Redação Pragmatismo
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Terrorismo 12/Apr/2015 às 09:00
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A tática do Estado Islâmico para atrair mulheres do Ocidente

'Estado Islâmico' apela tanto para a esfera pessoal-privada das mulheres quanto a seu lado público-político para atrair adeptas do ocidente. Desejos pessoais são combinados com ideias de um propósito maior.

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No mês passado duas mulheres foram indiciadas em Nova York acusadas de conspirar para usar uma “arma de destruição em massa“.

Elas alegaram ser “cidadãs do (autoproclamado) Estado Islâmico“, apesar de nunca terem viajado para a região controlada pelo grupo extremista islâmico.

As razões alegadas por elas para não terem imigrado: eram velhas demais e uma já era casada.

Essas preocupações com idade e estado civil não surpreendem.

Fóruns de discussão na internet também indicam que a maioria das mulheres que viajam para se juntar ao ‘Estado Islâmico‘ esperam se casar logo que chegam à Síria.

O casamento com um combatente gera uma identidade forte, um senso de pertencimento a uma comunidade.

Escolha falsa

A maioria das análises apresenta essas mulheres como se elas rejeitassem o liberalismo ocidental – e presumem que elas têm a mesma capacidade de acesso a esse liberalismo que as mulheres europeias, o que dá uma ideia do quão pouco as pessoas em geral sabem sobre as dificuldades pelas quais elas passam.

Elas são submetidas a uma escolha falsa: ou ficam com os direitos e o feminismo ou com a tradição e a fé.

Querer os dois é visto tanto em suas comunidades como pela opinião pública como irracional.

O Estado Islâmico capitaliza esse fato questionando constantemente o status das mulheres no Ocidente, sublinhando a batalha pela imagem do corpo, a dupla jornada de emprego e trabalho doméstico, a cultura do estupro, pornografia, racismo e assim por diante.

Leia também: As jovens ocidentais que se aliaram ao Estado Islâmico

Isso não equivale a dizer que o Estado Islâmico é feminista; para eles as mulheres não são iguais aos homens e eles rejeitam o potencial do feminismo liberal do Ocidente.

As mulheres no Estado Islâmico têm pouca liberdade para viajar, trabalhar ou ter cargos públicos.

De acordo com um manifesto traduzido pelo centro de estudos Quilliam Foundation, as mulheres apenas recebem permissão para abandonar o trabalho doméstico e lutar “se o inimigo estiver atacando seu país e os homens não são suficientes para protegê-lo“.

As mulheres neste momento sabem que esse momento não chegou, o que mostra que a mensagem do ‘Estado Islâmico‘ apela tanto para a esfera pessoal-privada das mulheres quanto a seu lado público-político.

Esses relatos sobre “noivas jihadistas” pintam um quadro de romantismo e esperança.

No Estado Islâmico, o casamento é apresentado como algo bem maior do que a mera união privada entre duas pessoas.

Desejos pessoais são combinados com ideias de um propósito maior.

Bint Nur, a mulher de um combatente islâmico originário da Grã-Bretanha escreveu no site Ask.fm em 2014: “as mulheres constróem os homens e os homens constróem a Umma (comunidade)“.

Profecia

Suas escolhas pessoas – tarefas domésticas, crianças, casamento – estão relacionadas à construção de um novo Estado.

Segundo o site de notícias Vocativ, 45% da propaganda do Estado Islâmico se concentra em tarefas ligadas à consolidação de seu califado.

Além de retratar construções de vias e infraestrutura local, a propaganda se foca em trabalho de caridade, polícia de trânsito, sistemas judiciários, hospitais e projetos de agricultura.

Para mulheres que viajam à Síria e ao Iraque, os motivos pessoais têm um propósito mais amplo – seu dever é se tornar “mães fundadoras” desse novo Estado.

Do outro lado, a mensagem do Estado Islâmico reforça as conotação negativa que acompanha jovens muçulmanas que vivem na Europa: constantemente vistas como ‘ameaça’, em risco, segregadas e, na melhor das hipóteses, com um futuro limitado.

Desafiar o Estado Islâmico vai requerer mais do que conter o discurso religioso, criar novas leis e dar poderes à polícia e aos serviços de segurança. Um programa para impedir a radicalização requer dialogar com as jovens muçulmanas sem que elas tenham a impressão de que são vistas como um problema de segurança.

