Redação Pragmatismo
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Feminismo 15/Jan/2016 às 17:54
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Mulher de Mujica diz que “luta de classes está acima do feminismo”

Lucía Topolansky mujica uruguai feminismo política

Vinícius Mendes, Brasileiros

A senadora Lucía Topolansky, de 70 anos, começou pra valer nesta semana a sua campanha à prefeitura de Montevidéu, capital do Uruguai.

Na segunda-feira, um dia depois que o seu marido, José “Pepe” Mujica, deixou a presidência do país nas mãos do seu colega de partido, o médico Tabaré Vázquez, Lucía passou o dia visitando bairros afastados da cidade com membros da coligação.

Na terça-feira (3), ela recebeu a reportagem de Brasileiros em um dia tumultuado no Senado, em que “Pepe” se irritou com a imprensa por uma polêmica envolvendo a relação do Uruguai com a Venezuela, que vive crise política, e que os novos congressistas passaram o dia conhecendo o prédio do Palácio Legislativo, onde vão trabalhar pelos próximos cinco anos.

Entre temas como América Latina, posição da mulher nas sociedades do continente e os problemas de Montevidéu, ela teve tempo pra contar do amor entre ela e o famoso ex-presidente.

Brasileiros: Os países da América Latina – e podemos incluir o Uruguai – estão começando a ter mulheres em cargos políticos altos apenas agora. Seu país, inclusive, nunca teve uma mulher como chefe do Executivo, exceto quando José Mujica e seu vice tiveram viagens oficiais e a senhora ficou alguns dias como presidente por ser a líder do Senado. Qual é a razão disso?

Lucía Topolansky: O Uruguai, no princípio do século XX, foi um país muito avançado na questão da posição das mulheres na sociedade. Foi um dos primeiros, senão o primeiro, que permitiu o voto feminino, o divórcio por vontade apenas da mulher, e os governantes da época estavam empenhados em conceder a elas a possibilidade de estudo, tanto que, como as famílias da época não permitiam que elas frequentassem a escola, criaram universidades apenas para mulheres, para que também tivessem títulos e conhecimento.

Depois, ao longo do século, demos alguns passos para trás, principalmente durante a ditadura militar uruguaia (1973-1985) e, assim que se acabou este período, começou a se discutir o tema da posição da mulher da maneira como conhecemos hoje. Até aquele ano de 1985 não havia um debate sobre esse tema. Atualmente temos muitas mulheres na militância político-partidária, por exemplo. Mas, na realidade, existem várias razões para a ausência das mulheres na política institucional. Uma é que os partidos – e eu não creio nas cotas, mas sim no convencimento – acabam organizando armadilhas. Perdemos uma senadora recentemente por essa razão: ela acumulou dois cargos e fizeram-na decidir pela Câmara dos Deputados. Eu mesma, que sou candidata à prefeitura de Montevidéu, se eleita terei que me retirar do Senado. A cota, para mim, não define nada. O que define é a vontade política dos partidos de colocar mulheres para disputar as eleições.

Na luta armada havia muitas mulheres?

Na época em que estava na luta armada éramos muitas e tínhamos as mesmas responsabilidades que os homens. Nunca teve descriminação naquele círculo. Mas olha só: o meu partido agora me coloca para encabeçar a lista de candidatas, porque comigo não tem problemas, mas com outras existe. O problema político, então, é que os partidos precisam se convencer a apoiar candidaturas femininas.

Também acontece de mulheres que estão em um período determinado da vida que lhes falta tempo para outra coisa que não conduzir a família, porque tem filhos pequenos, por exemplo. Os horários de um legislador são “não-horários”, porque podemos ficar trabalhando até doze horas direto tratando dos assuntos do país, que são sérios. Mas em suma, essa situação dos filhos e da família limita bastante a participação de mulheres jovens na política institucional e por isso que você vê que as que estão aqui são de meia-idade para cima.

Recentemente foi aprovada uma lei para garantir a presença de um terço de mulheres nas listas dos partidos políticos. Qual é o status atual desse processo?

A lei foi possível por um acordo feito na legislatura passada da qual, de cada três congressistas, dois teriam que ser de um gênero diferente. É o que dizia o projeto da lei. Temos que esperar as eleições municipais do Uruguai, que vão acontecer em maio, para então tomarmos a tarefa de discutirmos melhor esse assunto, porque daí vai vigorar em todas as instâncias governamentais do país.

Por que a política, principalmente em nosso continente, ainda é vista como um negócio para homens?

É uma percepção equivocada. Uma coisa é a representação institucional, mas mulheres na luta política estão presentes desde a época da independência. Existiram mulheres nas lutas independentistas da América Latina que foram muito importantes, inclusive na história do Uruguai. O problema é que os historiadores não registraram isso, supostamente, por uma cultura machista. Mas a maioria das mulheres acredita que apenas a representação institucional é fazer política, o que não é verdade.

No Uruguai, por exemplo, já somos maioria no Poder Judiciário e sobre isso ninguém fala nada. O Poder Executivo é muito mais complexo, porque para uma pessoa se eleger depende de muitas variáveis e não se pode dividir a realidade pela metade, mas nos sindicatos, nos movimentos sociais, nas empresas, encontramos muitas mulheres. Na vida cotidiana também: vejo mulheres trabalhando em espaços que antes eram exclusivos dos homens, como dirigir caminhões ou manejar guindastes, por exemplo. A mulher, enfim, está se metendo em todos os lugares.

Mas é uma realidade nova, não?

Sim. Aqui no Uruguai começou após a ditadura militar. Mas há um detalhe: a mulher se incorporou ao mercado de trabalho e, assim, criou-se a necessidade de outra mulher para substituí-la na posição em que estava antes. Essas coisas são as que necessitam de algum tipo de afinação. A política, porém, é uma vocação que se pode entender ou não. Eu tenho companheiras de luta armada que estiveram presas comigo e que, em determinado momento de suas vidas, quiseram formar família e agora militam de outra maneira. Eram muito jovens quando foram presas e quando saíram decidiram ter suas famílias. Eu não tenho nenhum motivo para desprezá-las, porque deixaram bons anos de suas vidas lutando por uma causa. Sobre essas coisas não se escreve e não se fala.

A senhora nota que a posição da mulher na América Latina ainda é precária em muitas regiões?

Claro, principalmente em regiões da América Central e em outros países. No Uruguai o machismo não é tão forte como nesses locais, porque este país é muito laico. Porém, a mulher média latino-americana, a mulher do povo, podemos dizer, que está abaixo nas escalas sociais, não se interessa por essa discussão. Elas estão lutando por outras coisas. São chefes de família e lutam por manter essa família da melhor maneira possível. Essas mulheres são muito mais importantes do que uma mulher sentada em uma cadeira na Câmara dos Deputados ou no Senado. Mas é preciso entender que o fundamental desta discussão é a luta de classes, todo o resto é secundário. Eu já tenho idade e isso aprendi com a vida. Isso passa por todas as discriminações: um negro ou um asiático que normalmente é discriminado, se tem dinheiro, não vai ter problemas. Um gay, se tem dinheiro, não vai ser discriminado. O mesmo acontece com as mulheres, de modo que a luta de classes está sempre no fundo de tudo.

