Redação Pragmatismo
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Racismo não 07/Jul/2015 às 11:17
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Ainda sobre o incidente racial envolvendo Maria Júlia Coutinho

Ministério Público pede investigação para identificar autores das ofensas contra Maria Júlia Coutinho. Agressores podem ser indiciados por dois crimes. Advogado afirma que caso ilustra a situação de racismo camuflado que impera no Brasil

Maria Júlia Coutinho racismo Jornal Nacional
Maria Júlia Coutinho, vítima de racismo

Vítima de ofensas racistas, a jornalista Maria Julia Coutinho ganhou o direito de falar, ao vivo, por 70 segundos, no “Jornal Nacional”, sobre a agressão que sofreu.

“Estava todo mundo preocupado. Muita gente imaginou que eu estaria chorando pelos corredores. Mas a verdade é o seguinte, gente. Eu já lido com essa questão do preconceito desde que eu me entendo por gente. Claro que eu fico muito indignada, triste com isso, mas eu não esmoreço, não perco o ânimo, que é o mais importante. Eu cresci em uma família muito consciente, de pais militantes, que sempre me orientaram. Eu sei dos meus direitos. Acho importante essas medidas legais serem tomadas, até para evitar novos ataques a mim e a outras pessoas. Isso é muito importante. E quero manifestar a felicidade que fiquei, porque é uma minoria que fez isso. Eu fiquei muito feliz com a manifestação de carinho, Recebi milhares de e-mails, de mensagens. Isso é o mais importante. A militância que faço é com o meu trabalho, sempre bem feito, com muito carinho, com muita dedicação, com muita competência, que é o mais importante. Os preconceituosos ladram, mas a caravana passa”, desabafou a jornalista.

Crime

As pessoas que postaram comentários racistas direcionados à jornalista Maria Júlia Coutinho, do Jornal Nacional, da Rede Globo, podem ser indiciados por dois crimes. As ofensas estão enquadradas em racismo e injúria racial e podem resultar em até dez anos de prisão.

O Ministério Público do Rio de Janeiro e o de São Paulo já pediram a investigação das ofensas.

Conforme o advogado, consultor de políticas públicas e jornalista Dojival Vieira, o caso ilustra a situação de racismo camuflado no Brasil.

“A internet acaba sendo vista pelos racistas como um território onde eles podem extravasar o que pensam. Isso explica os comentários agressivos e outras aberrações praticados contra a jornalista. Ninguém no País assume que é racista e o camuflado não aparece à luz do dia. Assim, passaram a ver que a internet é impune, o que é uma ilusão”, disse.

Para o advogado, as ações do MP que devem identificar os responsáveis pelos comentários podem enquadrá-los nos dois crimes: artigo 140 do Código Penal, injúria racial, e o crime de racismo, previsto na lei 7.716/89.

“O que não pode ser feito é confundir o racismo com preconceito. Preconceito todos nós temos, racismo é atitude. São coisas distintas, que o senso comum mistura”, opinou o advogado.

Para o militante do Movimento Negro Honerê Alamin Oadq, o que aconteceu é um reflexo do que é veiculado na própria televisão e acabou formando o caráter racista das pessoas que postaram as mensagens.

“Dificilmente a TV coloca o negro em posição adequada, em condição que não seja subalterna. Por muito tempo os programas produziram racismo ditando a cor do ladrão e a cor do empresário. Quando se coloca pessoa negra em horário nobre, essa população que ela sempre educou de maneira racista manifesta a contradição dessa mudança”, opinou Oadq.

De acordo com o militante, a jornalista está no cargo porque se esforçou muito para isso, mas ainda é exceção. Segundo ele, muitos negros ficam fora do mercado de trabalho por causa da cor da pele.

“Ela não tem que ser exceção, e a nossa luta é para que acabem essas exceções, para que outras pessoas possam ter o acesso devido à sua capacidade técnica e à experiência profissional. Isso atualmente não é levado em conta, porque o profissional negro, principalmente quando está em uma grande mídia, é barrado”, afirmou Oadq.