Muitas jovens muçulmanas são silenciadas pela atual atmosfera política porque elas temem serem espionadas ou tratadas como radicais apenas por fazer perguntas – o que apenas as direciona para os extremistas.

Ao contrário, o que é preciso é entender seus medos e aspirações, superar a islamofobia, discriminação e desvantagens materiais.

A conferência Filhas de Eva, realizada pelo Conselho de Mulheres Muçulmanas é um exemplo dessa abordagem.

Nós temos que deixá-las fazer perguntas difíceis não apenas sobre o Estado Islâmico, mas sobre a Grã-Bretanha.

Katherine Brown, BBC

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Comentários

  1. Rogerio Postado em 12/Apr/2015 às 22:25

    Apesar de tantas reportagens como essa, seja neste site ou outros veículos de comunicação, nada justifica o preconceito contra árabes/muçulmanos.

    • eu daqui Postado em 13/Apr/2015 às 09:55

      Nada justifica mordacismo nem fundamentelismo. Tudo justifica a luta pelo laicismo e combate a fundamentalismos em geral. Especialmente se se tem pos-conceito além do generalizado preconceito que TODO MUNDO TEM, PRINCIPALMENTE BRASILEIROS.. Vai trabalhar, bolsista, pra não ter tempo de ficar defendendo criminoso fanatico !!!!!!!!!

      • Rogerio Postado em 13/Apr/2015 às 11:45

        Vc quer justificar uma forma de preconceito. Laicismo não significa ateísmo. Fundamentalismo existe em TODAS as religiões. Uma minoria fundamentalista não pode ser pretexto para condenar a todos. Existem 1,5 mi de muçulmanos no Brasil. Muitos são brasileiros sem origem árabe que se converteram. Há atentados aqui? Portanto, nada justifica seu preconceito apelidado de pôs conceito. Vc não conhece muçulmanos. Então não fale besteira.

      • eu daqui Postado em 14/Apr/2015 às 10:25

        Vc é que não me conhece, preconcebe a meu respeito e fica aí passando atestado de fracassado que condena no outro a própria sombra. Bem feito precisar desse deus criminoso: ele é a cara dos lixos que o usam como arma política. E falo o que quiser e como quiser numa democracia laica de direito. A única besteira falada e cagada aqui é vc. Tá iincomodado? Vai ser lavador de latrina na Arabia Saudita.

      • Rogerio Postado em 15/Apr/2015 às 05:12

        Vc chama muçulmanos, pessoas, de criminoso fanático. Se alguém chama negro de criminoso bandido, gay de criminoso atlético, padre de criminoso pedófilo, ateu de criminoso descrente já fica claro o preconceito. Defendo os muçulmanos sim, do mesmo modo como defendo negro, gay, down, soropositivo, deficiente... Não concorda com minha falta de preconceito? Chora!!! O mundo caminha nessa direção em que estou...

  2. Pereira Postado em 13/Apr/2015 às 11:26

    O fato do EI estar aliciando mulheres para escravidão sexual não representa problema nenhum par as feminazes; Problema mesmo, são os cristãos que tentam propor uma saída mais humana para gravidez indesejada do que o aborto violento.

  3. Gisele Postado em 13/Apr/2015 às 21:43

    Engraçado que em uma página como esta tenha alguém usando um termo tão chulo para descrever as feministas, e diga-se de passagem, grandemente desrespeitoso não só para com elas mas principalmente, para com as vítimas do nazismo. Prova-se que a ignorância pode perpetuar mesmo quando se tem acesso ao conhecimento. Enfim, é uma escolha. É escolha também a junção dessas pessoas ao EI. Não se pode dizer que os jovens, os homens e as mulheres que largam tudo para se juntar ao EI ou ficam em seus países de origem pregando, concordando e executando as ações do EI não conhecem o que estão fazendo. Não precisa de muita pesquisa para se ter conhecimento de todas as torturas, decaptações, escravidão infantil e toda desgraça que os agentes do EI submetem o seu povo e os seus prisioneiros. Sinto muito mas não consigo sentir tanta pena dessas pessoas quanto eu sinto das suas vítimas mesmo tendo certeza absoluta de que suas vidas não são nem um pouco agradáveis. Ainda assim, é muita tristeza tudo isso.