Mailson Ramos
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Dilma Rousseff 30/Apr/2015 às 08:00
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Dilma não vai discursar no 1º de maio. E daí?

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Mailson Ramos*

A equipe da presidente Dilma definiu que ela não utilizará a rede de rádio e TV para exibir sua tradicional mensagem do dia do trabalhador, em 1º de maio. As notícias da grande mídia dão conta de que Dilma “teme novos panelaços”, como aqueles de Higienópolis e Leblon. Não é possível afirmar que se trata de um reconhecimento da equipe de comunicação do governo às mídias sociais. Pode-se dizer sim que isto é resultado das políticas inertes do governo em relação ao debate da lei de meios. De Bernardo a Berzoini, o silêncio sobre esta lei e sobre a democratização da comunicação é tanto comparável a um desastre ferroviário.

A grande mídia massacra a cabeça do brasileiro, massacra o governo, massacra as possibilidades de o governo governar. É a primeira vez que a presidente Dilma se vê cerceada dos direitos de expressão. É a ditadura branca da imprensa, fundamentada em segundo plano e tão bem engendrada nos bastidores que é impossível de ser percebida pela maioria das pessoas. Está claro que a intenção da Casa Grande Midiática é calar a presidente, nem que seja pelo barulho das panelas Le Creuset. Pelo batuque das colheres de pau no fundo destas esmaltadas panelas pensou-se derrubar a Bastilha. Nada caiu a não ser as máscaras dos batuqueiros.

Porque como todos sabem, a revolução dos bem nascidos nasceu na GloboNews. Toda má sorte de um jornalismo claudicante e pendente para o lado direito lota aquele espaço e se conserva por vinte e quatro horas no ar: notícias as mais terríveis para o país. No que depender de Merval e Mirian Leitão, enquanto o amigo ou a amiga lê este texto, o Brasil poderia muito bem quebrar, rachar como nas crises do final do século XX. O Brasil poderia também mendigar na bolsa. Poderia se estilhaçar em mil pedaços nas mãos dos investidores. Quem liga. Caberia aos nobres jornalistas sentenciar: “nós avisamos!”.

Dilma fortaleceu a TV Globo com publicidade nos últimos quatro anos. Encheu as burras dos Marinho para depois levar a pior. A Globo não mostra interesse em projeto de Brasil que tenha como beneficiário principal o mais pobre. A TV Globo, como aqueles que gritam exasperadamente nas ruas o “fora PT”, é bem nascida. E se ela é fruto das transações de influência, poder e política, como poderia apoiar um governo voltado ao filho do carpinteiro que conseguiu chegar ao ensino superior? Como concordará com a trupe de viajantes aéreos que ocupam os aeroportos? Agora vem o golpe.

Querem encurralar a presidente à beira do precipício. Uma maneira muito eficaz de dizer que o país está ingovernável, como pretende o advogado Ives Gandra, aquele que pediu paciência aos tucanos, porque “não é hora de impeachment”. Enquanto Berzoini e este ministério placebo da comunicação não colocar em pauta a lei de meios, o Brasil terá dois tipos de presidentes e governos: aqueles que defenderão as políticas sociais e serão dizimados pelo poder midiático-hegemônico; e os que colocarão seu poder a serviço dos grupos poderosos para receber benefícios em troca.

Dilma vai alcançar um grupo abrangente de usuários na internet com seu discurso. Vai alcançar aqueles que querem ser alcançados, porque o ciberespaço permite ao indivíduo escolher o que lê, ouve e assiste, diferente do que acontece nos meios tradicionais e monopolizados. Aqueles que não desejam assistir ao discurso não terão a possibilidade de bater panelas. No máximo poderão navegar em outros espaços virtuais por onde ulula um grito de desespero. Enquanto estas forças vociferam impropérios em direção à presidente Dilma, o mundo segue seu curso. Felizmente existe espaço além da TV e do rádio. Espaço onde os poderes ainda são dissolvidos e fragmentados. Salve a internet livre.

*Mailson Ramos é escritor, profissional de Relações Públicas e autor do blog Nossa Política. Escreve semanalmente para Pragmatismo Político.

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Comentários

  1. luis Postado em 15/May/2015 às 16:50

    E daí? Eu não como 1o de maio, eu não como discurso...