Redação Pragmatismo
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Barbárie 12/Jan/2016 às 09:40
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O desabafo do pai do bebê esfaqueado em Santa Catarina

"Aquele marginal tem que morrer na cadeia. Acabou com o meu mundo", diz índio pai de bebê assassinado. Ele acredita que o crime foi encomendado. Há um homem em prisão temporária desde o dia seguinte ao crime bárbaro

indígena bebê Santa Catarina
Crianças indígenas seguram cartazes após morte de bebê em Santa Catarina (Imagem: Daniel Caron/FAS)

O artesão indígena Arcelino Pinto, 42, não entendeu direito o que havia ouvido na TV por volta do meio-dia do último dia 30 de dezembro, em Imbituba, cidade no litoral de Santa Catarina.

Era uma reportagem sobre o assassinato de uma criança indígena na rodoviária da cidade (saiba mais aqui), onde ele e vários índios caingangues acampavam havia duas semanas.

Só depois Arcelino entendeu que a criança era seu filho Vitor, de dois anos.

“Passou no jornal das 12h e eu fiquei em dúvida”, diz. “Quando cheguei lá na rodoviária, minha mulher não estava. Eu disse: ‘aconteceu alguma coisa’. Fui à delegacia e ela estava lá. De longe, falei: ‘e o nenê?’ Ela respondeu: ‘esfaquearam’. Acabou com o meu mundo.”

Arcelino e o grupo costumam acampar na rodoviária, aonde foram vender o artesanato produzido por sua aldeia, a Condá, a 14 km de Chapecó (SC).

Naquele dia, ele saiu para trabalhar às 7h com dois de seus filhos. Vitor ficou na rodoviária com a mãe, Sônia. Por volta das 11h40, a criança brincava sob uma árvore, quando um rapaz se aproximou, acariciou seu rosto e o degolou com um instrumento cortante –provavelmente um estilete, segundo o delegado Rafael Giordani, que investiga o caso.

“Assim que ele passa a navalha, vira as costas e sai correndo. A mãe abraça a criança e tenta pedir socorro. Um taxista tenta correr atrás do cidadão, mas o perde de vista”, detalha o delegado.

Há um suspeito em prisão temporária desde o dia seguinte ao assassinato. Matheus de Ávila Silveira, 23, desempregado. Ele ainda não possui advogado. Segundo o delegado Giordani, Silveira ficou calado no primeiro interrogatório, mas negou a autoria do crime quando foi ouvido pela segunda vez.

No quarto dele, a polícia apreendeu roupas que batem com o registrado por câmeras de segurança do local.

Giordani conta que o suspeito foi autuado por violência doméstica há oito meses, quando tentou agredir o pai com uma faca. “Ele é meio complicado”, diz.

Silveira tentou suicídio por asfixia com a espuma do colchão da cela logo que foi detido e tem o costume de se flagelar, segundo o delegado. Policiais dizem que ele teria problemas mentais.

“Aquele marginal tem que morrer na cadeia”, desabafa o artesão, que acredita que o crime foi encomendado para forçar os indígenas a deixarem a rodoviária. O delegado, porém, diz que não há indícios de que o assassinato da criança tenha ocorrido por motivações étnicas.

Jacson Santana, do Cimi (Conselho Indigenista Missionário), explica que a relação dos índios caingangues com a população branca é bastante conflituosa.

“O artesanato é a fonte de renda deles, que vão vender em outras cidades. Isso às vezes incomoda brancos, porque eles costumam acampar nas rodoviárias”, afirma. “O menino Vitor é um caso mais grave porque envolve violência física, mas eles estão sujeitos a uma série de violências simbólicas.”

A família voltou à aldeia, a 620 quilômetros de distância, dias depois do assassinato. “Ele era bem alegre e inteligente, conversava com qualquer um. O irmão mais velho dele, com 7 anos, diz que está com saudades, porque sempre brincavam juntos”, diz Arcelino.

Folhapress

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Comentários

  1. Igor Postado em 12/Jan/2016 às 14:26

    Pereira, por favor, "cale a boca". "Cale essa boca" imbecil e paranoica, porque quem está transformando o ocorrido em discussão sobre posicionamento político é você, miserável. Burro, você é muito, mas muito burro. Teu histórico de estupidez vem de longe.

  2. Andre FLN Postado em 12/Jan/2016 às 14:43

    Quanta ignorancia resumida num comentário!

  3. eu daqui Postado em 12/Jan/2016 às 14:50

    Tenha esperança Pereira: se esse criminoso aí for branco não vai ter direitos humanos nem auxilio de nada. Tomara que seja então...........

  4. Andre FLN Postado em 12/Jan/2016 às 14:57

    1. Você sabe o posicionamento desse indio na dita luta de classes? 2. O agressor terá sim defensores como terão os índios e terá você numa eventual necessidade, qual o problema? 3. Olá,eu sou do pessoalzinho dos direitos umanos e você deve ser dos ignorantes que não sabe a diferença entre direito, justiça e barbárie. 4. Se o assassino cumprir os requisitos, como ter emprego fixo e encargos sociais pagos em dia por que não vai receber? ja tá pago por ele! 5. para a família resta a dor e a perda e torcermos pela justiça, coisa de gente humana, independente de orientação política.

    • Andre FLN Postado em 06/Mar/2016 às 16:49

      "umanos" foi um erro humano, perdón!!! heheh

  5. Andre FLN Postado em 12/Jan/2016 às 14:58

    Hoje você tá com pena, amanha você chama eles de vagabundo e cachaceiro. Coisas de "Pereira"

    • Andre FLN Postado em 13/Jan/2016 às 22:50

      Olha cara, jeitinho é falcatrua, e essa tua proporção de 1:60mil ta muito errada pois fica implícito que as outras 60mil não tem nada a ver com classismo. Não discordo que é questionável o direcionamento de opinião, pelo fato da motivação que você citou ser individual do cidadão perturbado da cabeça, mas se tratando de minorias toda oportunidade de expor a luta de classes deve ser utilizada sim, afinal ela existe! a exclusão é cotidiana, é Davi contra Golias, toda oportunidade de expor, utilizar mídias classistas ou não, reivindicar, deliberar, fazer autoridades assumirem compromissos. Todos os meios pacíficos nessa luta são absolutamente válidos, passa longe de jeitinho e falcatrua. Se entrar nesse mérito, não tenho dúvida que qualquer diretor de midia corporativista pode dar aula de falcatrua pra todos nós aqui e pros que fizeram o cartaz

  6. Ednaldo Costa Postado em 12/Jan/2016 às 15:08

    Sinto um aperto no peito ao ler sobre este fato. Tenho um filho de 6 anos e não tem como a gente não se comover. Só com muita fé em Deus pra gente manter a lucidez.

  7. Rodrigo Postado em 12/Jan/2016 às 17:04

    (Outro Rodrigo) Pereira, pelo que a reportagem mostra o indivíduo seria alguém com grave transtorno mental (conforme palavras da família, já tendo tentado agredir o próprio pai, e dado à flagelação). Assim, em confirmada a doença mental, será "absolvido impropriamente" e internado mediante o que a lei chama de "medida de segurança" (outro que a recebeu foi "Champinha").

  8. Maurício Postado em 12/Jan/2016 às 21:11

    Pelo que li em outra matéria o garoto que matou tem problema mentais, se é pra condená-lo, que condenem também os que o perseguiram por sua sexualidade e a família que o abandonou.