Apoio

O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa usou o Twitter no domingo, 5, para mandar duas mensagens de apoio à jornalista Maria Júlia Coutinho, a Maju, do Jornal Nacional, da TV Globo. Ela foi alvo de comentários racistas na noite de quinta-feira, 2, na página oficial do telejornal, no Facebook.

“Pois é, Maju. Aqui é assim. O pior é que boa parte dessa gente ainda se acha relevante, tem veleidades de ser vista como pessoas civilizadas”, disse Barbosa no primeiro post.

Publicações em defesa de Maju logo surgiram após as críticas. Na tarde de sexta-feira, 3, um usuário do Twitter postou uma crítica ofensiva à jornalista, que foi rebatida por ela. “Beijinho no ombro”, respondeu Maju.

“Adorei tua resposta, Maju. Nem te conto o que se passou comigo nos 11 anos em que ocupei posição de alta responsabilidade e visibilidade…”, afirmou o ex-presidente do STF.

Joaquim Barbosa ficou onze anos no Supremo, entre 2003 e 2014. Ele presidiu a Corte máxima no julgamento da Ação Penal 470. Barbosa não entrou em detalhes, porém, sobre o que ele viveu em onze anos no STF.

O caso

Na última quinta-feira (2/7), Maria Júlia Coutinho foi vítima de comentários preconceituosos na página oficial do Jornal Nacional no Facebook. Diversos internautas escreveram mensagens racistas, como “Só conseguiu emprego no ‘Jornal Nacional’ por causa das cotas. Preta imunda” ou “Vá fazer as previsões do tempo na senzala”.

O âncora do Jornal Nacional William Bonner, a apresentadora Renata Vasconcellos e a equipe do telejornal fizeram um vídeo em resposta aos comentários preconceituosos. Sem citar a polêmica, Bonner falou: “A gente queria dar um recado para vocês. E o recado é esse aqui, ó: ‘somos todos Maju'”. A hashtag “SomosTodosMajuCoutinho” ficou em primeiro lugar nos Trend Topics do Twitter.

informações de Diário do ABC, EM e Agência Brasil

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Comentários

  1. soda cáustica Postado em 07/Jul/2015 às 11:38

    Recomendo a leitura da obra-prima(...) "Não somos racistas" de Ali Kamel... Ele não vai dizer nada sobre a Maju ???...

  2. Eduardo Ribeiro Postado em 07/Jul/2015 às 12:06

    """Poxa...mas Pai Ali Kamel disse que não existe racismo....e de repente uma funcionária DELE é vitima disso aí...não é possível que Pai Ali Kamel esteja falando bobagem...não existe racismo no Brasil...é essa Maju aí que está se fazendo de vítima."""

  3. Eduardo Ribeiro Postado em 07/Jul/2015 às 12:09

    """"""Foi a militância do PT que se organizou pra criar esse teatrinho....fakes criados pelos partidos de esquerda pra tumultuar...são sempre os militontos do PT os culpados...não existe racismo no Brasil..."""""""

    • eu daqui Postado em 07/Jul/2015 às 14:01

      não fique dando ideia não, viu?

    • silvia Postado em 07/Jul/2015 às 15:18

      VTC . Imbecil.

  4. B. Ferreira Postado em 07/Jul/2015 às 13:05

    O racismo é a coisa mais nojenta existente na face da Terra. Tomara que os racistas otários sejam punidos veementemente diante de tais fatos expostos em todos os portais de comunicação. Inadmissível que isso ocorra à vista de todos e que as punições e caça aos racistas não sejam tomadas. Oremos.

    • Eduardo Ribeiro Postado em 07/Jul/2015 às 14:12

      E tomara que ela assuma um dia a bancada do JN, só pelo prazer de ver os racistinhas ficando putos, babando e arrancando a calcinha pela cabeça.

