Redação Pragmatismo
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Mercado 26/Mar/2015 às 09:00
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Os 10 comerciais mais preconceituosos dos últimos meses

A série de desastres produzidos pela publicidade brasileira inclui, entre outras coisas, objetificação da figura feminina, culpabilização da vítima e culto ao padrão branco de beleza. Confira as 10 propagandas mais machistas e racistas do último ano

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Os 10 comerciais mais preconceituosos (Imagem: Pragmatismo Político)

Anna Beatriz Anjos e Jarid Arraes, Revista Fórum

Palmolive – “Longo Sedutor”

A propaganda voltada ao cuidado com os cabelos reforça a mensagem de que as cantadas seriam profundamente desejadas pelas mulheres. Fazendo um trocadilho com o ato de cantar uma música, o vídeo mostra uma mulher sendo abordada, incluindo até mesmo toques físicos, por causa de seu belo cabelo. O tema das cantadas tem ganhado força no Brasil, evidenciando a prática como algo invasivo e violento, que constrange e amedronta mulheres. A Palmolive, no entanto, prefere não acompanhar o avanço social.

TRESemmé – “Selagem Capilar”

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Com a frase “meu cabelo liso ressalta o melhor de mim”, a marca de produtos capilares exibe uma modelo negra como símbolo de sua propaganda. A mensagem é clara: o melhor que uma mulher negra pode possuir em si é algo que se faz notar apenas com a aproximação ao padrão de beleza branco. É verdade que algumas pessoas de pele escura têm os cabelos naturalmente lisos, mas basta um pouco de consciência e responsabilidade social para perceber, preferencialmente antes de aprovar a peça publicitária, que vivemos uma epidemia de alisamentos e que o cabelo crespo ainda é alvo dos mais agressivos tipos de rejeição e preconceito.

Mr. Músculo

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Para vender produtos de limpeza, a marca recorre à antiquíssima ideia de que os afazeres domésticos são tarefas femininas. Em suas peças publicitárias, são exibidas mulheres cuidando da limpeza, preocupando-se com a manutenção da casa e caindo de exaustão após uma faxina. Para piorar, a empresa chegou a publicar uma peça afirmando que a mulher só poderá buscar seus objetivos e sonhos depois de limpar a casa.

Posto Ipiranga

Na campanha lançada neste início de 2015, a rede de postos de combustível expõe uma imagem completamente estereotipada e infiel dos povos indígenas brasileiros. Primeiro, porque os retrata com características claramente trazidas da América do Norte – exemplo é o cocar dos índios apaches, nativos dos EUA, que nada têm a ver com os adereços utilizados por nossas comunidades tradicionais. Além disso, ridiculariza os indígenas, utilizando-se do velho e preconceituoso clichê de que são burros e menos civilizados do que o branco ocidental.

Skol

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O anúncio da marca de cervejas trouxe à tona os aspectos mais machistas e violentos do Carnaval. Ignorou, sobretudo, a noção de consentimento, algo que ocorre corriqueiramente em nosso país, mas é levado às últimas consequências no feriado em questão. A peça dá a entender que a negação da mulher às investidas sexuais alheias pouco importa, principalmente se tiver consumido bebidas alcoólicas – como a divulgada pela propaganda – ou se estiver vestida com roupas curtas, encaradas por si só como “convite” e “permissão” à invasão de seu corpo.

Ministério da Justiça – “Bebeu, Perdeu”

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Em campanha para combater o consumo de álcool por parte de crianças e adolescentes, o Ministério da Justiça acabou produzindo uma peça extremamente machista, que culpabiliza a mulher vítima de atos praticados sem o seu consenso, desde um estupro à divulgação de vídeos íntimos – o famoso revenge porn. Dessa forma, insinua, ainda, que as mulheres que bebem, por exemplo, pedem para ser abusadas e, por isso, não têm direito a nenhum tipo proteção. Depois da desastrosa repercussão da propaganda nas redes, o órgão a retirou de circulação e pediu desculpas em sua página no Facebook.

Itaipava – “Verão”

Mais um anúncio machista que, acima de tudo, objetifica e hiperssexualiza a figura da mulher. Ao fazer a comparação entre o volume de cerveja contido nos recipientes comercializados pela marca e o silicone dos seios da modelo, a peça a coloca à disposição dos homens, que podem, teoricamente, escolher a “embalagem” de sua preferência. Além disso, ainda exalta o padrão de beleza branco e esbelto, que dificilmente deixa espaço a quem não corresponde a ele, como as mulheres gordas e negras (estas, quando atingem visibilidade, aparecem de maneira ainda mais sexualizada).