Acima do feminismo?

Sim, acima. Se uma mulher tem dinheiro pode fazer o que quiser. Pegamos o exemplo dos partidos políticos do Uruguai: os partidos de oposição – não a Frente Ampla – dependem do dinheiro que as empresas dão ao partido. Aqui tem uma senadora que está vinculada a uma parte da população mais rica e só foi eleita por essa razão. Eu não estou duvidando da sua capacidade, é possível que tenha vocação para a política, mas neste caso o dinheiro pesa. Por esta razão que eu não sou muito conivente com a política das cotas. Acredito que as mulheres precisam estar disponíveis para todas as funções, mas para mim o mais importante desta luta é a luta de classes.

A senhora mantém contato com congressistas mulheres de outros países?

Sim, tenho porque eu sempre sou convidada para eventos na América Latina e em outras partes do mundo, mas sempre mantenho essa postura. Sei que não é a postura mais comum nessa discussão, mas a mantenho pela minha formação e pela minha história. Eu nasci na luta armada e as coisas não passavam pela questão do gênero naquele ambiente. No período duro, os militares não se importavam em saber quem era homem e quem era mulher.

E fala sobre isso com Cristina Kirchner, com Michelle Bachelet, com a Dilma, ou os temas econômicos, de integração, são mais importantes nesses encontros?

Eu me alegro muito pela existência dessas três presidentas. Há também a presidenta da Costa Rica [Laura Chinchilla – 2011-2014] e eu fui presidente do Uruguai por alguns dias, período em que éramos quatro mulheres comandando os países do sul. Mas a posição da mulher não é o tema principal, porque a sorte dos nossos países não passa por esse assunto. Eu tenho uma relação ótima com as três e conversamos sobre muitas coisas, mas as nossas preocupações estão voltadas para outras coisas. E eu creio que o mundo inteiro é assim.

A senhora já enfrentou algum tipo de preconceito enquanto mulher na política?

Os militares, que deram o golpe e nos prenderam, estavam preocupados com as nossas posições políticas. Eles criaram um corpo militar feminino durante a ditadura que não existia no exército uruguaio e que era responsável pelas prisioneiras. Elas eram terríveis, porque eram mais exigentes conosco do que seriam os homens. Provavelmente tinham que se afirmar na função e, então, buscavam ser mais exigentes. Eu não as culpo, porque aquilo era produto da ditadura.

Uma publicação brasileira afirmou que a senhora se comunicava com Pepe por cartas durante este período de prisão. Como funcionava o mecanismo?

Havia um sistema de envio de cartas que foi instalado pelos militares, mas também existia a censura. De todas as cartas que mandei para ele em 13 anos que fiquei presa, chegaram três, e dele para mim chegou apenas uma. Quase não tivemos comunicação.

E como foi quando se reencontraram?

Nós tivemos sorte. Saímos da cadeia no mesmo dia, quando o governo concedeu anistia para todos os presos políticos e daquele mesmo dia ficamos juntos até hoje.

Mas se encontrou com ele na rua?

Não, eu fui para minha casa, abraçar minha família, depois fui até a Plaza Libertad, onde todos tínhamos combinado de se encontrar, porque era um lugar de resistência, e de lá eu fui pra casa do Pepe. Ele também tinha saído da casa onde estava para me ver.

Choraram, imagino.

Não. Chorar era a última coisa que queria naquele momento em que a coisa mais incrível que tinha acontecido na minha vida era ter saído da cadeia. Eu, especialmente, ainda fugi uma vez, então sair pela porta grande da prisão foi especial. Eu não tinha tempo para chorar. Queria apenas rir.

A senhora conversa com ele sobre os problemas do país quando estão em casa?

Somos como os brasileiros do Rio Grande do Sul: a primeira coisa que fazemos quando acordamos é tomar mate (risos). Quando tomamos mate, conversamos sobre muitas coisas enquanto escutamos as notícias, por exemplo, e falamos de política, mas também da vida e da militância.

Mudando de assunto: o Uruguai vai para o terceiro mandato consecutivo da Frente Ampla. As estatísticas indicam um avanço social enorme, mas alguns analistas advertem que agora deverá começar o desgaste do partido. Como a senhora enxerga o panorama futuro?

A oposição e a mídia oposicionista lutaram muito para que a gente perdesse as eleições e que, se ganhássemos, fosse sem a maioria do parlamento. Ganhamos e ganhamos a maioria no parlamento. Ainda assim, quiseram implementar um plebiscito, que não foi para a frente. Eles se deram conta de que se a Frente Ampla ganhasse o terceiro governo, ia ser muito mais difícil tirá-la. Sempre vão dizer isso. Durante a campanha eles já falavam sobre o desgaste que nosso partido teria com a população, um argumento fraco. Agora estamos em campanha municipal – e estamos há 25 anos governando Montevidéu – e eles falam a mesma coisa. Quando eles estiveram no poder – sobretudo o Partido Colorado, que governou o Uruguai por 90 anos – essa coisa de desgaste não existia para eles. Agora esse partido está menor e o Partido Nacional chegou a administrar Montevidéu apenas uma vez, assim como o governo federal, onde estiveram uma vez durante a ditadura e uma vez depois. Eles falam que o Uruguai precisa voltar ao seu melhor momento, que é quando eles estavam no poder, mas ninguém pensa assim, porque senão ganhariam as eleições.

A classe média uruguaia reclama que os governos da Frente privilegiam os pobres e não mexem com os privilégios dos ricos, deixando-a também inerte. É uma observação válida?

Não é verdade. Nós temos um herói nacional, José Artigas, que ensinava que “os mais infelizes deveriam ser os mais privilegiados” e é nisso que a gente crê. Por isso focamos em fortes políticas sociais para as partes que estão embaixo na escala social da população. Diminuímos o número de pessoas sem teto de 15% para uns 6% e diminuímos a pobreza, que estava em cerca de 18%, para 10%, por exemplo. Isso porque a tarefa não terminou. Mas esse setor da nossa sociedade nos contesta porque fizemos uma reforma tributária que nos permitiu financiar essas políticas, e falo das classes médias-altas, não das médias-médias ou das médias-baixas. Essas classes são muito solidárias, mas quando resolvemos cobrar impostos, ficaram irritadas conosco. Temos a ideia de que pague mais quem tem mais e isso se cumpriu aqui no Uruguai. Perdemos algumas pessoas, mas ganhamos muitas outras. Eu estava lendo esses dias um trabalho de um arquiteto brasileiro chamado Jaime Lerner, que foi prefeito de Curitiba, uma pessoa muito importante para o Uruguai, porque aprendemos muito com ele, e ele dizia: “Se fizermos bairros privados, quanto mais altos os muros, mais gente vai ficar esperando do outro lado”. E é isso. É exatamente isso. Por isso, colocamos esse imposto que ajuda a distribuir a riqueza e geramos emprego, além de uma reforma profunda na saúde. No entanto, temos muito ainda para fazer, porque essa escada é infinita e nunca se chega ao final.

