Mailson Ramos
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Corrupção 09/Mar/2015 às 18:18
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Dos fatos incomentáveis à lista de Janot

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Mailson Ramos*

Não precisa ser analista político para perceber que político – e ponderado nas decisões tomadas – foi o Procurador Geral da República, Rodrigo Janot. Estava em suas mãos uma bomba relógio que poderia desarticular o cenário político estabelecido pelo próprio judiciário e pela imprensa brasileira. Sobre este cenário, não preciso reafirmar minha posição; os fatos são a pura representação das forças existentes que se repelem, do antagonismo, das ideologias contrárias e da guerra midiática que deflagra um mal aqui e acoberta outro ali. A presença de Antônio Anastasia (PSDBMG) nesta lista e o rechaço das investigações sobre Aécio Neves e a famosa lista de Furnas é um rastilho tênue do envolvimento dos partidos de oposição nos escândalos de corrupção. Como eu disse, um rastilho tênue, apagado quase sempre pela mídia e, sobretudo pela própria justiça.

A justiça brasileira poderia se interessar sobre este esquema de Furnas que nem mesmo Alberto Youssef soube decifrar. Ou não quis decifrar. Naturalmente esta história poderia ser melhor esmiuçada pela justiça, mas parece que vai de encontro aos interesses nunca esclarecidos dos grupos hegemônicos. Os artigos das últimas semanas, refutados por alguns leitores, ampliavam a discussão sobre os dois pesos e as duas medidas da justiça e da imprensa brasileira. Evidente que a maioria dos nomes da lista é de políticos que fazem parte da base governista. E não podia ser diferente porque estamos falando de uma esquema originado numa estatal. Mas talvez o problema não esteja na lista e sim nas delações de Youssef ou Paulo Roberto Costa. No quartel general de Moro é onde habita o cerne incomentável desta epopeia.

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A revista Veja antecipou o conteúdo da lista. Fala-se em furo jornalístico. A verdade é que os métodos desta publicação fogem ao entendimento de qualquer bom profissional de jornalismo. Como se infiltra? Como chegaram até essas informações? Ou simplesmente arriscaram numa improvável loteria de nomes? Acontece que neste país e, especialmente no Paraná, existe uma estrutura mobilizada contra o governo. Pretendem chegar às vias da derrubada presidencial utilizando os subterfúgios da lei; assim, jamais poderão ser considerados golpistas. Não se discute a corrupção, o financiamento privado de campanha, a estrutura mantenedora dos esquemas de corrupção que sobrevive a todos os governos. O que se pretende agora é derrubar o governo que aí está. Para os profetas de desventura basta.

Todos os problemas do Brasil serão resolvidos.

A lista divulgada pelo STF poderia abrir espaço para um debate profundo da sociedade brasileira sobre a corrupção. Continuamos com os vícios de antes: um lado que se mostra imaculado – e é pútrido por dentro – e outro que, marcado pela corrupção instalada no sistema, luta para se manter no poder. É difícil estabelecer os prognósticos para esta história.

A falsa castidade de alguns partidos, cantada e decantada em versos pela imprensa e protegida do fluxo das notícias, pode, no fim, ser a antecipação de um arrependimento amargo e pernicioso para o Brasil. O país que devemos construir não é aquele que acoberta as mentiras seculares, mas aquele que expõe, em carne viva, os vícios de uma sociedade recheada de esquemas, grandes e pequenos, de corrupção. A verdade sempre prevalecerá.

*Mailson Ramos é escritor, profissional de Relações Públicas e autor do blog Nossa Política. Escreve semanalmente para Pragmatismo Político.

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Comentários

  1. Onda Vermelha Postado em 09/Mar/2015 às 18:52

    Pois é! E o Ministro Gilmar Mendes continua sentado sobre a ADI 4650 que poderia começar a botar um fim nessa história. Ou seja, declarar inconstitucional o financiamento de campanhas políticas por empresas privadas. Fazer o quê? O Placar está em 6 X 1. O cara já perdeu o debate no mérito, mas não se dá por vencido, nem respeita as entidades que impetraram a referida ação, assim como seus pares no STF que se dedicaram a estudar a questão e formularam seus votos. Como bem sabemos ele apenas está aguardando que o Eduardo Cunha e seus parceiros(PMDB, PP, PTB e PSDB) aprovem um PEC institucionalizando o financiamento privado para que o julgamento no STF perca o objeto e tudo volte a estaca zero! A sociedade precisa reagir! E exigir que ele libere o seu voto! #DevolveGilmar!

    • Rafael Postado em 09/Mar/2015 às 21:52

      Não adiantaria nada. O problema não é o financiamento legal, é o caixa 2. Pra resolver é necessário diminuir os custos de campanha, ao invés de querer que o povo pague a conta como o PT quer. Precisamos aprovar voto distrital, proibir propaganda na TV e rádio e jornal. Dessa forma os custos para eleger um candidato seriam brutalmente menores e o caixa 2 deixaria de ser vital. Mas isso tem um preço: A perda de poder que os líderes dos partidos terão sobre quem se elege. Logo o PT, PMDB e PSDB são contra.