Fast Shop – Semana da Mulher

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Uma das mais catastróficas peças produzidas para “comemorar” o último Dia Internacional da Mulher, reforça o estereótipo sexista de que as tarefas relacionadas à vida doméstica são responsabilidades exclusivamente femininas. Como se não bastasse, sugere a compra de uma máquina de lavar para que a mulher, vista sempre como uma dona de casa, “tenha mais tempo livre”. A loja responsável por tal infelicidade parece ter esquecido que a “jornada dupla” socialmente imposta às mulheres trabalhadoras, é um fardo enorme que lhes toma tempo e as impede, muitas vezes, de manter maior foco em questões profissionais, como podem fazer os homens sem nenhum impeditivo.

Always – 0% Vazamentos

Em um dos maiores desastres da publicidade brasileira, a marca de absorventes tentou engatar uma campanha de conscientização sobre fotos e vídeos íntimos publicados sem o consentimento das mulheres. O equívoco foi imenso: até mesmo a ONG Safernet, que deveria ser responsável pelo conteúdo informativo e legal, reforçou a ideia de que as mulheres são culpadas pelas fotos vazadas, indicando que não tirem fotos íntimas caso não queiram aparecer na internet. Em nenhum momento a propaganda falou sobre a responsabilidade dos homens que divulgam o conteúdo sem permissão e de forma criminosa. Para completar o desastre, a Always exibiu a modelo Sabrina Sato como atrativo sexual para chamar atenção da audiência durante a campanha.

Risqué – “Homens que amamos”

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Com o objetivo de “homenagear” os homens por comportamentos sexistas, a marca de esmaltes achou que seria uma boa ideia reforçar o clichê do “homem que ajuda” ao lançar sua nova coleção – porque para um homem basta cozinhar o jantar ou lavar alguns pratos sujos de vez em quando para conquistar o amor das mulheres. Entre outras máximas sexistas, a marca de esmaltes não promove nenhum conteúdo positivo para o público feminino, além de propagar uma heteronormatividade equivocada, já que muitas mulheres nem sequer se sentem sexualmente atraídas por homens.

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Comentários

  1. Celio Postado em 26/Mar/2015 às 11:19

    Enfiem o politicamente correto no meio do cubo.

    • Gustavo M. Gomes Postado em 26/Mar/2015 às 11:34

      Estão sendo chatos demais....

    • Laila Postado em 26/Mar/2015 às 12:09

      Adoram o politicamente incorreto, defendem. Depois vão nas ruas levantar plaquinha contra a corrupção. Afinal, decidam o que voces apoiam! Ou é o correto ou é o criminoso!

      • Karine Postado em 26/Mar/2015 às 12:39

        Pois é Laila, esse pessoal só defende quando os convém. Se fosse com homens o politicamente incorreto é desrespeito, agora com mulheres é divertido.

      • Vinicius Postado em 26/Mar/2015 às 22:04

        É dessa forma apoiam quando os beneficiam. Pode ser politicamente incorreto com minorias porém com a religião cristã não, isso se chama indignação seletiva! *Outro Vinicius

      • Carlos Postado em 27/Mar/2015 às 06:03

        Como tem mulher chata.

      • eu daqui Postado em 14/Apr/2015 às 12:02

        Quanto mais homem incomivel mais mulher chata. Por isso esta m de nação é campea nos dois.

    • Glauco Postado em 26/Mar/2015 às 13:28

      E bem fundo.

    • Vinicius Postado em 27/Mar/2015 às 14:12

      E as piadinhas sem graça , o preconceito e a ignorância também!!* outro Vinicius

  2. Olga Postado em 26/Mar/2015 às 12:00

    Pelo visto, ninguém o quase, entende de sexismo... é bom ler sobre o tema antes de fazer propagandas e de comentar!

  3. Roosevelt Postado em 26/Mar/2015 às 12:10

    Legal é que quando se está na posição dominante, qualquer forma de resistência é deslegitimada... Melhorem...

  4. Wanderson Postado em 26/Mar/2015 às 12:34

    Não vi nada demais no artigo.Ele só demonstra por meio de a+b que o preconceito nosso de cada dia é bastante sutil,sempre aparece nas entrelinhas.Além do que,certas propagandas,como as de cerveja sempre agiram fora do bom-senso,afinal de contas,qual a relação que há entre uma mulher e uma garrafa de cerveja? Estamos passando por um fenômeno esquisito em nossa sociedade:a chamda"coisificação do ser humano".Isso está patente,a meu ver nas propagandas que nós vemos diariamente nos meios de comunicação. Aliás,não é de hoje que a publicidade pisa na bola,não só aqui mas em outros países do mundo.É só dar uma boa pesquisada e vamos encontrar muitos exemplos.