No dia da despedida do seu marido, José Mujica, ele disse que não conseguiu fazer algumas coisas que gostaria. A senhora, como líder do Senado, também deve ter algumas críticas ao governo dele, não?

Nós apresentamos um programa de governo para a população quando fomos eleitos e uma boa parte dele se cumpriu. O que acontece é que algumas coisas não foram possíveis fazer, como bem disse o presidente. Às vezes, as contingências que chegam do exterior e sobre as quais não temos domínio atrapalham as coisas no Uruguai, que é um país muito pequeno. Não se pode fazer tudo o que se quer aqui, mas sim, tudo o que se pode. Por exemplo: no plano da educação, não conseguimos criar uma universidade da forma como gostaríamos porque teríamos que ter a maioria dos votos no parlamento e a oposição não quis votar a favor. A oposição vive falando de educação, mas quando chegou a hora de ajudar, não quis dar seus votos. Nos faltou cumprir com isso e era uma coisa importante. Nos faltou velocidade para construir linhas de trem, que foram destruídas pelos governos neoliberais, situação da qual todos os países latino-americanos que tiveram governos parecidos passaram. Aqui, esse processo caminhou muito lentamente. A nível de integração, também não conseguimos fazer tudo o que queríamos. Acreditamos que um continente integrado é muito mais que um pacto político, econômico, mas sim, uma integração dos povos latino-americanos. Neste jogo do Mercosul, tivemos muitas dificuldades, ainda que conseguimos aprovar a entrada da Venezuela e estamos finalizando o ingresso da Bolívia, que será votado nesta legislatura. A Argentina foi um problema, porque tomou algumas medidas protecionistas, mas cremos que avançamos bastante na constituição da Unasul e da CELAC, que são organismos que, pela primeira vez, não tem a presença de nenhum norte-americano ou espanhol.

O tema da integração latino-americana foi muito discutido durante o governo Mujica e, durante a posse de Vázquez, foi tema das rodas de conversas entre presidentes. Se todo mundo está interessado em integrar, por que os avanços são tão modestos?

É difícil por várias razões: em primeiro, a conquista do Império Espanhol foi feroz, destruiu esse continente. Nós tínhamos certas harmonias e civilizações maravilhosas, com as maias, as astecas e as incas, que foram dizimadas. Hoje não encontramos muitos povos originários da América Latina nem descendentes destes povos. Talvez na Bolívia, onde o número de pessoas nativas é maior, mas nossas repúblicas são um punhado de pessoas que descenderam daqueles que desceram dos barcos. Quando as repúblicas foram geradas, no processo independentista, os países foram se formando ao redor dos portos olhando apenas para a Europa e, mais recentemente, para os Estados Unidos. Viramos as costas para nossos vizinhos de continente. Custou muito compreendermos que estávamos no mesmo barco latino-americano, ainda que existissem várias coisas históricas em comum entre nós, como idiomas, religiões, etc. Tomamos consciência da necessidade de formarmos um bloco apenas no final do século XX, quando o mundo já estava em processo final de globalização. Foi nessa época que surgiu a ideia do Mercosul, depois a Unasul, do Banco do Sul, da CELAC. Mas o problema é que é necessária uma liderança nesse processo integracionista, e esse cargo deveria ser do Brasil, goste ou não goste. Melhor ainda se tivesse uma cumplicidade com o México e com a Argentina. São esses os países que pesam e que deveria fazer o que fizeram França e Alemanha na formação da União Europeia. No entanto, a única luta que se perde é a que se abandona. A única coisa que nos separa são os limites dos mapas, mas somos todos filhos deste continente e estamos jogando a nossa sorte neste barco.

Mas a senhora não imagina que essa integração pode gerar um conflito de culturas também?

Mais do que de culturas, existem interesses nacionais muito fortes, que pressionam os governantes. O complexo industrial paulista é uma enorme fonte de pressão ao governo brasileiro. Sempre tem interesses nacionais frente aos quais os poderes são questionados e, assim, os assuntos nacionais se tornam mais importantes do que discutir a integração. Nós, que somos de esquerda e que acreditamos na integração, falhamos em não colocar na cabeça das massas, das pessoas comuns, que lutassem pela integração latino-americana. Não há uma mobilização em nenhum de nossos países para que se integrem. O assunto está fechado em um círculo de pessoas que são mais esclarecidas, apenas.

Já falou isso para a presidente Dilma Rousseff?

Já. Quando ela veio aqui, na semana passada, inaugurar um parque eólico em Colônia [província do país], que é um empreendimento organizado pelos dois Estados, lhe disse que aquilo era um símbolo de integração, porque eram dois Estados trabalhando juntos para o bem da economia da América do Sul. Estávamos falando que as pessoas precisam entender e lutar por este processo.

Vamos falar sobre a campanha eleitoral: a senhora é candidata à prefeitura de Montevidéu. É um passo adiante rumo à presidência ou a senhora não pensa nisso ainda?

Eu sou uma mulher de 70 anos. Preciso ter consciência da minha idade. Segundo que eu sou uma mulher de partido e vou aonde meus companheiros forem. Eu não tenho uma carreira política por ambições particulares. Eu não queria sequer ser candidata à prefeitura de Montevidéu, porque eu estava me preparando para lutar ao lado do nosso governo no Senado, mas meus companheiros de partido me pediram para disputar as eleições e aqui estou. O dia de amanhã pertence a amanhã, mas se meus companheiros me pedirem para disputar a presidência, vou disputar. É o que mais me pesa nessas coisas: o que meus companheiros falam.

Mas pessoalmente a senhora não tem essa ambição?

Não, porque agora estou pensando apenas em ganhar esta luta. Depois, se eu a ganhar, vou levar adiante a tarefa complicada de dirigir esta cidade. O Uruguai está desequilibrado na distribuição da sua população, com uma grande parte concentrada em Montevidéu e em Canelones, que é uma área metropolitana, mas 60% das pessoas está nesses locais, então 60% dos problemas estão também nesses locais. Tenho que assumir essa batalha com toda a minha força e depois dos cinco anos vou sentar com meus companheiros para saber qual será o passo seguinte.

Assim como na maioria das capitais latino-americanas, o tema do preço do ônibus é uma discussão aqui. Existe uma fórmula para baratear o custo do transporte de massa?

