo que precisa de Heróis".

  4. Brad Marley Postado em 29/Jan/2016 às 11:05

    Pedro não é só a mídia do Brasil é mundial,as grandes corporações midiáticas são o verdadeiro partido do capitalismo selvagem e da classe dominante.

  5. Carlos Prado Postado em 29/Jan/2016 às 13:12

    Quanto ódio!!!! Morte aos odiadores!! Como podem?!?!? Deviam ser proibidos de publicar e expressar tanto ódio!! Cadê o governo que não regulariza a imprensa e prende esses odiadores?

  6. Jonathan Machado Postado em 29/Jan/2016 às 14:06

    É o resultado de tanta corrupção de todos políticos brasileiros, de "todos" os partidos! Levou a cansada, e não menos corrupta nação brasileira, à debilidade, aos caos, ao ódio irracional, não refletido, excitado não apenas pela mídia, mas pela certeza da injustiça, impunidade e escravidão do labor diário sem as garantias constitucionais.

  7. pedro Postado em 29/Jan/2016 às 20:55

    amigos não se preocupem com tanto odio e tanto barulho, a luz age com amor e silencio, deem tempo ao tempo.

  8. Aristóteles Postado em 31/Jan/2016 às 22:39

    Pior é constatar que esse ódio descabido vem sendo sendo fomentado pela mídia mercenária, por facções religiosas e, pasmem, pelo Judiciário. Basta ler as declarações de Juízes, Promotores, todos prometendo transformar o Brasil numa grande cadeia, principalmente para prender aqueles/as que não concordam com suas áureas de semideuses. Legislando em causa própria, principalmente no que tange a salários e mordomias inaceitáveis.

  9. Maria Célia Postado em 02/Feb/2016 às 11:39

    Quem está no poder é odiado por quem quer ter o poder e ser odiado por estar no poder, é simples assim!