    • Mário Dd santos Postado em 26/Mar/2015 às 14:38

      "coisificação do ser humano" acho uma expressão bem expressiva para o fenômeno social em questão!

  5. Isaac Postado em 26/Mar/2015 às 12:35

    Sabe a diferença entre o publicitário e o espermatozoide? Um entre milhões pode se tornar um ser humano. :D

  6. André Postado em 26/Mar/2015 às 12:38

    V T N C! Eu prefiro Petrobrás, mas criticar a série da Ipiranga é de uma estupidez atroz! Os índios norte-americanos tiveram o mesmo espaço dos alienígenas. Não podemos mais ter propagandas com E.T.s? Além disso os índios não representam as classes dominantes dos EUA e foram mais espertos que o cara que manda ir ao posto. As vezes o PP dá umas forçadas que vou te contar.

    • André Postado em 26/Mar/2015 às 15:14

      Cara, bem isso. Todos os personagens passaram pelo vendedor de cestas e fizeram diversas perguntas. Os índios americanos passaram e fizeram as mesmas perguntas e interpretaram que eles são inferiores ao "homem branco". Primeiro que acredito que a ideia nem era passar a imagem do índio brasileiro, muito menos ridiculariza-los. E sim passar a ideia de viajantes que vêm de longe, America do Norte, e precisam de informação no país, ou planeta, no caso dos ETs.

    • Fred Delgado Postado em 26/Mar/2015 às 19:55

      Pois é... Assisti ao vídeo todo esperando algo bem escroto e tive o mesmo pensamento seu. E concordo com André, pra mim deu a impressão de pessoas que vinham de longe e não de índios brasileiros. Forçaaaaaram!!!! Também acho que forçaram por demais o do Ministério da Justiça "Bebeu, perdeu". Pra mim ficou claro, até pelo texto antes, que quem bebe não se lembra do que faz, perde a noite e, além de tudo, vira chacota. Podem até reclamar do incentivo ao bullying, porém achar "que as mulheres que bebem, por exemplo, pedem para ser abusadas e, por isso, não têm direito a nenhum tipo proteção." é forçar muito a barra.

  7. Junior Postado em 26/Mar/2015 às 12:51

    Ok, algumas propagandas são ridículas e absurdas mesmo, outras apenas foram infelizes. Mas a do Posto Ipiranga.... quem é que disse que os índios da propaganda são Brasileiros? Se for assim, seria também um absurdo e preconceito contra os alienígenas brasileiros estereotipa-los na outra propaganda que aparece no vídeo. Sinceramente ali a matéria se perdeu bastante.

    • Roger Postado em 26/Mar/2015 às 19:05

      Realmente, nada a ver. Aparecem franceses, acho que italianos, também, e índios NORTE-AMERICANOS para caracterizar os EUA, não o Brasil. Aí foi um mimimi além da conta.

    • Roger Postado em 26/Mar/2015 às 19:08

      Nada pior que as propagandas de cerveja, todas machistas, imbecis e sem graça. A propósito, homem também sofre preconceito. Basta ver as propagandas com famílias onde o marido é sempre mostrado como um panaca. A verdade é que o mercado publicitário brasileiro mau a pior. A inteligência, infelizmente, ficou nas décadas passadas.

  8. Matheus Magalhães Postado em 26/Mar/2015 às 13:10

    Creio que o mais terrível deles não está na lista. No caso, este que falo não apenas objetifica a mulher, mas, também, humilha e oprime homens que não se enquadram nesse padrão estético de "deus grego", que reina nas campanhas publicitárias de hoje em dia. É aquele da fila de mulheres que estão comprando presunto apenas porque quem está vendendo é um cara bonitão.Quando ele cede o lugar a um rapaz magrinho, as mulheres perdem o desejo de comprar presunto (???) repentinamente até que o bonitão retorna e a propaganda volta a nos brindar com mulheres gozando ao comprar fatias de presunto. Para além da bizarrice, a propaganda coloca as mulheres na posição de criaturas que vivem em função dos homens (a ponto de talvez comprar o que não querem), humilha e desqualifica uma pessoa que não se enquadra nestes padrões agressivos de beleza (porque será que tem tanta gente detonando com o corpo comprando bomba vagabunda por aí?) e reduz os afetos, literalmente, a um balcão de venda de pedaços de carne. Outra, mais antiga, que trata novamente de padrões de beleza, era uma de carro onde uma família de "gordinhos" tenta entrar em um carro da marca concorrente e tem de lidar com a falta de espaço. Apesar do mau gosto, daria para tolerar se não fosse a segunda parte: quando o carro alvo da campanha é mostrado, vemos uma família magérrima, ariana, de olhos azuis dentro do espaçoso carro. Se o carro é maior, por que não utilizar os "gordinhos" para demonstrar? Só gente esbelta pode dirigir o carro de vocês?