A oposição estava colocando como problema mais importante da cidade a questão da limpeza, mas eu não creio que seja. Quando eu comecei a lutar pela prefeitura, coloquei o transporte e o trânsito como os maiores problemas que o prefeito eleito terá que enfrentar. Digo isso por duas razões: primeiro porque no trânsito morre muita gente e a vida precisa ser o centro das coisas. Se eu tenho uma rua repleta de lixo, ninguém vai morrer, apenas vão ficar perturbados com o mal cheiro. Dois: o transporte público é um problema em todas as cidades modernas do mundo atual, porque o parque automotor cresceu tanto que as cidades que estavam construídas para outras coisas começaram a entrar em colapso, principalmente as mais antigas. Nós estamos lutando para que as pessoas usem o transporte particular apenas nos finais de semana, mas que, para trabalhar e estudar, usem o transporte público. Claro que, para isso, o transporte público precisa ser mais eficiente e mais seguro, mas o custo desse serviço é que entra em questão: aqui no Uruguai o preço é determinado por uma conta em que entram todos os elementos do transporte público, como a gasolina, os pneus, a manutenção, as peças, etc. O transporte público tem três subsídios e a tarifa, que deveria custar 33 pesos (R$ 4,10), custa 24 pesos (R$ 3,05), além da gratuidade para estudantes. Só poderíamos baixar o preço da tarifa se tivesse mais um subsídio, que poderia vir da prefeitura ou do governo central.

Mas é possível colocar na cabeça das pessoas para não andarem de carro?

Talvez. Eu fico observando como o mercado chinês está fabricando cada vez mais carros baratos. O Uruguai está invadido por carros chineses. Isso conspira contra o sistema de transporte público e contra a equação econômica das empresas concessionárias. Eu poderia dizer que vamos baixar a tarifa, mas não conseguiria explicar como fazer isso. Se eu baixo a tarifa, as empresas quebram, e aí resolveria um problema, mas teria outro. Eu queria baixar o preço, mas se vou conseguir? Não sei.

Tarifa zero é possível?

Se tiver subsídio, seria possível, mas é muito difícil. Eu conheço algumas cidades no mundo que adotaram essa medida, como na Hungria, por exemplo, onde há alguns municípios que não cobram tarifa, mas proíbem o uso do transporte privado. Assim, há um público cativo que faz com que a conta feche. No Uruguai, onde se protesta por qualquer coisa? Difícil.

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Comentários

  1. Jonas Schlesinger Postado em 16/Jan/2016 às 02:59

    Legal, reportagem boa. Gosto do Uruguai, por ser a Europa na America Latina e eu sou fã da Europa (e por meus pais serem de lá) . Independentemente da sua ideologia, é uma boa viajar para aquele pedacinho de chão.

    • José Ferreira Postado em 16/Jan/2016 às 16:14

      Já foi a Europa da América Latina. Agora virou uma coisa mirabolante. Não temos a mínima vontade de pegarmos o Uruguai de volta.

  2. Thiago Teixeira Postado em 16/Jan/2016 às 07:56

    Coxinha quando lê essas histórias deve pirar de saudades.

  3. Eduardo Ribeiro Postado em 16/Jan/2016 às 11:10

    Está corretíssima. Jamais esqueçam a luta de classes. Ela é o motor do mundo desde que ele existe. Aqueles que possuem uma visao despolitizada da questao das minorias oprimidas - machismo e racismo em especial - acham que são coisas aleatorias, soltas no ar, sem ligaçao alguma (essa visao é muito difundida entre os apolíticos...MURETEIROS SEM PARTIDO E SEM BANDEIRA POLITICA), quando na verdade sao todas questoes inerentes ao capitalismo. As lutas nesses movimentos individuais sao valorosas, corajosas, mas com resultados muito pequenos se forem despolitizadas, pois atacam alvos errados.Tirar o elemento "luta de classes" e "meio de produçao" para analisar as estruturas sociais que levam à opressao das minorias é uma idiotice. Fica um discurso vago e despolitizado. Assim como não existe capitalismo sem racismo, machismo é sub-produto direto da propriedade privada. O proprio Malcolm só foi enxergar a raíz do racismo quando voltou o seu olhar para o capitalismo. Consciência de classe, meus caros. Não adianta isolar ao extremo as pautas e esquecer as CONDIÇÕES MACRO que levam a elas. Taí o destrambelhado do Jean Willis fazendo vergonha, tirando selfie em Israel, porque lá eles aceitam suas idéias.

    • Trajano Postado em 16/Jan/2016 às 18:13

      Concordo. Se determinados grupos feministas brasileiros se posicionam distantes da luta de classes, automaticamente confundem a configuração das próprias pautas, com superexposição de algumas mulheres e seus gostos e estilos diferenciados, mas sem uma reivindicação abrangente. A desigualdade social do país é o motor para múltiplos e multifacetados problemas crônicos do Brasil e se não é considerado como prioridade por dado movimento que se quer ser social, transformador, então é tão movimento social quanto um bloco de carnaval, um desfile cultural. E sobre o Jean Wyllys, um político reconhecido nacionalmente que se coloca como defensor de causas como o do movimento LGBT, além de ser um deputado reconhecido nacionalmente em um partido de esquerda que construiu sua imagem através da contundência em discursos e coesão dos membros nas ideologias defendias, a ida para Israel é no mínimo um equívoco e, no máximo, destrambelhamento, como dito pelo Eduardo Ribeiro. Ou se é enfático nas falas e atitudes ou não espere apoio quando relativizar certas posturas em prol de interesses que contradizem a própria postura que construiu como político.

    • André Postado em 19/Jan/2016 às 11:19

      CAlma rapaz, o racismo e o patriarcado são mais antigos que o CApitalismo e se ele se extinguir não é fato que os dois também acabarão. Leia O Poder do Macho da Saffioti. Abraço

      • Eduardo Ribeiro Postado em 19/Jan/2016 às 15:53

        Está completamente enganado. O machismo, o patriarcado, o racismo, a homofobia vem MUITO, MAS MUITO ANTES DO CAPITALISMO. O machismo e essa porra toda aumentam a medida que a propriedade privada e o direito à herança vai se estabelecendo como regra. Na barbárie (no sentido antropológico) não havia o machismo. Na medida em que a sociedade evolui no sentido Selvageria -> Barbárie -> Civilização, aumenta o poder do homem sobre a mulher. O machismo e o patriarcado, conforme informei, é necessariamente um sub-produto da propriedade privada. Leia Engels. Obrigado. Abraço.