      • silvia Postado em 07/Jul/2015 às 15:20

        VTC. Alienado.

      • Eduardo Ribeiro Postado em 07/Jul/2015 às 16:35

        É. Mas a julgar pelo clima de imbecilidade generalizada e intensificada, parece que dessa vez o incômodo seria maior. Talvez por ser preta e mulher. Além do que esse Heraldo é tapa-buraco pelo que me lembro. Isso facilita ele ser menos rejeitado. A bancada sabidamente é do Bonner, bonitão, branco, dentes branquinhos, cutis alva. Chega sábado a noite, aí um homem branco da elite que dentro da "meritocracia" trabalhou tanto durante a semana toda merece um descanso, aí a gente bota qualquer um lá pra substituir. Nesses casos pode até ser o Heraldo. Eu queria ver ela ASSUMIR, tipo a mulher do Bonner, ser a dona da bancada. Julgo que seria a morte para esses meninos buchudos. Mas eu não sei, eu não entendo a cabeça de racista.

      • José Ferreira Postado em 07/Jul/2015 às 22:46

        Você, Eduardo Ribeiro, ao falar que ele é apenas um "tampão" está menosprezando o seu trabalho. Caro B. Ferreira, o ofensor é menor de idade e não vai ser punido adequadamente por conta disso.

      • poliana Postado em 08/Jul/2015 às 22:26

        eduardo, acabei de ver na página do msn q a maju foi promovida a âncora do jn nos períodos de fériados e folgas dos apresentadores...http://www.msn.com/pt-br/tv/noticias/maju-%C3%A9-promovida-%C3%A0-bancada-ap%C3%B3s-coment%C3%A1rios-racistas-na-internet-diz-jornal/ar-AAcJDhy

  5. eu daqui Postado em 07/Jul/2015 às 13:39

    Deixem a mulher trabalhar. Se ela não trabalhasse vinha gente falar que preto é preguiçoso.......

  6. B. Ferreira Postado em 07/Jul/2015 às 13:44

    Reinterando: como uma pessoa negra em ocupação de um/uma cargo/função visível, notório e de ascensão causa todo esses estardalhaço por parte dos intoleráveis, hein? E dizem que não existe racismo no Brasil, que somos um povo hospitaleiro, alto astral e blá blá blá...

    • Rodrigo Postado em 07/Jul/2015 às 15:06

      (Outro Rodrigo) B., temos essa mania mesmo, de olhar para tudo, menos para o caráter humano do indivíduo e a dignidade que a ele assiste. Queremos saber para o time que torce, a cor, a origem, se tem credo e qual ou se não o tem, "ideologia partidária", condição econômica, dentre outros, vinculando um ou mais, ou todos esses caracteres, a atributos internos como honestidade, inteligência, eficiência etc. Usamos isso para nos separarmos em "grupos" (cada um mais especial que o outro). E vamos deixando de olhar para o ser humano, tanto, que chega o momento em que sequer nos interessa o que ele sabe, diz, faz. Quem ele verdadeiramente é, pois, bastando-nos olhar para caracteres externos e, então, dizermos: não ouçamos, é só um "(a pecha depreciativa que livre e delibradamente impomos)".

      • Bruno Ferreira Postado em 07/Jul/2015 às 16:15

        Perfeito como sempre, Outro Rodrigo!

  7. eu daqui Postado em 07/Jul/2015 às 14:02

    Informação relevante. Mas o que isso tem a ver com a cor dela?

  8. Eduardo Ribeiro Postado em 07/Jul/2015 às 14:09

    Mais fake impossível. O nome da empresa é parecido porém diferente, e o ramo é completamente diferente. Já está desmistificado mais um crime da direitalha.