    • Luiz Costa Postado em 26/Mar/2015 às 13:36

      Pra exigir igualdade é preciso pensar com equilíbrio e inteligência. Muito bom.

  9. Rogerio Postado em 26/Mar/2015 às 13:26

    Este site tem preconceito contra índios americanos?

  10. Diego Santana Postado em 26/Mar/2015 às 13:35

    Por favor, Moderação, ser politicamente correto tem limite. Favor rever a propaganda do Posto Ipiranga, pois incorreram em um grave problema de interpretação. E essa, pra mim, é o grande problema por trás da correção política. O comercial em questão, retrata ÍNDIOS APACHES AMERICANOS que, além do sotaque estereotipadamente americano, tem que pegar um avião para retornar ao país de origem. Nada tem a ver com os índios brasileiros e seus cocares! Por favor, reconsiderem.

  11. Ronald Postado em 26/Mar/2015 às 13:46

    Parabéns. Vão perder um leitor que se considera de esquerda (pelo menos na maioria dos assuntos) pq este não suporta mais tanto mimimi feminazi.

  12. Eduardo Postado em 26/Mar/2015 às 13:47

    Forçaram a barra no caso da ipiranga hein? Podia passar sem essa.

  13. Flávio Postado em 26/Mar/2015 às 14:46

    as propagandas da cerveja conti ganham longe

  14. Douglas Postado em 26/Mar/2015 às 15:50

    Estava escrevendo um post para contra-atacar cada um dos exemplos, mas estava ficando grande demais e ninguém ia ler. A reportagem passa a impressão de que foi escrita por uma pessoa cheio de amargor no coração. Apesar de eu achar ridículo fazer propaganda de máquina de lavar no dia da mulher, é o único exemplo com o qual concordo. Os outros ou foram exemplos ruins ou utilizaram linguagem agressiva para passar a mensagem.

  15. Luís Fernando Postado em 26/Mar/2015 às 18:57

    Que reportagem desnecessária. Não vi nada de ofensivo em nenhum dos anúncios publicitários. Essa história de politicamente correto já encheu.

    • Vinicius Postado em 26/Mar/2015 às 22:12

      Essa história de preconceito, ignorância e estereotipagem também já encheu...aliás a muito tempo. *Outro Vinicius

  16. Luciana Oliveira Postado em 26/Mar/2015 às 19:43

    Não é bem assim. Num país da África subsaariana, a população é majoritariamente negra. E na Alemanha, majoritariamente branca. No Brasil os negros e pardos, maioria da população, pouco se veem representados na publicidade, e quando acontece quase sempre é de forma pitoresca, sexualizada e/ou depreciativa.

  17. Vinicius Postado em 26/Mar/2015 às 22:09

    "Mundo chato de mais" , existem coisas mais interessantes do que ficar perpetuando preconceitos e ignorâncias. *Outro Vinicius

  18. Carlos Trigueiro Postado em 26/Mar/2015 às 22:39

    a) Essas propagandas de cerveja são péssimas e de extremo mau gosto! b) Eduardo Galeano já chamava a atenção para esse aspecto do alisamento de cabelo em "o teatro do bem e do mal". c) Quem viu preconceito na propaganda do Posto Ipiranga foi o estagiário do PP!!

  19. Rossana Postado em 29/Mar/2015 às 14:08

    Ta cheio de homens aqui não vendo nada de mais no machismo. Empatia zero de vcs.

    • eu daqui Postado em 14/Apr/2015 às 12:03

      Um país com tanto homem nunca teve uma revolução. Por aí a gente vê a superioridade deles. kkkkkkkk

  20. Marco Postado em 11/Nov/2015 às 20:06

    A dos cabelos lisos é real mas esta última é dose. Era só o que faltava não poder explorar a relação homem mulher por causa dos homossexuais e um suposto favorecimento a heteronormatividade.

  21. Nadya Postado em 21/Jul/2016 às 10:31

    Não li ou vi nada de ofensivo.Na verdade as mulheres ainda querem sim agradar aos homens e vice-versa...Qual o grande problema nisso?? Se são as mulheres ,em sua maioria,que ainda lavam as roupas e cuidam da casa?? Acho que é muito mimimi por nada .