      • Eduardo Ribeiro Postado em 19/Jan/2016 às 19:42

        *** vem DEPOIS do capitalismo.

  4. Eduardo Ribeiro Postado em 17/Jan/2016 às 19:37

    É um ignorante sem volta. Ignorante com força. "idiota Marx"....você nem sabe quem é Marx, garoto....nunca leu nada, me surpreende você saber juntar as 4 letras e escrever o nome dele. A luta de classes não é "baboseira proferida por ele", a luta de classes, a luta ininterrupta entre opressores e oprimidos, é o motor do mundo desde que o mundo é mundo, criança inconsciente. Eu escrevo isso nem é por você. Você é um caso perdido de desonestidade, estupidez e analfabetismo político. Eu escrevo para que a bosta fedorenta que você escreveu não passe em branco diante das pessoas que baixam aqui pra ler algo de construtivo e dão de cara com um garoto desonesto e sem cultura, que nunca leu nada, e que não sabe citar 2 obras de Marx, chamando-o de "idiota". Escrevo porque a ignorância que você semeia tem que ser combatida.

  5. Eduardo Ribeiro Postado em 17/Jan/2016 às 22:17

    O que é "funcionar" pra você? Que parâmetros e que base você tem para dissertar a respeito? Qual funcionou, na sua profundamente intelectualizada opinião? Sobre Marx, você é tão burro e desonesto que é incapaz de abrir uma bosta de uma biografia e ler. Marx foi um judeu de família de classe média. Casou com uma judia mais riquinha, recebeu dote.. foi jornalista, e a medida que foi se tornando um comunista, foi se tornando um "militante profissional". Se mudou para Paris, onde foi viver com peões emigrados alemães, tentando organizar a peãozada. Depois é expulso da França, vai para Bélgica, adere a Liga dos Comunistas, depois vai para Alemanha, funda jornal operário, depois foge da Alemanha, depois para França de novo, depois vai para Inglaterra. Sempre vivendo nos círculos operários. Vivia NA MISÉRIA, de artigos para jornais de sindicatos, jornais operários. Sua vida era de sua casa (seus cortiços onde morava) para as fábricas e sindicatos e organizações operárias e bibliotecas. Você é um coitado que não sabe nem de dados elementares da biografia de Marx, e se acha no direito de afirmar que se trata de um "idiota que viveu as custas da esposa", sendo que a partir de certo momento era Engels que o ajudava na medida do possível. Somente já perto de morrer que Marx teve algum conforto. Na maior parte do tempo em que viveu na Inglaterra Marx passava fome. Morria um filho pequeno de desnutrição e ele não tinha dinheiro para pagar o enterro. VAI ESTUDAR. Você é um menino que só faz vergonha semeando ignorância e bostejando sobre o que nem conhece.

    • Trajano Postado em 18/Jan/2016 às 01:12

      E só pra completar o Eduardo Ribeiro: André, que já foi Maria, já foi Julio, Já foi César, Já foi Souza aqui no Pragmatismo Político. Quando você acessa outros sites, você percebe que é apenas a ponta do iceberg. Como o nada suspeito “André Souza”, por exemplo, do Brasil247: os mesmos motes que usa aqui, mesmos nomes em minúsculo, mesmo estilo de escrita. Ou o “Marcos Souza” ou coisa parecida do Tijolaço, com uma foto e uma suposta profissão altamente depreciativas – única coisa que sabe fazer - e que repete as mesmas coisas que o Pereira faz, mesma forma de escrita, mesmo estilo. Enfim, por que será que existe a necessidade de criar o fake, do fake, do fake constantemente? O que leva uma pessoa a dedicar tanto tempo e energia para despejar sandices e assediar os demais usuários nas páginas? É da Frente Nacionalista ou equivalente? É pago com dinheiro público pra fazer isso? É um pensionista que escolheu uma forma de se divertir esquisitamente sem sair de casa? É um adulto que vive as custas do dinheiro que os pais deixaram? Quem se importa, não é? Que é chato pra cacete, ah, isso é! Um porre!

    • Eduardo Ribeiro Postado em 18/Jan/2016 às 12:07

      Sai daí, menino sem leitura. Não houve, na historia de toda a humanidade, um crescimento tão brutal quanto da Russia stalinista. Sairam de nação semi-feudal, a mais atrasada do planeta, para colocar o homem no espaço e bi-polarizar, com os EUA, a dominância do mundo. EM MENOS DE 30 ANOS!!! Toda população tinha casa, água gratuita, saneamento, transporte público, ferrovias...não suporta nem ler a palavra Stalin? Não tem problema. Tem um país pequeno aí que uns anos atrás era "modelo de liberalismo", quebrou e por conta disso andou estatizando banco, bloqueou saída de dinheiro, deu calote, botou todos os envolvidos na cadeia (políticos, banqueiros locais, funcionários de bancos estrangeiros, etc), e que saiu da merda e está indo muito bem obrigado. A mídia não fala, esqueceram que ele existe, mas é um dos países mais digamos "socialistas" do mundo hoje. Vai ler a respeito, vai. Por outro lado, acabou de sair um estudo segundo o qual, hoje, A RIQUEZA DE 1% DA POPULAÇÃO MUNDIAL QUE SÃO OS MAIS RICOS DO MUNDO SUPERA A DOS 99% RESTANTES NO PLANETA. Os 60 mais ricos do mundo tem o mesmo capital da metade mais pobre do planeta, ou seja: 3,6 BILHÕES de pessoas. E você realmente quer conversar comigo sobre "dar certo"? É isso aí que deu certo? Mais de 3,5 BILHÕES passando fome, enquanto 60 pessoas (SESSENTA...enchem meia duzia de kombis) estão sentadas numa fortuna que nós nem sabemos mensurar...de modo que me diga: o que é "dar certo" para você, com sua profunda sabedoria e intelectualidade e com os dados que acabei de lhe informar? O que é "funcionar"? O que é "ter sucesso"? Se não quiser nem precisa responder, é cansativo conversar um assunto de adultos com quem só sabe falar por meio de clichezinho, de mentira...pra sentar na mesa e conversar sobre isso, tem que ter LEITURA, seu analfabeto. Não é pinçando mentirinhas e trollagens no google que você ganha o direito de sair bostejando sobre Marx. Te falta estofo, garoto...te falta conteúdo, te falta ESTUDO.

    • Eduardo Ribeiro Postado em 18/Jan/2016 às 17:19

      E lá vamos nós aumentar o numero de mortos na conta de Stalin. Semanalmente aumenta em 1 milhão. Vocês tem que chegar logo num acordo. Quantos Stalin matou, meninos?

    • Eduardo Ribeiro Postado em 18/Jan/2016 às 20:47

      Sabe por que vc acredita nos 100 MI de mortos por Stalin? De novo: falta de estudo. Você é preguiçoso e ao invés de ir buscar informação no que de mais próximo temos de fontes primárias - os LIVROS - , vai na fonte quaternária: blogs de direita que te entregam uma leitura mastigada de uma obra calhorda que nenhum historiador digno leva a sério chamada "Livro Negro do Comunismo", defecado por Robert Conquest, um sabido anti-comunista visceral que trabalhava para o governo britânico, e que chegou ao numero mágico e redondo de 100 MI usando das mais variadas artimanhas, como as conhecidas falsificações grosseiras sobre Holodomor (feitas a serviço dos nazistas da época, onde foram utilizadas fotos das mais variadas épocas e lugares, números absurdamente fantasiosos e etc, para difamar o governo soviético), epidemias (ninguém coloca os mortos da gripe espanhola na conta do capitalismo, por exemplo), e uma série de falsificações bizarras, que chegam a esse número astronômico, totalmente fantasioso. Aí pinta alguém como você, um doidinho sem rumo querendo consumir qualquer coisa que demonize os comunas malvados, e tá feito....100 milhões de mortos na conta de Stalin....