      • Onda Vermelha Postado em 09/Mar/2015 às 22:51

        Rafael nas audiências públicas que antecederam o julgamento da ADI4650 em plenário a imensa maioria dos especialistas( advogados em direito eleitoral, sociólogos e cientistas políticos) concordaram que o financiamento de campanhas políticas por empresas privadas distorce a representação da sociedade e induz fortemente os mecanismos de corrupção de nossas instituições. Seis juízes do STF, a maioria, portanto, também já concordou com essa tese. As entidades que propuseram a ação, OAB, CNBB, MCCE, dentre muitas outras também. A crise atual de nosso sistema político tem tudo a ver com isso. Os cidadãos não se sentem representados por aqueles que elegeram, mesmo que essa eleição tenha se dado menos de SEIS MESES! Aliás, o que dizer do Presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha(PMDB-RJ) que apesar da crise e do ajuste fiscal da contas públicas chegou a oferecer uma cota extra a seus comandados de passagens gratuitas para as esposas dos parlamentares com dinheiro público? Isso é apenas uma pequena dimensão de nossa crise. E ela não será resolvida enquanto o Poder Econômico continuar a determinar aqueles que devem ou nos representar através de abundantes recursos privados que posteriormente serão cobrados com juros e correção monetária daqueles que forem eleitos. Simples assim! A sociedade precisa reagir! E exigir que ele libere o seu voto! #DevolveGilmar!

      • Aleluia Postado em 10/Mar/2015 às 10:16

        Poderia haver também candidaturas autonomas. Sem necessidade de ser filiado a partidos políticos, especialmente em relação ao poder legislativo. TODOS os grandes partidos brasileiros são operam esquemas criminosos, eu particularmete só votaria nos avulsos, pelo menos até surgir um partido que preste.

      • Onda Vermelha Postado em 10/Mar/2015 às 13:10

        Aleluia acredito que uma Reforma Política que aprovasse a possibilidade de "candidaturas avulsas" somente transformaria em péssimo um sistema político que já é muito ruim. Não precisamos de "salvadores da pátria". Precisamos fortalecer as instituições, no caso em particular, os partidos políticos, como fizeram todos os países de democracia mais madura que a nossa. Pelo menos em teoria seria nos partidos políticos onde deveria haver a formulação de propostas e políticas públicas de interesse público que posteriormente seriam objeto de escolha pelos cidadãos segundo sua livre convicção através de sufrágio universal. Ora, se eles não cumprem essa função é PRECISO que façamos com que cumpram e orientemos a criação de uma legislação que os conduzam nessa direção. E para isso é fundamental que eles deixem de ser balcão de negócios, e passem sim a ser “usinas de ideias”, por mais romântico que isso nos pareça neste momento. Como sabemos o financiamento de campanhas políticas por empresas privadas, mas não somente ela, tem tudo a haver com esse processo de deterioração das agremiações e a distorção no papel original e desejado por toda a sociedade. Não sejamos ingênuos. E isso se dá em todas as esferas de poder! Desde a prefeitura de um minúsculo município, passados pelos estados chegando por fim a esfera federal. E atinge a TODOS os partidos políticos SEM EXCEÇÃO! Acho que é isso por hora.

      • Altamar Postado em 10/Mar/2015 às 17:42

        O financiamento legal também é um problema sim. Quem financia quer o seu no futuro. Sempre foi assim.

    • Rafael Postado em 10/Mar/2015 às 18:08

      Caro Onda Vermelha, Entendo seu ponto de vista e concordo com ele. Acho que doações de empresas deveriam ser proibidas. Mas isso não mudaria nada, pois o problema é o caixa 2. Ou você acha que o custo para eleger um parlamentar por exemplo é aquele declarado legalmente?! Enquanto uma reforma.política séria, que reduza os custos de campanha para que qualquer candidato, seja partidário ou independente possa legalmente vencer uma eleição não for feita, nada acontece. E chega desse FlaxFlu de direita x esquerda. Isso não faz sentido, porque TODOS os partidos estão do mesmo lado. O jogo é Brasil x Classe Política. Simples assim.

  2. Thiago Teixeira Postado em 09/Mar/2015 às 21:46

    Lula e Dilma sabiam que Kennedy morreu. Logo, devem ser investigados (filosofia coxinha).

  3. Rodrigo Postado em 10/Mar/2015 às 11:04

    Acho que tem gente rasteira com idéias rasteiras. Ao invés de focar, como o texto e como Onda Vermelha, no que realmente interessa fica jogando jogadas de perdedor apontando para várias direções por falta de argumentos viáveis. Qualquer incauto sabe que a Petro foi e é uma empresa para financiamento de campanhas de políticos corruptos (quase 100% deles o são). Então, idiotas de plantão, por favor ao invés de tratar as consequências, vamos tratar a causa. Parabéns Onda Vermelha, e parabéns pragmatismo. Vocês estão honrando o nome, estão sendo pragmáticos e apontando para a direção correta, ao invés de só confundir e idiotizar.

  4. ORRAIO Postado em 10/Mar/2015 às 14:53

    Rodrigo, ouvi dizer, não lembro quem falou, que tu também recebeu uma grana por fora no esquema da Petrobras. E agora?

  5. Onda Vermelha Postado em 10/Mar/2015 às 16:07

    Rodrigo ficou claro que o Pedro Barrusco não pode (ou não quer falar) sobre o período 1997 e 1998 (Período FHC) porque estaria sobre delação premiada ainda em aberto. Ele afirma que roubava para si mesmo neste período, mas quando apontado que seria então o precursor da corrupção na Petrobras ele saiu pela tangente e negou...De novo o que ele ainda esconde deste período? A quem protege? E por quê? O tempo dirá se a PGR e o juiz Moro querem mesmo ir a fundo em toda essa história. Por enquanto a palavra dele é apenas palavra dele até que surjam provas que as subsidiem. Ok?