  9. Eduardo Ribeiro Postado em 07/Jul/2015 às 14:10

    Aliás, é cara da DIREITA RACISTA inventar mil teorias da conspiração através de uma notícia fake para desmoralizar a guria e negar o racismo. E é um fake que partiu de alguem BURRO. Porque se eu estou envolvido num suposto esquema bilionário de corrupção, a última coisa que vou querer é atrair mídia pra cima de mim. Daí eu pergunto: em que planeta vive um debilóide que acredita nesse fake?

  10. Rodrigo Postado em 07/Jul/2015 às 14:55

    (Outro Rodrigo) Pereira, o nome da empresa é parecido, mas é diferente. Então, a menos que se prove identidade (a exemplo do que deu-se sobre licitação de "molho de tomate com ervilha", no governo ribeirão pretano Palocci, em que somente o fabricavam as empresas "Cathita" e "Tathica" - meros anagramas). No mais, apoio a devida punição a todos os racistas, sejam àqueles que atacam a jornalista, sejam àqueles que prontamente alcunharam Barbosa de "negro vendido" e "capitão do mato"; racistas, sejam os da "direita", sejam os da "esquerda", merecem a mesma punição.

    • Rodrigo Postado em 07/Jul/2015 às 14:57

      *'então, a menos que se prove identidade (...), alguém soltou a "notícia" por antecipação ou má-fé mesmo. No mais...'

  11. Rodrigo Postado em 07/Jul/2015 às 16:44

    (Outro Rodrigo) Pragmatismo, podem falar em "crime racial" mesmo. Incidente seria algo involuntário, do que o caso dista.

  12. Deisi Postado em 07/Jul/2015 às 18:54

    O racismo é uma realidade no Brasil, mas muitos fecham os olhos, infelizmente não é só a Maju que sofre esse tipo de preconceito. O racista, se esconde atras do monitor e pratica tal crime, acreditando que internet é terra sem lei. Ainda bem que hoje temos como descobrir quem pratica tais atos. O diretor de jornalismo da Globo escreveu um livro, que no Brasil não existe racismo, os colegas do JN, manifestaram apoio, "Somos todos Maju", deveriam sim aproveitar tal oportunidade, para colocar em discussão o assunto que atingiu alguém da emissora. Mas não se pode esperar nada mais que isso, do Kamel e Bonner.

  13. Luiz Souza Postado em 07/Jul/2015 às 20:50

    Os pais de Maju são militantes e ela chama os bandidos de "preconceituosos"? Só? Não há nada de preconcebido, pois a cútis da jornalista fala por si. As injúrias são baseadas na pele da moça. São supremacistas brancos, eurocentristas caucasianos, escória, criminosos de ódio.

  14. Thiago Teixeira Postado em 07/Jul/2015 às 22:28

    Para ver como os tucanos coxinhas prestam atenção no conteúdo dos telejornais. Porque eles veneram a elite branca ariana da grande mídia? Pois são (ou querem ser) semelhantes a eles.

  15. José Ferreira Postado em 07/Jul/2015 às 22:44

    Eu sabia que essa atitude era questão de molecagem, tanto que pegaram um menino de 15 lá em Carapicuíba que fez esse ato contra a jornalista. E tem pessoas que fazem textos e textos dizendo que a maioria dos brasileiros é racista (ou algo parecido), sendo que o #SomosTodosMaju ocupou o espaço dos assuntos mais discutidos do Twitter, além da jornalista ter tido o apoio de muita gente.

    • B. Ferreira Postado em 08/Jul/2015 às 08:37

      Não sei se a maioria dos brasileiros é racista, mas uma parte significativa do país é e deixa passar iso despercebendo (ou não despercebendo) suas atitudes no dia a dia.

    • B. Ferreira Postado em 08/Jul/2015 às 13:28

      isso*

  16. enganado Postado em 10/Jul/2015 às 01:32

    Pois é, não se esqueçam que a representante do AFRO do PSDB era e/ou é uma loira, lembram-se? Tinha até foto com o Aópio? Podem começar por aí!