  6. Eduardo Ribeiro Postado em 18/Jan/2016 às 16:00

    "Coreia do Norte".....puta que o pariu, Pereira volta já no grau, louco de pedra....Juiche é uma DEGENERAÇÃO DO MARXISMO, porra....citar Coréia do Norte é mais uma prova cabal de desconhecimento político....e na Venezuela o mundo está cansado de saber - é fato, portanto acima de discussão, estou apenas rememorando, não discuto fatos - que vagabundos, aqueles "empresários bonzinhos", estocam SISTEMATICAMENTE alimentos para ironicamente, "alimentar" a crise. Não é nem para a burguesia consumir, é objetivamente para causar desabastecimento e gerar hiperinflação. O correto a se fazer é mandar essa gente pra um belo dum paredão, pois são inimigos do povo. Claro que civilizadamente, na manha, na moralzinha, paredão nesses inimigos do povo. Estou falando que o maior fruto do Capitalismo é essa aberração de 1% da população ter um capital maior do que 99% restante do mundo, e você vem me falar de Venezuela e o Juiche da Coréia do Norte pra contrapor....estou falando da falha mortal do Capitalismo, de uma PROVA CABAL E INEQUÍVOCA de que a sua essencia é a riqueza de uns pouqíssimos, pífios e irrelevantes em quantidade, sobre o detrimento, profunda miséria e morte de uma maioria cavalar e massacrante, e você vem me falar de Coreia e Venezuela...que tipo de doença é essa, pai do céu...

    • Eduardo Ribeiro Postado em 18/Jan/2016 às 20:26

      """"""""""""no capitalismo há uma distribuição, ainda que injusta;"""""""""""" Porra nenhuma. Eu vou repetir, porque parece que não ficou claro. Estudo divulgado hoje: "A RIQUEZA DE 1% DA POPULAÇÃO MUNDIAL QUE SÃO OS MAIS RICOS DO MUNDO SUPERA A DOS 99% RESTANTES NO PLANETA. Os 60 mais ricos do mundo tem o mesmo capital da metade mais pobre do planeta, ou seja: 3,6 BILHÕES de pessoas.". Não há distribuição nenhuma, Pereira...que vergonha...concentração EXTREMA de renda. Vai brigar com numeros? """""Todo mundo nivelado na miséria no socialismo""""" aonde? Acabei de citar o bem sucedido exemplo russo de economia planificada...no socialismo há muito menos chance de desemprego, pois as vagas sao destinadas a atender a população. Diferente do capitalismo, onde o capitalista quer mais é diminuir as vagas e botar uma pessoa pra fazer o trabalho de 4. Houve fome na guerra civil (a URSS ainda tinha sido devastada na 1a guerra mundial), na Ucrânia e na Novorussia (que vcs dizem ser Ucrania), sendo a Ucrania uma area que historicamente sempre houve periodos de fome, e que só acabaram justamente no socialismo. De novo, pela quinta vez: a URSS era o país mais atrasado da Europa, com infinitos problemas, e em menos de 30 anos BIPOLARIZAVA O MUNDO. A URSS se dava o luxo de investir 7,5% do PIB em P&D nos anos 70, período do auge econômico, quando chegou a ocupar 2/3 do PIB dos EUA, durante o período Brejnev. O Japão na mesma época investia 2,5% do PIB em P&D, tendo um PIB bem menor. Sobre as "mordomias" da classe politica, nao vou dizer que não existiram ou que vão acabar por completo, mas nem se compara ao regime capitalista. Basta ver a diferença de vida dos nossos politicos para a populaçao. E pare com essa asneira de "comunismo africano", isso só existe na sua cabeça e na do seu mestre astrólogo...e você quer falar de celular? Eu quero falar de FIM DA MISÉRIA e você quer falar de acesso a telefonia celular? Isso só prova meu ponto: dentro do socialismo há muito mais controle sobre questoes SOCIAIS como desemprego, miseria, desigualdade social e etc, porque partimos do pressuposto (óbvio) de que o nivel de qualidade de uma sociedade está longe de ser apenas o seu consumo. De qualquer forma, o primeiro celular do mundo foi.....soviético.

    • Eduardo Ribeiro Postado em 19/Jan/2016 às 15:44

      Outro lugar que é comunista somente, EXCLUSIVAMENTE na sua cabeça. China.

    • Eduardo Ribeiro Postado em 19/Jan/2016 às 16:17

      """""""""Fim da miséria é mais capitalismo""""""""""" Pereira...não brigue com números....o "mais capitalismo" mostrou seu resultado ontem...num mundo em que os 60 mais ricos do planeta tem o mesmo capital da metade mais pobre do globo (3,6 BI de pessoas), mais capitalismo vai significar daqui 10 anos que esses 60 serão com sorte 40, e esses 3,6 serão 4,5 BI. Porque 5 anos atrás, esse numero de 62 era de 380 pessoas. E a receita de 5 anos atrás, para desconcentrar, foi "mais capitalismo"...e resultou no que é hoje....mais concentração. Ou seja: mais capitalismo é mais veneno, pois a alma do capitalismo, o motor, a RAZÃO DE SUA EXISTÊNCIA, é a desigualdade, e isso não é uma opinião, estou falando de numeros, de estatistica....deixar o Olavão entrar na sua mente e manipular sua interpretação do mundo é uma coisa, mas brigar com números objetivos é outro patamar de estupidez.

  7. Eduardo Ribeiro Postado em 18/Jan/2016 às 16:16

    Pra pensar no stalinismo tem que pensar na continuidade, no continuum de tempo - ou seja, ANTES de Stalin - e na "desestalinização" stalinista. Só assim se pensa criticamente. Mas não é aquela coisa vulgar de "eram todos maus, terrorista e tudo mais". Não se trata de um psicopata que queria sangue. Mas de alguém que realmente acreditava no que fazia. Mas o que isso era exatamente? Por que ele ascendeu? Porque durou? Voce é capaz de fazer esse tipo de reflexão? Não parece, pois você é o tipo clássico de pessoa que gera uma conversa tão caricata e extremada que não se consegue nem debater seriamente os erros do stalinismo (que não foram poucos!!), fica só aquela lenga-lenga como se fosse o capeta na terra, um vilão de novela "fazendo maldade" 24 horas por dia. É uma inversão tão grande, uma demonizaçao tão grande da URSS, que até o Nazismo consegue-se debater, suas práticas políticas e econômicas, etc, mas da URSS não. Bastou eu lembrar que a economia planificada soviética funcionou, que o avanço da base industrial do país é absolutamente inegável, que SAIRAM DE ESTADO SEMI-FEUDAL PARA BI-POLARIZAR O MUNDO COM OS EUA EM 30 ANOS, pra você dar xilique..."stalin monstruoso"....e isso porque nem stalinista eu sou.....a conversa com você não é muito diferente da conversa com o xonga...

  8. Eduardo Ribeiro Postado em 18/Jan/2016 às 17:27

    A população africana, uma das maiores vítimas do imperialismo, um continente secularmente espoliado pelos interesses opressores, não passa de 1,5 bilhão. Estamos falando de 3,6 bilhões. Pense na matemática antes de bostejar. Metade da população mundial está vivendo do jeito que dá, enquanto um juntado que cabe em 3 ou 4 kombis concentra uma fortuna que não se consegue vislumbrar...aí você cita 2 países - DOIS PAÍSES - que na sua concepção torta são "socialistas", e quer convencer alguém que a culpa desse panorama de extrema desigualdade em nível mundial não é do Capitalismo, um sistema que existe EM FUNÇÃO da desigualdade, um sistema cujo MOTOR é a desigualdade? Que tipo de lavagem cerebral fizeram com você?

  9. Eduardo Ribeiro Postado em 18/Jan/2016 às 17:35

    Agora que li com mais atenção...África comunista? PUTA QUE O PARIU PEREIRA. Somente na sua cabeça insana a África é comunista. (se bem que pra você a Coréia do Norte é "socialista"...tudo é possivel). Gostaria de voltar a realidade, tratar de fatos e lembrar que o país mais liberal ali é a Somália. O problema de fugir da escola é esse: pro analfabeto aí a África só passou a ser pobre agora, com as ditaduras recentes. A BRUTAL exploraçao que sofreu dos países imperialistas durante SÉCULOS, que impediu seu desenvolvimento e etc, nao aconteceu...rs. Esse é o mal de fugir da escola com medo da doutrinação marxista e ser alfabetizado pelo astrologo...

    • Eduardo Ribeiro Postado em 19/Jan/2016 às 16:37

      Pro Pereira a história da África começou dias atrás. O imperialismo e a exploração a qual foi submetida década após década, que decretou fome e miséria em um continente gigantesco e inviabilizou qualquer chance de desenvolvimento, nunca aconteceu. A África nunca foi espoliada por país imperialista nenhum, pro Pereira. É igual ao Brasil: o Brasil pro Pereira nasceu lindo e próspero em 31/12/2002, e começou a ser destruido em 1/1/2003. 500 anos de história, direita no poder acabando com o país por décadas, uma ditadura militar criminosa que durou seus 30 anos e deixou TERRA ARRASADA, um país que NUNCA - raro pontualíssimas ocasiões - olhou pros seus miseráveis em séculos, um presidente TRAIDOR E ENTREGUISTA que terminou de destroçar o que havia sobrado, isso nunca aconteceu pro Pereira. Nada disso aconteceu, especialmente a Ditadura. Embargo em Cuba? Nunca aconteceu pro Pereira. URSS saindo de estado FEUDAL para em 30 anos bi-polarizar o mundo com os EUA, vivendo o crescimento mais vigoroso, vertiginoso, brutal e progressista já registrado na história do planeta? Pro Pereira, não existiu. Parece um guri birrento. A gente traz os eventos históricos FACTUAIS que corroboram todo um ponto de vista e ajudam a entender o mundo e o panorama politico-economico-social, e tudo que ele diz é "não, isso nunca aconteceu", "não, isso não existiu", "não, esse acontecimento é uma fraude"...deixe de birra, bicho...negar episódios FACTUAIS não vai fazer com que deixem de existir, porque para cada 1 Pereira insano por ai, que nega até que a Terra gira em torno do Sol se isso for interessante, existem uns 10 historiadores sérios que não permitirão que a história do mundo seja recontada omitindo tudo aquilo que vocês não querem que seja contado.

  10. Eduardo Ribeiro Postado em 18/Jan/2016 às 18:07

    Sobre as 7 milhões de pessoas: trata-se da coletivização forçada na URSS. Confiscaram tudo, sem distinção entre camponeses pobres e latifundiários kulaks. Veio o inverno e o povo morreu de fome. Agora, separando os fatos: 1- A grande fome da Ucrânia (principalmente, mas não só na Ucrânia) existiu e matou gente de fome, milhões mesmo. Claro que a contrarevolução e o tifo ajudam a inflar os números. 2- Já o uso propagandístico que os setores mais desonestos (pelos quais você tem enorme afeição) anti-comunistas e anti-russo (inclusive da própria Ucrânia) fazem disso é nojento, pois trata como genocídio, como se fosse uma coisa craneada para matar e dirigida aos ucranianos, para fazer limpeza étnica, algo assim. Chegam ao absurdo de querer comparar ao Holocausto. Isso não se sustenta, primeiro porque a região da Ucrânia que mais sofreu foi justamente a região russa (onde o povo é etnicamente russo, de língua russa)...exatamente essa região que sempre teve a questão do separatismo em relação a Kiev: a região da Novorossia. Então vai acabar essa palhaçada de usar Holodomor como propaganda safada, pois aconteceu não na Ucrânia, mas na Novorossia. Região etnicamente russa. Segundo e mais importante, Holodomor tem mais a ver com as consequencias das profundas mudanças econômicas proporcionadas pela planificação do país do que "vontade de matar pura e simples". O que fica pra história é que em todas as revoluções e etapas do "desenvolvimento" a conta sempre teve que ser paga pela exploração no campo. Quem reduz isso a números - como você - geralmente não tem muito caráter. Por fim, o Capitalismo sabidamente já produziu algumas dezenas de Holodomors: anualmente, morrem quase 7 milhões de fome no mundo, e essas mortes estão na conta exclusiva do Capitalismo. Mesmo no paraiso capitalista, houve fome decorrente do capitalismo. Ou eu estou sonhando quando vejo fotos de filas intermináveis de americanos para tomar 1 prato de sopa em 29? Enfim...se andre-xonga é burro, você é burro também, mas menos burro e mais desonesto. Nem sei porque dou cabimento.

  11. Eduardo Ribeiro Postado em 18/Jan/2016 às 21:08

    Vocês tem que voltar pra escola pra aprender a conversar sem o manual do reaça canalha debaixo do braço...meninos....crianças inconscientes....na década de 50 Cuba e Haiti eram países com índices parecidos. Hoje Cuba tem um IDH elevado (0,815, maior que o do Brasil), um indice de desigualdade baixíssimo, educação e saúde universais e gratuitas. O Haiti... bem,o Haiti é aquela miséria, comparável a países africanos secularmente explorados pelo imperialismo. E isso com EMBARGO. Não se debate Cuba sem falar do embargo, crianças. Assim como futebol tem bola, a história de Cuba tem EMBARGO. Vocês não passam de duas metralhadoras de clichês da direita patética. Não conseguem sustentar 2 minutos de conversa sem apelar pra essas estultices sem embasamento, achismos de quem quer vilanizar tudo que remonte mesmo que vagamente ao socialismo. Fugiram da escola para serem alfabetizados pelo cartomante astrólogo, porque "escola é doutrinação marxista", aí dá nisso....

    • Eduardo Ribeiro Postado em 19/Jan/2016 às 12:11

      Eu sou ingenuo. Achei que houvesse ainda chances de fazer uma análise da conjuntura cubana sob um ponto de vista sério. Mas ler "Que embargo ???" é a sentença de morte de qualquer conversa. Porque aí já é negar FATOS, é querer falar de futebol sem bola, de pescaria sem peixe, é falar de triângulo redondo. A história de Cuba É A HISTÓRIA DO EMBARGO. Uma conversa que nega FATOS não é séria, é bravatinha, é conversa de buteco pé sujo com populares tomando uma pinga (nada contra, aliás...pelo contrário).....então... tá bom Pereira...de acordo com o Olavão Astrólogo, devido ao alinhamento de Saturno com a constelação de Virgem, o embargo contra Cuba capitaneado pelos EUA foi "uma grande farsa". E "nunca" houve sanções/retaliações aos países que ousassem comercializar com Cuba, e com isso Cuba, um país pequeno, pobre, pouquissimos recursos naturais, que teria que importar um monte de coisa, "nunca" ficou isolada. O factual e CRIMINOSO embargo é um fato amplamente debatido, de conhecimento público (nem escondido não é), sobre o qual todo e qualquer historiador/sociologo/filósofo/politico sério se debruçam, é um ponto nevrálgico no estudo da bipolarização EUA/URSS e das zonas de influência, é algo que nem o próprio Obama nega....mas como o alinhamento planetário e o mapa astral são favoráveis, e como Áries com ascendente em Libra estão formando uma conjunção auspiciosa, então você está sertu...o embargo contra Cuba é "hihihi uma mentirinha...tava todo mundo de zuera...foi mal...".

  12. Eduardo Ribeiro Postado em 18/Jan/2016 às 21:13

    """""""""Ludwig von misses provou cientificamente..."""""""""""....ahuahuaha...tchau, Pereira...

  13. Joao Postado em 19/Jan/2016 às 08:52

    Marx tem mais de mil páginas somente no primeiro volume de sua obra e o cara diz que nunca trabalhou !! Mas o importante é coxinhar....

  14. Eduardo Ribeiro Postado em 19/Jan/2016 às 11:16

    Vagabundo sabe nem o que fala...são ignorantes no pior grau possível, do tipo que mal suspeitam do quanto são ignorantes. Desconhecem os dados mais banais da biografia de Marx e se acham no direito de emitir julgamentos sobre a vida particular dele. Duas metralhadoras de coxinhices e de clichês da direita, ligadas na tomada 220v, falando do que comprovadamente nunca viram e reproduzindo bobagens e mentiras que seus gurus fracassados inventam pra demonizar Marx, a esquerda, o socialismo e tudo que não é o sagrado e sacrossanto liberalismo. Aí as amebas, ávidas por alguma coisa qualquer que vilanize a esquerda e o Marxismo, consomem qualquer asneira regurgitada por um desses figurões liberais e saem despejando por aí como se fossem fatos. Não conseguem sustentar 2 minutos de conversa sem ter que olhar algum blog da ultra-direita raivosa brasileira pra encontrar alguma resposta, ou alguma suposta presepada que supostamente denigre a imagem do Marxismo. Porque são VAZIOS, meninos sem ESTOFO INTELECTUAL. Pra entender o Manifesto Comunista e principalmente o calhamaço do Capital, precisam nascer de novo mais umas 14 vezes pra começar a compreender a profundidade do que existe ali. Para poder se posicionar, dizer que discorda, que é uma merda, que "refutou", falta base. Falta LEITURA. Dois meninos preguiçosos, consumidores de bobagens mastigadas por blogs da direita e gurus liberais debilóides, NUNCA PODERÃO SENTAR NA MESMA MESA para conversa sobre Marxismo com quem tem um mínimo conhecimento real do assunto. Parem com essa vergonha.

  15. André Postado em 19/Jan/2016 às 11:21

    Cara, você coloca esquerda e PT do mesmo lado. Leia só um pouco.

  16. Eduardo Ribeiro Postado em 19/Jan/2016 às 15:49

    Um livro de história - unzinho que fosse - já faria melhor do que blogs de direita que mastigam para um bando de preguiçosos incultos o material defecado num livro SABIDAMENTE picareta, mentiroso e encomendado. Vocês tem tanta preguiça e incapacidade de leitura que precisam que alguem MASTIGUE e entregue pra vocês em meia dúzia de linhas as conclusões de um dos livros mais porcos e boçais já escritos. Já estariam errados em ir direto no "Livro Negro", onde conforme já elucidei há mentiras em cima de mentiras. Mas vocês vão onde alguém já mastigou, interpretou, resumiu e concluiu por vocês. É de um déficit cognitivo e argumentativo que beira a mendicância intelectual. Estão "cozidos de preguiça" como dizia minha avó. Mas fazer o que....legal é fugir da aula de histíra, fugir da escola por medo da "doutrinação marxista" e ter aula de astrologia com o Olavão.

  17. Eduardo Ribeiro Postado em 19/Jan/2016 às 15:58

    Pra você em específico, um analfabeto político que entregou a alma para Olavo de Carvalho e Mises, sim, dei aula. Meramente introdutória, rasa mesmo, por falta de tempo e espaço, mas pra quem é um coitado de um papagaio de blog de direita, pra quem é preguiçoso e passa longe de livros, pra quem fugiu da escola por medo da "doutrinação" e foi alfabetizado pelo astrólogo, e pra quem cujo conhecimento sobre Marxismo se limita a "mimimi ele batia na mulher e era um preguiçoso que não trabalhava", cara, eu dei uma puta aula. Uma senhora aula. Uma aula que você nunca teve na vida. Aproveite que não cobrei, geralmente não trabalho de graça.

  18. Eduardo Ribeiro Postado em 19/Jan/2016 às 16:05

    """""""errei um pouco"""""""" ...... sei...errou em 60 milhões....aumentou em 150%.....quase nada....só um "pouquinho assim"...e isso supostamente...agora continue sua pesquisa e se informe para descontar os numeros fantasiosos que incham a estatística, conforme já elucidei....já dei umas pistas aí, basta você se esforçar....aí você chega na verdadeira quantidade de mortos por Stalin.

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